Crítica: Vingança a Sangue Frio (2019, de Hans Petter Moland)


O que esperar de um filme com Liam Neeson como protagonista? Muita ação, tiros para todo o lado e muito, mas muito banho de sangue e mortes. O seu novo filme não foge desse aspecto violento, entretanto, como conduzir uma renovação desse estilo e criar algo chamativo para propor ao público de que o filme deva, sim, ser visto nas telonas? 

Vingança a Sangue Frio, mais um filme em que o ator tem a total liberdade de fazer as suas próprias vontades, chega esta semana nos cinemas justamente após um mês do adiamento de sua estreia.


Nels Coxman (Liam Neeson) é um cidadão comum em sua cidade natal. Sua rotina, quase que diariamente, é manter as vias de acesso da cidade livre para o tráfego usando o seu trator para a remoção do gelo constante. Isso já foi motivo para o eleger como o cidadão do ano no lugar. A morte de seu único filho, porém, começa a perturbar a sua mente e em uma virada de jogo, Coxman muda completamente sua personalidade amena e se transforma em um assassino fervoroso por vingança com as próprias mãos e conseguir a tão sonhada justiça.

Sim, mais uma vez o tema da história é a busca implacável (desculpe pelo trocadilho) de fazer justiça com as próprias mãos. Mesmo usando o elemento do gelo no título do filme, Vingança a Sangue Frio vai além do pano de fundo e coloca a essência de um matador calculista em que Coxman se transforma. 

Como perguntei anteriormente, aqui não há nenhuma revolução feita em outras obras do ator. O fraco e simples roteiro cansam nossa compreensão de que uma futura desenvoltura possa estar a caminho. O que realmente faz um chamariz é a ilustração dos crimes, com muitas referências do estilo HQ's e o humor totalmente ácido que é introduzindo, algo que preenche a história com uma qualidade quase nula do filme.


Isso explica o fato de a audiência da película ser tão baixa nos cinemas internacionais, cuja fora alimentada pelas fortes e polêmicas declarações do ator, de cunho racista, que fizeram cancelar a estreia do filme para março, antes marcado para 14 de fevereiro. O diretor Hans Petter Moland não conseguiu manter a qualidade de O Cidadão do Ano, que também é dirigido pelo diretor, protagonizado por Stellan Skarsgard (Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo) nesta adaptação e nem mesmo tentar mudar as características da obviedade que o roteio imprime.

Neeson faz mais do mesmo de outros filmes, o que não ajuda quase em nada em sua atuação. O fato de exacerbar uma personalidade com uma essência mais humorada e intrínseca, até mesmo pelo que a trama pede, fica confinado em uma feição mais séria do ator e não contribuem para sua evolução. Nem mesmo Tom Bateman (Assassinato no Expresso do Oriente) consegue criar um ar vilanesco interessante, sendo mais caricato do que ameaçador para um filme de ação. 


Vingança a Sangue Frio não chega a ser tão ridículo, mas cai nas mesmas mensagens de outros filmes em que Liam Neeson já atuou. O peso de não ter um roteiro mais elaborado ficou risível em suas fracas atuações, deixando em queda gradativa a qualidade do filme. A obra somente tem o intuito de preencher o currículo do elenco deixando de fora uma grande história ou clímax palatável de ser assistido, mesmo com alguns risos garantidos.


Título Original: Cold Porsuit

Direção: Hans Petter Moland

Duração: 119 minutos

Elenco: Liam Neeson, Tom Bateman, Tom Jackson, Emmy Rossum, Laura Dern, John Doman, Domenick Lombardozzi e Michael Eklund  

Sinopse: Nels (Liam Neeson), um tranquilo homem de família, trabalha como motorista de um removedor de neve e vê seu mundo virado de cabeça para baixo quando seu filho é morto por um poderoso traficante de drogas. Impulsionado pelo desejo de vingança e sem nada para perder, ele fará tudo o que por preciso para destruir o cartel.

Trailer:

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Fagner Ferreira

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