Crítica: Podres de Ricos (2018, de Jon M. Chu)


Para começarmos a falar de Podres de Ricos e sua representatividade para o cenário do cinema americano, devemos voltar um pouco no tempo, mais precisamente em 2016, na polêmica do Oscar. A questão do "embranquecimento" dos indicados gerou revolta e fortes críticas à academia sobre o esnobismo aos atores negros com potencial para figurar entre as principais categorias do evento. No ano seguinte, o cinema americano persistia em não ter compreendido toda essa "revolução" dos artistas. O pivô das críticas negativas desta vez foi o filme A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell pela escolha de Scarlett Johansson como protagonista, ignorando a etnia da personagem asiática. A atriz ainda esteve envolvida em polêmica semelhante neste ano (novamente sendo escolhida por Rupert Sanders) e, até por um bom senso, desistiu de vivenciar uma personagem transexual no filme Rub e Tug.

Nesta ano, as coisas começaram a andar para frente. Fomos prestigiados com o brilhante Pantera Negra (crítica aqui) e todo o seu universo recheado de personagens negros no início do ano. O filme foi um estouro mundial de críticas positivas e considerado, por alguns, como um dos melhores do Universo Cinematográfico da Marvel. E é nesse contexto toda essa representatividade se encaixa Podres de Ricos. A trama, baseada no livro Asiáticos Podres de Ricos, primeiro da trilogia de Kevin Kwan, é o primeiro filme com elenco totalmente asiático (ou com aquele pezinho na Ásia) e ilustra bem a positividade de termos esse lado sendo mais explorado no cinema americano. O sucesso foi eminente e o filme alcançou as primeiras posições de bilheteria nos Estados Unidos.



Pela proposta dessa diversidade, o filme nos mostra como os lados opostos podem se sentir subtraídos dentro de um mesmo espaço e como o comportamento humano é muito soberbo e preconceituoso. Na trama, Rachel Chu (Constance Wu), uma professora de economia em uma faculdade de Nova York, está prestes a conhecer os pais do seu namorado, Nick Young (Henry Golding), em um casamento de um amigo no qual será padrinho em Singapura. Durante esta viagem, Rachel estará no meio da luxúria e riqueza que desconhecia de Nick e toda a sua família, além de vivenciar as diferenças sociais existentes entre ela e os demais convidados.



Apesar de ser uma comédia romântica, Podres de Rico traz uma nova uniformidade ao gênero. A narrativa do longa propõem algo mais dramático do que o famigerado dramalhão de outras obras. Aqui, o choque de realidade social é bastante trabalhado. Quem representa melhor essa literalidade dos fatos é Michelle Yeoh (mãe de Young). Além da ótima atuação da atriz, Yeoh cria uma personagem fria e extremamente segura. O embate com Rachel Chu é o que cria todo o arco dramático central da história. Algo que contribui para a riqueza do filme é o conhecimento dos costumes da cultura asiática e a moldura local de Singapura com seus prédios enormes e as ousadas obras que a capital do país possui, tirando a residência exuberante da rica família.

O casal de protagonistas mostra uma química que é envolvente para o público nos dramas, nos risos e a na sensibilidade que os atores dão para os personagens. Henry Golding (Um Pequeno Favor) fez sua estreia como ator e desenvolveu bem o seu personagem, que a todo momento demonstra o fervor do amor que sente pela personagem de Constance Wu e deixa o status de ser um ricaço em segundo plano. A atriz está sensacional no seu papel. Rachel é uma mulher independente em suas escolhas, mesmo que isso possa não dar o eixo funcional de suas emoções. Todas as suas ações também são consolidadas através de sua amiga de infância Peik Lin (Awkwafina), um alívio cômico emergencial para dar pilar à Rachel.



Gemma Chan, irmã de Nick, é outro ótimo destaque da trama. Diferentemente da maioria da família, com uma alma mais pura, o seu drama pessoal é bem desenvolvido em relação ao marido Oliver (Nico Santos) e deixa o gancho para o novo filme da franquia, já confirmado pela Warner, após a rápida cena de pós crédito. No mais, o talento e humor de Ken Jeong (Se Beber, Não Case!) é pouco explorado e não enaltece nada para a história.

O grande pecado do filme são algumas cenas aleatórias de humor forçado e piadas que não funcionam, deixando-o ser menos brilhante até mesmo pelo famoso clichê do aeroporto/avião também estar presente. A adaptação de músicas de Madonna e Coldplay por cantores asiáticos dão um charme mais sofisticado à diversidade que o filme propõem. A direção de arte é um espetáculo à parte, ajudada pela vasta riqueza que o país dispõem, transcendendo isso durante o casamento de Araminta (Sonoya Mizuno) e Colin (Chris Pang).


Podres de Ricos é essencial para a nova fase americana de diversidade étnica e representatividades das minorias no cinema. A trama pode ser simples por si só, pela sua diversão e uma história batida nas comédias românticas, mas são os personagens que cativam o público com seus arcos dramáticos e expressivos e a descoberta de uma nova cultura que está fazendo este estrondoso sucesso nas bilheterias nessa nova linhagem de fazer cinema do diretor Jon M. Chu.



Título Original: Crazy Rich Asians

Direção: Jon M. Chu

Elenco: Constance Wu, Henry Golding, Michelle Yeoh, Lisa Lu, Gemma Chan, Awkwafina, Harry Chum Jr., Sonoya Mizuno, Chris Pang, Jimmy O. Yang, Remy Hii, Jing Lusi e Ken Jeong

Sinopse: Rachel Chu (Constance Wu) é uma professora de economia nos EUA e namora com Nick Young (Henry Golding) há algum tempo. Quando Nick convida Rachel para ir no casamento do melhor amigo, em Singapura, ele esquece de avisar à namorada que, como herdeiro de uma fortuna, ele é um dos solteiros mais cobiçados do local, colocando Rachel na mira de outras candidatas e da mãe de Nick, que desaprova o namoro

Trailer:

Fagner Ferreira

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