Crítica: WandaVision (2021, de Jac Schaeffer)

 


Em mais de 10 anos de trajetória do Marvel Studios nos cinemas, muitos se questionaram e ao mesmo tempo se empolgaram com como seria uma produção feita para a televisão, ou no caso da atualidade, para o streaming, tendo monitoria do famoso produtor Kevin Feige. Não que a Marvel nunca se envolveu com televisão, desde os primórdios da série do Hulk estrelada pelo Lou Ferrrino ou até mesmo a série japonesa do Homem-Aranha, ou na atualidade como a aclamada série do Demolidor feita pela Netflix, e até mesmo o seriado pequeno, porém muito subestimado, AGENTS OF S.H.I.E.L.D., a Marvel sempre explorou o que fazer com suas propriedades com a limitação e orçamento destinado a produção televisiva.

Porém quando se espera que o próprio estúdio que realizou Vingadores, Guardiões da Galáxia e Pantera Negra, com a ambição cinematográfica que o novo streaming da Disney está apostando alto, visto a enorme qualidade técnica que o seriado de Star Wars, The Mandalorian, demonstrou, a expectativa é muito alta.

Depois de um ano seco de lançamentos do MCU, causado pela pandemia do Covid-19, a casa das ideias lança sua primeira série, WandaVision, focado nos personagens da Feiticeira Escarlate e o Visão, e com uma interessante proposta de estilo narrativo que o estúdio não costumava apostar. A trama é seguinte aos eventos da grande batalha contra o vilão Thanos, no filme Vingadores: Ultimato e mostra o nosso casal de heróis vivendo um sonho romântico inspirado em seriados de sitcoms antigos, mas conforme a trama da série avança e segredos se revelam, a natureza real dos poderes de Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) se manifesta.


O destaque mesmo vem da nova possibilidade do formato televisivo que a Marvel Studios criou para si mesma e explorar ideias novas que afastam do tradicional modelo de histórias que os filmes do estúdio se propõem. Logo nos primeiros episódios não temos grande lutas e sim simplesmente a interação de ambos os atores, Elizabeth Olsen e Paul Bethany, onde abraçam os maneirismos e performances caricatas de atores de seriados antigos, não importando qual era da TV se passa, eles nunca perdem o charme e carisma que se sustenta ao longo dos nove episódios.

Porém, mais do que apenas se prender a comédia e interações românticas, o formato do seriado possibilitou abordar novos lados e dimensões dos personagens, especialmente a figura de Wanda, mostrando o seu lado obscuro e complexo carregado de emoções pesadas. Osso só é possível graças a dedicação e esforço de Olsen, que consegue finalmente dar a sua personagem o brilho que ela sempre merecia. Isso vale para o romance dos dois, se antes era visto como algo pontual e muito básico na trajetória do MCU, a série conseguiu demonstrar o carinho e a sensibilidade de ambos os personagens e cativa os espectadores principalmente nos momentos mais emocionantes no final. É bem provável que um filme de duas horas não conseguisse o que o seriado entregou muito bem.

Ainda falando em contrates com as produções de TV e cinema, como já foi dito, as produções do Disney+ sempre apontaram que a qualidade cinematográfica dos seus blockbusters iria permanecer em seus seriados. A boa notícia é que a produção não deve nada ao que se propõem, mesmo com escala reduzida comparada a outras produções do MCU, a qualidade se mantém, tanto quando eles recriam a estética e o valor de produções do seriados antigos, ou até mais no final quando começa a ficar parecido com as produções da Marvel tradicional.

Temos bons coadjuvantes, como a presença engraçada do retorno de Darcy (Kat Dennings) e até mesmo do Agente Woo (Randall Park), mas a mais surpreendente é Monica Rambeau (Teyonah Harris), mesmo não sendo a primeira introdução ao MCU, Monica ganhou espaço para demonstrar as suas motivações e personalidade altruísta, o que nos deixa mais animados para o futuro de sua personagem em futuras produções.

Como toda produção, sempre é necessário um antagonista, e nisso é o que a série demonstrou uma sensação de estar patinando, a figura de Agnes (Kathryn Hahn) é carismática e com presença, porém ela passa uma sensação de falta de motivação real e profunda a mais do que foi mostrado no programa, e que gerasse uma melhor pedida à trama da série.

Por mais que isso soasse ser exigente demais, é necessário comparar que nos últimos anos, a Marvel Studios conseguiu se desligar da fama de ter vilões artificiais em filmes de heróis de qualidade, visto que o filme Vingadores: Guerra Infinita, se preocupou mais do que apenas fazer cenas de ação grandiosas, para dar uma dimensão grande ao vilão Thanos, ou até mesmo o Killmonger em Pantera Negra, com inspirações a acontecimento reais e atuais, ele ganhou o seu espaço notório na história do estúdio. É o que poderia ser feito, visto que o formato em seriado soube deixar Wanda mais aprofundada, porém deixou Agnes muito básica, fazendo ela soar como uma vilã vinda da fase 1 ou 2 do MCU. Isso vale também para o diretor da S.W.O.R.D., Heyward (Josh Stamberg).


Foi levantada muita controvérsia em torno do seu final, com teorias não comprovadas e vilões que prometeram e não apareceram, mas principalmente, a série foi vendida para muitos como o prólogo do futuro filme Doutor Estranho: No Multiverso da Loucura. Mas a obra anda com as próprias pernas, o que deveria ser essencial, pois tendo consciência que a série é mais uma expansão da personagem da Wanda, dando mais substância e uma dimensão maior para a figura dela. Considerando o que foi revelado nas cenas finais, ela terá um espaço maior no futuro, soa muito mais valioso do que apenas teorias mirabolantes sendo comprovadas.

WandaVision é uma boa porta de entrada do Marvel Studios na televisão. Talvez deve ter sido melhor essa série ter sido lançado primeiro para definir o futuro do MCU, já que antes da pandemia, a série do Falcão e o Soldado Invernal, tipo de produção semelhante ao o que foi já foi apresentado, seria a primeira a estrear. Porém a série de Wanda aposta em ideias novas e dando um olhar mais diferenciado a personagens do MCU, na qual deve ser o norte das futuras produções do Marvel Studios na Fase 4, com filmes e agora seriados. Esse primeiro produto do MCU nesse ano demonstra a nova iniciativa de explorar mais do que apenas a fórmula Marvel.



Título Original: WandaVision

Direção: Jac Schaeffer

Episódios: 9 Episódios

Duração: 35-40 minutos

Elenco: Elizabeth Olsen, Paul Bethany, Kathryn Hahn, Teyonah Parris, Josh Stamberg, Kat Denning e Randall Park

Sinopse: Wanda Maximoff e seu marido androide Visão acabaram de se casar e se mudam para um subúrbio em Nova Jersey, é o sonho romântico perfeito, mas quando coisas estranhas começam a se manifestar, o real poder de Wanda pode ser a chave para a solução para tudo.

Trailer:


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