Notre Dame e o sonho de vida em Paris (2019, de Valérie Donzelli)

 


Notre Dame é uma obra francesa dirigida, produzida e atuada por Valérie Donzelli, que se esforça ao máximo para que seu projeto cinematográfico dê certo, seja pela homenagem que traz à Paris, seja por tentar cruzar caminhos fora do eixo, por assim dizer, tratando-se de comédias. Temos aqui uma comédia dramática com toques românticos e lúdicos, que por horas remete à La La Land em termos imaginativos, embora bem diferente em trama e consistência. Em tempos em que a série Emily em Paris da Netflix despertou curiosidade de como é uma mulher viver e trabalhar na capital francesa, Notre Dame traz um pouco mais de realismo no sentido cultural, já que estamos falando de uma obra genuinamente francesa. 

Valérie Donzelli entrega uma personagem interessante, de fácil identificação devido suas falhas humanas e seus dilemas, por vezes sua personagem falha em tomar atitudes devido a insegurança, o que é coerente com muitas pessoas que se sentem presas em determinadas situações. A comédia, apesar de leve na maior parte, em momentos traz alguma quebra de parâmetro, como nudez total ou desvio de determinados clichês. Nota-se aqui a tentativa de por vezes, tomar caminhos diferentes do que a maioria das produções trazem. Ainda assim, uma aura lúdica permeia ao longo da obra, dando novamente tons leves e bonitinhos. 

O roteiro ainda tenta filosofar aqui, flertar com outros gêneros ali (note uma cena musical), há uma mistura de ideias, nem todas bem executadas. Notre Dame é um filme híbrido, que não vai de forma profunda em nenhum dilema nem gênero que aborda, ficando apenas no flerte mesmo. Porém a curta duração e o elenco simpático valem a pena e nos convencem a acompanhar a jornada da protagonista.  

Entre os coadjuvantes, destaque para Thomas Scimeca, o hilário e dependente ex-marido da protagonista, que serve como uma corrente, que prende e impede a personagem de evoluir. Através dele, Donzelli dialoga um pouco com o feminismo e a importância da independência feminina, embora sua complicada personagem custe a se desamarrar de certas situações. No geral, Notre Dame é uma obra excêntrica, que poderia ser mais, mas contenta-se com menos, trazendo momentos agridoces, algumas passagens artísticas, uma homenagem à Paris sem deixar de cutucar um pouco a política e suas obras públicas, além de trazer a odisseia da liberdade econômica e social de uma mulher divorciada em uma grande cidade. Despretensioso e gracioso, merece ser conferido. 




Título Original: Notre Dame

Direção: Valérie Donzelli

Duração: 90 minutos

Elenco: Valérie Donzelli, Pierre Deladonchamps, Thomas Scimeca.

Sinopse: Maud Crayon, arquiteta e mãe de duas crianças, conquista – graças a um mal-entendido – o grande concurso promovido pela prefeitura de Paris para reformar o pátio diante da catedral de Notre-Dame... Às voltas com essa nova responsabilidade, ela se vê em meio a uma tempestade ao ter de lidar ao mesmo tempo com um antigo amor da juventude que reaparece de repente e com o pai de seus filhos, a quem não chega a abandonar completamente.

Trailer:



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