Crítica: Rosa e Momo (2020, de Edoardo Ponti)

Sophia Loren é uma das últimas grandes lendas e estrelas da Era de Ouro de Hollywood ainda vivas, uma das melhores atrizes de todos os tempos, tendo brilhado entre os anos 50 e 70 recebido diversos prêmios. Depois disso, embora ainda aparecesse aqui e ali, ela se dedicou à família, tendo praticamente se aposentado nos últimos anos. Eis que é a família, agora crescida, que traz a italiana de volta aos holofotes no competente Rosa e Momo, da Netflix. 

Seu filho, Edoardo Ponti, agora cineasta, dirige sua mãe neste comovente retorno da lenda. Ela interpreta uma sobrevivente do holocausto que decide, mesmo receosa, ajudar uma criança mulçumana que a assalta na rua. Mesmo que inicialmente com certos preconceitos, é nas lembranças da guerra e no observar de como as autoridades tratam imigrantes que algo toca a personagem, começando assim uma história de amizade com o pequeno Momo.


Como não podia ser diferente, Sophia Loren entrega uma excelente atuação, provando ser a artista que um dia conquistou o mundo. O jovem Ibrahima Gueye é incrível, uma das melhores atuações mirins do ano. É um filme bem simples, talvez até careça de algo a mais, como algum aprofundamento no passado de Rosa ou algo mais forte. Mas é nas sutilezas que este tipo de obra se apoia, e nisso se sai bem. É uma obra que não usa de excesso de melodrama ou de trapaças emocionais para ganhar a atenção do público. A trama bem escrita fala por si só, leva naturalmente ao nosso envolvimento com as personagens para, aí sim, nos emocionarmos. 


A fotografia é simples e bela, colocando paletas de cores quentes em uns momentos contrastando-as com frias em outros, conforme o drama ou a situação em cena. Na trilha sonora, temos até a lenda dançando o nosso samba Malandro, na voz de Elza Soares. 


Em determinada e emocionante cena em um terraço, temos referências à obra Duas Mulheres (1960), também sobre o holocausto, filme que deu o Oscar de Melhor Atriz à Loren. Isso parece ser todo o cuidado e gratidão de seu filho, homenageando a carreira da mãe e a abdicação dela em prol da maternidade. Isso se reflete na obra. A imagem materna que Momo tem em sua imaginação é a de uma leoa, e Loren é, por sua vez, no desenrolar dos fatos, uma verdadeira leoa. Esse é o cinema italiano puro, simples e poético. 


Título Original: La Vita Davanti a Sé 

Direção: Edoardo Ponti

Duração: 94 minutos

Elenco: Sophia Loren, Ibrahima Gueye, Renato Carpentieri, Abril Zamora, Babak Karimi, Massimiliano Rossi

Sinopse: Madame Rosa, é uma sobrevivente do Holocausto, judia e sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, que tem uma espécie de creche na casa em que mora no litoral da Itália. Sua vida muda quando ela começa a cuidar de Momo, um imigrante de 12 anos de Senegal que tinha acabado de roubá-la.

Trailer:


Você se lembrava da excelente Sophia Loren? Viu o filme? 

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