Crítica: O 3º Andar: Terror na Rua Malasãna (2020, Albert Pintó)


Preciso começar dizendo que sou uma fã ferrenha de filmes de terror, e me entristece ver como o estilo dos filmes decaiu ao longo dos anos. Por isso, ao ver Terror na Rua Malasãna, fiquei com um grande pé atrás que foi logo esquecido, pois de fato consegue cumprir seu papel. Confira o que achamos a seguir!

Nos primeiros minutos de filme, a direção já consegue nos fisgar com a ambientação. Temos um hotel antigo, crianças brincando no corredor e uma aura de que algo vai dar errado; logo percebemos que o quarto onde as crianças estão é um lugar proibido. Nada realmente acontece, mas é o suficiente para dar o ritmo de toda a história. 

A Espanha vem se destacando nos últimos anos com filmes que chamam a atenção por suas histórias e pelos efeitos visuais muito bem trabalhados, e graças a serviços de streaming e o acesso ao cinema, muito de seus filmes ficaram conhecidos no Brasil. O longa se encaixa nesse padrão que vem surgindo ao longo dos anos, de um terror mais centrado e focado, mas aqui temos várias tangentes para uma mesma história que se desenrola ao seu tempo, dando respostas curtas e colocadas, sem nunca explicar demais. 


Não acho que isso seja de fato um problema, mas lá para o terceiro ato, o filme começa a ficar ligeiramente cansativo. Poderia ter sido melhor contextualizado ao tentar lidar com todas essas histórias que mesclavam a família e seu lar assombrado. A ambientação do cenário é algo muito bem feito, já que cores frias como marrom e cinza estão por toda a parte, sem contar que o filme se passa nos anos 70,portanto temos toda uma caracterização que nos remete àquela época. As músicas e até mesmo a forma de agir dos personagens são influenciados pelo ano que estão vivendo. 

Uma coisa muito interessante – e que até agora não sei se foi proposital ou não, – é que, em determinado momento, a assombração entra dentro de uma televisão antiga e começa a conversar com o filho mais novo do casal, e a mesma coisa acontece em uma excelente série de terror chamada Channel Zero: Candle Cove. Tanto na série quanto no filme, o efeito passado ao público é o mesmo, chega a ser amedrontador. Inclusive, o filme é baseado em lendas urbanas da região, onde coisas estranhas acontecem em hotéis e nas ruas, mas se você for procurar de fato esse apartamento, ficará decepcionado, porque ele não existe.

Entre idas e vindas, o roteiro se perde ao meu ver na tentativa de colocar várias histórias dentro de uma e fazê-las se encontrarem durante as quase duas horas. Achei interessante e sensível a história por trás da tal casa assombrada e também ver como a família se manteve unida apesar dos pesares. O filme tenta trazer algo novo usando os mesmos truques tão conhecidos, os jump scares, que funcionam como um meio de assustar o telespectador mas nem sempre se encaixam. Por fim, diria que o filme não é excelente, mas é um refresco para aqueles que gostam do gênero.

Título Original: Malasãna 32

Direção: Albert Pintó

Duração: 104 minutos

Elenco: Bea Segura, Begoña Vargas, Javier Botet, José Luis de Madariaga, Maria Ballesteros

Sinopse: Inspirada em fatos reais, a história gira em torno de uma família nos anos 70 que se instala no bairro de Malasaña em Madri, onde sua nova casa se tornará o pior de seus pesadelos.

Trailer: 

E você, gosta de filmes de terror?

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