Crítica: Unidas pela Esperança (2020, de Petter Cattaneo)

 



Em meio as missões militares, sejam elas para intervenção, ação de paz, ajuda ou até mesmo a guerra, como é o caso de muitos países que enfrentam conflitos armadosUnidas pela Esperança tem o foco voltado para as esposas desses militares que são enviados para outros países nessas missões. Elas vivem a aflição e a angustia de muitas vezes ter seu parceiro em guerra sem ao menos saber exatamente onde ele está, quase sem comunicação, e quando eles são feridos ou até mesmo morrem, elas ficam sabendo bem depois.

Portanto, o longa-metragem se trata de um drama. Dirigido por Petter Cattaneo e baseado em eventos reais, o filme conta ainda com o roteiro de Rachel Tunnard e Rosanne Flynn, que se inspiraram nos corais formados por esposas de militares que encontram na música a amizade, a força e a esperança.

Com um tema pouco explorado no cinema, mas ao mesmo tempo interessante e sensível, percebe-se que houve um desafio para o diretor projetar a realidade dessas mulheres. Em momentos específicos, é possível notar o drama, o desafio, a saudade. Mas de repente poderia ter sido melhor explorado ou entrado mais a fundo.

A percepção que alguns podem ter de que a vida dessas mulheres não faz muito sentido sem os seus maridos, mas não apenas isso, parece que talvez não façam outra coisa além de viver para os maridos. Vivendo uma constante espera enquanto eles não voltam, elas se questionam sobre o que podem fazer para preencher o tempo ocioso. Elas até tentam fazer tricô, mas percebem que não levam muito jeito para coisa.

Porém, na música elas se encontram e se descobrem. O filme só fica bom, de fato, quando entram as músicas, em sua maioria hits dos anos 80 que passam a fazer parte do repertório. No início, para que tenha um pouco mais de conflito, muitas pensam em desistir, sentem medo ou insegurança, mas no final dá tudo certo.

Verdade seja dita, o que funciona no filme é o coral e as músicas alto-astral. Talvez se o foco fosse esse em tempo integral, o filme se tornaria uma versão de Glee de mulheres maduras, o que seria mais atraente, mas como eles tentam equilibrar com o conflito do drama enfrentado pelas esposas e não exploram tão bem o tema, o filme ficou meio desproporcional nesse aspecto.

Mas em aspectos mais técnicos, como trilha sonora, fotografia e até o figurino, esses elementos juntos cumprem o papel de dar o tom de drama que talvez falte no roteiro e na direção. Com uma trilha muito bonita, até bem tocante em dados momentos, sem contar a composição original que elas acabam fazendo, é muito impactante. Fotografia com a pegada dos filmes europeus, mais fria, escura e dramática e o figurino bem fiel ao que seriam mulheres reais de militares.

Num aspecto geral, o filme não é ruim, mas possui um ritmo lento, e fora que só se torna agradável de fato quando o coral entra em cena – as músicas divertidas, a união e a amizade que elas criam, principalmente, lideradas por Kristin Scott Thomas e Sharon Horgan, interpretando amigas de longa-data. Fora isso, pode ser só mais um filme dispensável.


Título Original: Military Wives

Direção: Petter Cattaneo

Duração: 112 minutos

Elenco: Kristin Scott Thomas, Sharon Horgan, Jason Flemyng, Greg Wise, Lara Rossi, Amy James-Kelly, Sophie Dix

Sinopse: Em Unidas Pela Esperança, um grupo de mulheres casadas com oficiais militares decide se unir para formar um coral. À medida que a inesperada amizade entre elas se desenvolve, a música e o riso transformam suas vidas, enquanto elas ajudam uma a outra a superar o medo pelos entes queridos em combate.

Trailer:


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