Modern Family: para quem ama uma boa comédia


Modern Family é uma série de comédia estadunidense que contém 11 temporadas, lançadas entre os anos de 2009 e 2019. Como nome já diz, a história segue uma típica família americana... mas não tanto assim. O que faz Modern Family ser engraçado é um conjunto de fatores que vão desde o elenco até a criação das personagens e a montagem dos episódios, e, para mim, uma série que me faz gargalhar alto desde os primeiros minutos merece mais atenção, porque ela, de fato, faz o que se propõe.

Jay Pritchett é o patriarca da família que conhecemos aqui. Mesmo no começo, ele é um velho casca grossa, meio rabugento, tradicional – o típico homem branco hétero que nasceu e cresceu num mundo feito sob medida para ele –, mas depois que se separou de Dede e se casou com Gloria, as coisas começaram a mudar. Para começar, Gloria tem a idade de seus filhos; ela é uma mulher colombiana, linda, "areia demais" para o caminhão de Jay e, apesar de católica – não do tipo que mora na igreja, mas um detalhe que se percebe ao longo das temporadas –, é um pouco mais desconstruída do que ele. Parte disso se dá por ela ter um filho, Manny, que é um tanto quanto diferente das crianças de sua idade. Ele é emotivo, carinhoso, artístico, amorosamente emocionado – o famoso gado – e não sente vergonha de ser diferente e, por exemplo, levar uma flauta de pã para a escola e tocá-la na frente de seus colegas de classe.


Claire é a filha mais velha de Jay; ela é meio ranzinza igual ao pai e tenta ser altamente controladora agora que tem filhos. Ela é casada com Phil Dunphy, o oposto dela; sempre alegre, divertido, atrapalhado e inovador, o típico idiota de uma forma que é tanto irritante quando hilária. Juntos, eles têm três filhos: Haley, a mais velha, o estereótipo da linda-porém-burra; Alex, a do meio, a típica nerd; e Luke, o mais novo, quase uma cópia de Phil.

Por fim, mas não menos importante, Mitchell é o filho mais novo de Jay. Ele, que teve muita dificuldade em se assumir gay para o pai, é um tanto quanto quadrado, sempre querendo fazer as coisas certas e ser levado a sério, mas é impedido por seu marido, Cameron Tucker. Juntos, logo no primeiro episódio da série, os dois estão voltando do Vietnã com a filha que acabaram de adotar, Lily, e logo conhecemos a personalidade de Cam – ele é exagerado, gosta de coisas grandiosas e, como Mitch, ama musicais. Assim, os dois apresentam a filha ao som de The Circle of Life, de O Rei Leão, o primeiro de vários momentos icônicos da série.


Com o passar do tempo, os estereótipos de cada personagem vão se quebrando e se reinventando, e a mudança de cada um deles é uma experiência incrível de se assistir. Em onze anos de narrativa, vemos as crianças crescerem, os adultos envelhecerem e a família expandir. Personagens vêm e vão ao longo da trama – principalmente os namorados de Haley –, e todos são incríveis em suas particularidades.

Dylan, por exemplo, o primeiro namorado de Haley, é apresentado a nós como um guitarrista de uma banda que não faz o menor sucesso. Ele tem todo aquele estilo de bad boy por fora, mas se mostra um cara muito de boa, apaixonado por Haley e bem... como eu posso dizer?... burro. Ele muda de engraçado para irritante e de legal para chato o tempo todo, mas no final nós até acabamos nos apegando a ele – embora, na minha opinião, ele não seja o melhor namorado que ela teve.


O estilo da série tem um pouco de The Office naquele estilo de entrevistas, personagens lançando olhares para a câmera e por vezes quebrando a quarta parede, o que na minha opinião não funciona com qualquer coisa, mas aqui fica muito, muito bom. O tipo de piada não é como as tiradas engraçadinhas de Friends, é mais em relação ao contexto – as personagens em si, os acontecimentos, o desenrolar da história e de cada episódio. A graça de algumas sacadas é bem mais explícita na língua original do que em português, que nem sempre funciona, porém isso não tira a graça para os que não entendem inglês, só faz uma ou outra coisa não ter tanto sentido assim, e não é sempre que acontece.

Ao longo das 11 temporadas, acredito que a série só decai um pouco em alguns episódios entre a 7ª e a 8ª, contudo não demora muito para ela se recompor e, antes que eu pudesse perceber uma queda, já estava apaixonada e maratonando outra vez.

Em relação a buracos, por serem muitos acontecimentos diversos, é difícil pontuar. Obviamente, algumas coisas ficaram sem explicação ou não fizeram diferença no final, porém apenas notei factuais quebras de narrativa em dois ou três episódios das temporadas finais – em um episódio, Luke estava namorando uma pessoa; no outro, estava saindo com alguém do Tinder; e, no próximo, sua namorada reaparecia como se nada tivesse acontecido. Isso, todavia, não atrapalhou minha experiência geral com a série.


Há muitas coisas que eu amo em Modern Family. A construção das personagens, seus desenvolvimentos, o caminho que elas seguem, como os episódios são construídos de forma que tudo importe no final de cada um, o tipo de comédia, as piadas sutis que dialogam com o mundo contemporâneo – e que, por vezes, me lembram muito de Silicon Valley –, a experiência de acompanhar vidas que, por um tempo, se tornam reais... O conjunto de tudo faz com que o espectador se torne, também, parte dessa família. E o mais legal de tudo é que, diferente da maioria das séries cômicas que se vê por aí, o final dessa não é ruim. Ele é bom como qualquer episódio, e te dá vontade de ver tudo outra vez. Provavelmente, é isso o que eu farei várias e várias vezes. Esse é o tipo de série a que se poderia assistir para sempre sem cansar, não à toa se tornou uma das minhas favoritas da vida.

A última temporada é um delicioso e necessário adeus à série, completamente emocionante para os que mais se apegaram a essa família enorme e louca. Cada minuto é um aperto no coração de lembrar que vai ser a última vez, e cada referência é uma nostalgia. O último episódio arranca lágrimas além das boas risadas de sempre, e se torna estranho saber que não terão mais episódios novos, porque uma certeza que eu tenho é de que vai fazer falta. Parafraseando o sábio Phil Dunphy, "vai ser difícil dizer adeus, sempre é. Ninguém ama mudanças, mas aprender a mudar faz parte da vida".


Os episódios de Modern Family, assim como a maioria das séries de comédia, podem ser assistidos aleatoriamente, mas acompanhar na ordem é embarcar em uma das jornadas mais divertidas que a TV – ou melhor, o streaming – pode te proporcionar. Atualmente, a série está completa na Globoplay e tem temporadas disponíveis na Netflix e na Amazon Prime. Se você estiver procurando por uma nova comédia para assistir, relaxar e se divertir de verdade, não deixe de conferir essa. Acredite em mim, você não vai se arrepender.



Título Original: Modern Family

Criadores: 
Christopher Lloyd e Steven Levitan

Temporadas: 11

Duração: 22 minutos

Elenco: Ed O'Neill, Sofía Vergara, Rico Rodriguez, Jeremy Maguire, Julie Bowen, Ty Burrell, Sarah Hyland, Ariel Winter, Nolan Gould, Jesse Tyler Ferguson, Eric Stonestreet, Aubrey Anderson-Emmons, Reid Ewing, Adam DeVine, Shelley Long, entre outros.

Sinopse: Você consegue acreditar que todos eles são parentes? Nem eles! Com um elenco de astros e estrelas encabeçando por Ed O'Neill, Sofia Vergara, Julie Bowen e Ty Burrell, "Modern Family" nos traz uma divertida e inovadora visão do que significa criar uma família nesta época doida em que vivemos. Relacionamentos multiculturais, adoção e casamento de pessoas do mesmo sexo são apenas alguns dos assuntos atuais abordados por esta série que os analisa de modo divertido e sensível. Não importa o tamanho ou a formação, a família sempre vem no primeiro neste hilário modo de olhar "moderno" que foca a vida, o amor e as gargalhadas.

Trailer:

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