Crítica: O Barco e O Rio (2020, de Bernardo Ale Abinader)


Não à toa O Barco e O Rio venceu o prêmio de Melhor Curta-Metragem na mostra competitiva do Festival de Cinema de Gramado 2020, o filme de Bernardo Ale Abinader é um projeto consciente, sabe muito bem o que quer e, o faz com maestria, revelando-o como um verdadeiro achado.

A história nos apresenta a Vera e Josi, duas irmãs que moram num barco em um porto em Manaus, as duas possuem visões diferentes de mundo e a partir daí cria-se o conflito. O roteiro utiliza dessa premissa para abordar, com muita sensibilidade, o íntimo dessas personagens, retratando seus anseios, desejos, soando como um verdadeiro filme sobre libertação feminina. Essas personagens parecem ter vida própria e, o trecho escolhido para contar a história cai como uma luva, potencializando os pontos que o diretor quer levantar; não estamos acompanhando o momento máximo, nem o mínimo do conflito das irmãs, acompanhamos sim as escolhas que elas tomam diante deste. Que de novo, é de um carinho e uma delicadeza ímpar.

Mas se tem uma característica do curta que merece ser ressaltada ainda mais, é o seu design de produção. Parece repetitivo, mas é mais uma vez belíssima a maneira como o curta trabalha as locações, a ambientação, o cuidado nas tomadas feitas no barco, é tudo de um capricho, que deve ter sido de uma dificuldade enorme, mas com certeza, vale a pena pelo resultado final apresentado. Fotografia, arte, cenários, figurino, é um trabalho impecável, que vai além só da nota 10 e prova o altíssimo valor de sua produção, não monetário, mas técnico e artístico. Como dito acima, não atoa O Barco e O Rio foi premiado em Gramado, é intimista, cru, verdadeiro, complexo, jogando limpo e apresentando uma produção de realmente se tirar o chapéu.



Título Original: O Barco e O Rio

Direção: Bernardo Ale Abinader

Duração: 17 minutos e 12 segundos

Elenco: Isabela Catão, Caroline Nunes, Márcia Vinagre e Diego Bauer

Sinopse: Vera é uma mulher religiosa que cuida de uma embarcação no porto de Manaus. Ela precisa lidar com a irmã Josi com quem diverge em relação a como lidar com o barco e sobre como viver a vida.

Trailer:


Um curta belíssimo, mas belo também foi nossa cobertura completa do Festival de Cinema de Gramado 2020, não deixe de conferir!!!




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