Crítica: A Convenção das Bruxas (2020, de Robert Zemeckis)




A criança que, na década de 90, arqueou as costas no momento em que Anjelica Huston se tornaria irreconhecível sabe o quanto A Convenção das Bruxas (1990) cruza o tempo: cenas marcam mais que a própria história. O remake de 2020 tem seus méritos mas não consegue lançar o feitiço que o original havia deixado há três décadas.


A obra é baseada no livro de Roald Dahl, criador de universos que condensam trágico, humor e fantástico no universo infantil. Matilda, A Fantástica Fábrica de Chocolate, O Fantástico Sr. Raposo e James e o Pêssego Gigante compõem outros de seus clássicos que o cinema agradeceu.


remake toma um rumo ligeiramente distinto do original: a trama de Zemeckis não se passa no Reino Unido, como o original, mas no sul dos Estados Unidos, marcado pelo apartheid dos anos 60. Após um acidente de carro envolvendo seus pais, o jovem órfão Charlie é protegido pela avó, interpretada por Octavia Spencer. A atriz, aliás, foi o maior acerto do longa: entrega uma personagem repaginada e, ainda assim, necessária para a história. Seu arco chega a competir com o principal. 

 


Quando criança, a avó foi aterrorizada por uma bruxa e o passado a havia preparado para um segundo confronto. Para fugir da maldição lançada, hospedou-se em um hotel de luxo. O local será a sede da convenção das bruxas que, disfarçadas de benevolentes e em busca da erradicação dos males às crianças, se reúnem em busca de uma solução definitiva para erradica-las do mundo.

 

O filme, então, encontra seus personagens coadjuvantes (que pouco contribuem para a dinâmica central). O gerente do hotel, Mr Stringer, é interpretado pelo veterano do humor Stanley Tucci em um papel que lhe parece comum aos seus personagens já representados (Rowan Atkinson, o eterno Mr. Bean, dá vida ao personagem no primeiro filme). 

 

Já Bruno Jenkins, interpretado por Codie-Lei Eastick, cruza a narrativa com jargões e que, às luzes dos nossos tempos, podem ser consideradas gordofóbicas. O tema, nesta crítica, é trazido sem ignorar o fato de ser uma obra que tem como referência central uma obra literária, mas levantar a discussão no âmbito das mudanças já realizados na escalação do elenco e até na construção da identidade de alguns personagens. Se a história busca sua representatividade em 2020, existem ainda lugares da narrativa a serem repensados. 


Anne Hathaway entrega uma bruxa cômica e menos sofisticada que a de Anjelica Huston. O filme tem uma dinâmica própria e, até certo ponto, se descola das obras que a antecederam, tomando um rumo narrativo e estético que lhe é próprio. A história possui charme e certamente encanta o espectador que não assistiu o anterior.


Se, a princípio, os efeitos especiais pareçam aquém das possibilidades contemporâneas, o universo mágico e literário justifica as escolhas de Zemeckis, que não reverencia, mas conta a mesma história para um novo público. 


Aí, então, se concentra o mérito de A Convenção das Bruxas. A história repaginada não brilha feito a antecessora mas faz melhor que grande parte das desnecessárias adaptações do cinema atual. 



Título Original: The Witches

Direção: Robert Zemeckis

Duração: 1h46

Elenco: Anne HathawayOctavia SpencerStanley Tucci, Jahzir Bruno

Sinopse: O remake de Convenção das Bruxas, clássico de fantasia dos anos 1990, acompanha um garoto de sete anos que se depara com uma conferência de bruxas em um hotel. Lá, ele acaba descobrindo que um grupo de bruxas está fazendo uma convenção, pretendendo transformar todas as crianças do mundo em ratos, comprometendo sua existência. Baseado no livro infantil homônimo de Roald Dahl.


Trailer: 



E você, o que achou do remake
Diz pra gente qual é o seu filme de Halloween favorito! 

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