Crítica: Um Animal Amarelo (2020, de Felipe Bragança)


Excêntrico e nada convencional, Um Animal Amarelo, tem tudo para se tornar um cult nacional, isto é, porque além de muita qualidade, o longa dialoga com o cinéfilo brasileiro. Sendo quase uma sátira para com o mesmo, vemos Fernando, um cineasta falido que busca fazer seu filme e resolver questões do seu passado familiar. É muito fácil se conectar com o protagonista, ele é um sujeito comum e legal buscando visibilidade; um retrato puro de seu público. 

O roteiro de Um Animal Amarelo por sinal, é de se encher os olhos, por mais que a sinopse e o próprio filme, indiquem uma coisa, ele hora finge ir por alguns caminhos, mas segue para outros totalmente diferentes do que esperamos e, continua crescendo a ponto de se tornar algo megalomaníaco, mas ainda se resolvendo de maneira simples. Parece contraditório, mas essa contradição é proposital no longa, que se assume como uma tragicomédia pretendendo ir para muitos lados ao mesmo tempo, tarefa difícil, que acredite, funciona.  

A divisão da história em capítulos lhe cai muito bem também, eles não chegam a ter grande diferença entre si, digo em formato, estética e etc. Mas funcionam para o diretor, Felipe Bragança, dizer por onde quer seguir, com cada um desses capítulos no fim se mostrando tudo em uma só história. Felipe inclusive, tem muito a dizer aqui, o filme ainda traz vários "tapas na cara" e comentários pertinentes, como o do próprio protagonista, um brasileiro branco, sem identidade e manchado por um legado sangrento e cruel.


Para não dizer ser perfeito, o filme têm um problema de ritmo, talvez até pela fragmentação da narrativa, como dito acima, você sente sempre que ele faz essa transição, fazendo parecer ser bem mais longo do que realmente é. Mas isso não chega nem perto de ofuscar nenhum de seus méritos, a própria edição, tirando isso, é bem fluida e apresenta um ótimo trabalho de som, desde o urbano do Rio, até em Moçambique. Todo o design de produção aliás, nas locações, na maquiagem, no figurino, tudo apresenta um alto padrão, além de ressaltar e construir o estilo único do longa, que em certos momentos chega a soar até como fábula. Brincando com o que é real ou não, toda a imagética do longa é incrível e temos alguns takes belíssimos desta. 

O elenco e as atuações são outro show a parte, mesmo alguns com pouco à mostrar, trabalham muito bem seus personagens, destaque para Higor Campagnaro e Isabel Zuaa, por terem mais camadas e relevância que os demais.

Descontruindo as estruturas, padrão de massa Hollywoodiano e com mar de referência em vários deste (o coelho de Donnie Darko), Um Animal Amarelo faz barulho e soa quente, quebrando o convencional e trazendo uma história com cara de Brasil, emergente e pronto para ocupar espaços. É encantador e gratificante assistir o que a mente de um cineasta brasileiro aguçado é capaz de produzir.



Título Original: Um Animal Amarelo

Direção: Felipe Bragança

Duração: 1 hora e 55 minutos

Elenco: Higor Campagnaro, Isabel Zuaa, Tainá Medina, Catarina Wallenstein, Matamba Joaquim, lucília Raimundo, Diogo Dória, Adriano Luz, Herson Capri, Thiago Lacerda, Sophie Charlote, Márcio Vito, Matheus Macena Digão Ribeiro. 

Sinopse: Fernando, 33, um cineasta brasileiro falido, mergulha em uma jornada entre Brasil, Portugal e Moçambique, em busca de pistas sobre o passado violento de seu avô. Uma tragicômica fábula tropical.

Trailer:


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