Crítica: Receita de Caranguejo (2020, de Issis Valenzuela)

O oceano é ainda um universo a ser explorado. Nele, residem seres e sons, das mais variadas espécies. Sozinhos ou acompanhados, a comunicação é, ainda, um mistério.  

Em Receita de Caranguejo, o frame que abre a história apresenta uma baleia e seu filhote, em um misto de canção e solidão. A cena se enquadra na televisão da casa de uma família que, prestes a viajar para a casa de praia, lidam com uma perda implícita. 


A mãe, interpretada por Preta Ferreira, busca compreender a linguagem silenciosa da filha (Thais Mello), que traduz em dor calada a chegada da maturidade e o luto pelo pai. O grande mérito do curta é a boa relação entre as atrizes, que conduzem a narrativa em que a ausência de outros personagens explicita o roteiro para o espectador: não há falta ou excesso. 


Os takes que dialogam sobre a vida marinha humanizam o comportamento dos animais e estruturam um ótimo curta-metragem que destaca, também, a qualidade da direção de fotografia e de arte.


Roteiro e direção são assinados por Issis Valenzuela. Receita de Caranguejo integra a programação oficial do Festival de Cinema de Gramado 2020, que tem sua programação online em seus veículos oficiais.



Título Original: Receita de Caranguejo

Direção: Issis Valenzuela

Duração: 19 min

Elenco: Thais Melo, Preta Ferreira

Sinopse: Após a morte do pai, Lari e sua mãe vão passar alguns dias na praia. Elas resolvem cozinhar caranguejos. E os bichos, aos poucos, transformam-se em seres luminosos.

Trailer:


Durante a semana, faremos a cobertura do 48˚ Festival de Cinema de Gramado. Nos acompanhe por aqui e também nas redes sociais! 

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