Crítica: Os Novos Mutantes (2020, de Josh Boone)

 A “maldição” dos Novos Mutantes: veja a trajetória do filme mais zoado da  Marvel - Canaltech



Quando se cria expectativas para certos filmes muito aguardados, elas podem variar muito; podem ser altas, podem ser baixas, mas nenhuma delas corresponde ao que se espera de Os Novos Mutantes, nova produção vinda da 20th Century Studios, que corresponde à última produção do universo dos mutantes vindos do universo Marvel até a aquisição da Disney. Um filme que teve uma trajetória tão controversa e deveras estranha que poderia se descrita como uma verdadeira montanha-russa.

Com uma produção deveras modesta, até o lançamento do primeiro teaser, que espantou a audiência pelo clima de terror, até os múltiplos adiamentos, previsão de refilmagens, cancelamento de refilmagens, desgosto vindo dos atores que sentiram que esse filme não sairia nunca, até terminar com a bomba da pandemia que deixou o seu lançamento em incógnita. Isso tudo levando então a um pretexto de piada pronta na internet.

Diante de tudo o que essa produção passou, é mais do que claro que ela nunca se mostrou prioridade para a Disney, que revelou ceticismo sobre o que realmente deveria ser feito sobre esse filme diante de uma franquia que apresentou altos e baixos ao longo dos seus últimos filmes. Isso fica demonstrado com o lançamento tardio, agora que o filme está presente entre nós, e estamos ainda aos seis meses de pandemia, no primeiro momento da reabertura dos cinemas. A Disney lançou essa produção, que soa muito com um pretexto de se livrar desse filme o mais rápido possível. E quando assistimos, é claramente essa a impressão que temos.

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O filme foi vendido sempre como uma obra de terror, inspirado em filmes de anos 80. Havia uma expectativa de que a visão do Josh Boone, conhecido principalmente por filmes adolescentes, entre eles o mais notório A Culpa é das Estrelasentregaria uma versão autoral, a princípio sem alteração vinda do estúdio; que era a aposta da antiga Fox em seus filmes de heróis, desde a comédia paródica de DeadPool  e um drama com elementos de ação de Logan, mas o que o diretor entrega aqui é uma direção muito rasa do ponto de vista de terror.

O filme em si apresenta-se com um terror que flerta para o psicológico ou para elementos mais fantásticos e grandiosos, mesmo que sua premissa central, onde adolescentes mutantes, que são carregados de traumas e são assombrados por eles e por uma força mística que ronda o ambiente em que estão confinados. Tudo isso contado pelo elenco reduzido, que faz soar muito como uma produção pequena e sem muita ambição. Sua execução é como uma “batida” e sem muita personalidade, fazendo esse longa parecer um produto de universo vindo de quadrinhos que poderia ser lançado no período em que os cineastas estavam aprendendo a fazer filmes desse gênero, lá pelo início dos anos 2000.

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Até suas representações, vindo a partir do elenco escolhido com jovens promissores como Anya Taylor-Joy (Fragmentado, A Bruxa), Charlie Heaton (Stranger Things) e Maisie Williams (Game of Thrones), revelam-se sem muita capacidade de crescimento por causa dessa direção de Boone; pois o roteiro, escrito por ele ao lado de Knate Lee, apropria-se dos traumas e dramas interiores entre eles na atuação, porém a curta duração do longa (1 hora e meia) não aproveita para dar uma profundidade e explorar a capacidade do atores.

Como já foi levantado aqui, a curta duração do longa traz um prejuízo ao roteiro, porém em certas pausas na história, vemos ideias promissoras, entre elas a relação de Dani com Rahner, personagem da Maisie Williams, cujo desenvolvimento é algo novo e interessante e que poderia explorar outros pontos de vista para os personagens secundários, provando uma perspectiva bem mais interessante. Além de conter um elemento pequeno na produção que faz certas conexões com outros filmes da franquia X-Men, especialmente vindo da personagem interpretada pela brasileira Alice Braga, Dra. Reyes, indicando até mesmo ideias para um futuro promissor que viria para frente, mas que bem provável não se concretizará diante do futuro comando da Marvel Studios para a franquia dos mutantes.

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Num contexto mais direto e simplificado, Os Novos Mutantes não é um produto para o nosso tempo. É um filme estranhamente simples, de execução rasa e escolhas muitos datadas, que no final da história, diante de todas as controvérsias ao redor do seu lançamento e produção, não restará muito para comentar sobre ele. O que se enxerga nessa produção é mais uma evidente prova de que a Fox sempre demonstrou dificuldade de entender o universo particular dos mutantes na mitologia oriunda da Marvel Comics, e de explorar um potencial temático e de identidade, com características atuais e complexas. Sendo assim, não é possível imaginar o que virá para essa franquia agora nas mãos da Disney, depois de um encerramento tão polêmico e decepcionante, como o filme do ano passado X-Men: Fenix Negra; e agora Os Novos Mutantes.


Nome Original: The New Mutants

Direção: Josh Boone

Duração: 1 hora e 34 minutos

Elenco: Maisie Williams, Charles Heaton, Anya Taylor Joy, Blu Hunt, Henry Zaga e Alice Braga.

Sinopse: Após sobreviver a um ataque brutal e misterioso, Dani acorda em um hospital isolado com apenas uma médica no comando e outros 4 pacientes, onde assim como ela, são mutantes e tem superpoderes. Porém conforme os seus poderes começam a se manifestar, uma força oculta e segredos obscuro do hospital ameaçam todos no local.

Trailer:


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Ettore R. Migliorança

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