Crítica: A Caçada (2020, de Craig Zobel)



Assisti o filme apenas como uma forma de entretenimento e apesar da sinopse simples, conseguiu me segurar até o fim. A Caçada tem uma história simples, pessoas ricas que sequestram seres humanos para caçá-los. Não chega a ser novidade no mundo cinematográfico, temos várias versões da mesma coisa como Uma Noite de Crime e mais recentemente tivemos o excelente Bacurau. Filmes que conseguimos distinguir quem é a caça e quem é o caçador. Graças ao roteiro ácido de Nick Cuse e Damon Lindelof, responsáveis pela também excelente série Watchmen, a história fica bem mais mesclada. Confira os detalhes do filme a seguir!

A princípio, temos mais um filme repetido em mãos. Um grupo amigos ricos decide sequestrar aleatoriamente algumas pessoas e soltá-las no meio do nada para serem caçadas. Porém conforme assistimos, percebemos que tem um meio termo nisso, como se ninguém ali fosse uma vítima, mas sim pessoas "tóxicas" que mereceram estar ali. Conforme conhecemos os personagens, percebemos que muitos são os famosos haters de internet. Pessoas que falam o que querem, que odeiam tudo e todos, racistas, preconceituosos, xenofóbicos e por aí vai, e a missão dos caçadores é fazê-los pagar por estragar a vida das pessoas.

A direção nos faz ter pena dessas pessoas, ao passo que, quanto mais assistimos e entendemos o que eles fazem, começamos a não nos importar com suas mortes mais. Inclusive as mortes são o famoso trio: tiro, porrada e bomba; sangrentas, explosivas e bem divertidas.

Achei o filme bem divertido porque o roteiro nos faz perceber que não existem mocinhos. Todos somos cínicos e esse filme é isso, uma comédia que sem querer - querendo - pega todos os pontos politicamente corretos e incorretos e coloca tudo no mesmo lugar. Não existem mocinhos na nossa sociedade, assim eles pegam situações reais e escracham ela da melhor forma possível. Porque no fundo todas essas pessoas são insanas. 


Esqueça essa história de mensagem política, o filme não passa nenhuma, apenas que a maioria das pessoas levam muito a sério seus posicionamentos e intolerâncias, no fundo todos são farinha do mesmo saco, mas se acham melhores que os outros. Percebemos isso de várias maneiras, as conversas dos amigos ricos enquanto estão caçando os humanos para matá-los é cheia de ponderamentos e tentam passar um ar de superioridade, a música clássica ao fundo, a ideia de serem mais inteligentes porque suas ideologias são as mais aceitáveis e respeitáveis para o meio ambiente e o mundo... ah por favor. E se você parar para pensar, todo mundo conhece alguém assim, como também todo mundo conhece um preconceituoso de carteirinha. 

A hipocrisia humana é confrontada a todo momento no filme, e isso é o que faz ele ser divertido e diferente. Ele não se contenta em zombar só dos personagens do filme, mas sim de tudo ao nosso redor. Porém o filme é só isso, não se aprofunda e acredito que a ideia não era ser mais do que vemos. Não acho que chega a ser um ponto negativo, o roteiro é o que é e ponto. Não precisamos ficar procurando mensagens subliminares, nem grandes descobertas sobre, tudo se auto explica nas conversas dos personagens. Personagens esses bem caricatos, que os atores conseguiram demonstrar com uma clareza absurda.

Por fim, diria que o filme é guiado pela raiva de se sentir oprimido e incapaz de mudar algo, é guiado pela estupidez, pelos preconceitos velados, pela imbecilidade de achar que podemos corrigir o mundo e por nos sentirmos feridos por pessoas desconhecidas na internet que se sentem no direito de nos machucar sem necessidade e sem nos conhecer. Ele também diverte e entretém, o que já vale a pena.



Título Original: The Hunt

Direção: Craig Zobel

Duração: 90 minutos


Elenco: Betty Gilpin, Hilary Swank, Ike Barinholtz, Wayne Duvall, Ethan Suplee, Emma Roberts, Christopher Berry, Sturgill Simpson, Kate Nowlin, Amy Madigan, Reed Birney, Glenn Howerton, Steve Coulter, Dean J. West, Vince Pisani, Teri Wyble, Steve Mokate, Sylvia Grace Crim, Jason Kirkpatrick, Macon Blair, J.C. MacKenzie, Justin Hartley

Sinopse: Doze estranhos acordam sem saber onde estão, após um apagão. À sombra de uma teoria sombria da conspiração, dois grupos se reúnem em um local remoto para caçá-los por esporte.

TRAILER:



E você? Já assistiu?

Natália

Nada do que eu disser será verdade

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