Crítica: 4 bilhões de infinitos (2020, de Marco Antônio Pereira)


Cordisburgo é uma pequena cidade no interior de Minas Gerais. A cidade, talvez, passaria incólume na arte e narrativa brasileira se não fosse pelo seu habitante mais ilustre: João Guimarães Rosa.  

O autor de Grande Sertão Veredas e Sagarana nos apresentou um outro Brasil: um sertão mineiro, despido de estigmas, em que a beleza e encanto sugerem o olhar inocente, humilde e grandioso. Em uma outra obra, também célebre, o escritor conta a história de Miguilim, menino que recria o mundo com a magia da infância. 

 

Em 4 bilhões de infinitos, o diretor Marco Antônio Pereira capta a imagética roseana no Miguilim de nossos tempos. Adalberto vive com sua mãe e irmã em uma casa simples, sem energia elétrica, e lida com os sonhos com ilusão e vontade. O filme tem um lindo color grading, captando a melancolia dos personagens a partir dos tons de azul. 

 

A propósito, há tanta veracidade nos personagens que, por vezes, a própria fala de Adalberto se embola, como é comum nas crianças que se empolgam no universo que fantasiam. A obra é, certamente, um filme de afeto que retrata a humildade sem reduzi-la ou encaixa-la na mera estética da dor. 

 

Lirismo, metáfora e locação se aliam à autenticidade dos personagens que parecem definir com precisão onde começa a família e termina o roteiro. 4 bilhões de infinitos é o número dos sonhos dos irmãos do curta que integra a programação oficial do Festival de Cinema de Gramado 2020. 



Título Original: 4 bilhões de infinitos

Direção: Marco Antônio Pereira

Duração: 15 min. 

Elenco: Aparecida Gomes, Ana Júlia Gomes, Adalberto Gomes

Sinopse: Brasil. 2020. Após a morte do pai, uma família vive com a energia de casa cortada. Enquanto a mãe trabalha, seus filhos ficam em casa conversando sobre ter esperança.

Trailer: 



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