Crítica: Onde Está a Vovó? (2018, de Giancarlo Fontana e Giuseppe Stasi)





Uma comédia italiana trabalhada em situações que passam levemente das linhas do absurdo; tendo um enredo com ares muito brasileiros, se me perguntam. Onde Está a Vovó? com certeza não era o que eu esperava quando vi o título e a sinopse do filme. Mas no fim das contas, me entregou um filme muito divertido e instigante que me agradou demais.

Quando eu li a sinopse, que dizia se tratar da história de uma jovem restauradora, que só consegue evitar que seu estúdio vá a falência, por conta da ajuda da sua avó, que dá a ela toda sua pensão; mas ela vê tudo posto a perder quando a senhora subitamente morre. Ela toma a medida desesperada de pôr o corpo da avó no freezer, para que continue recebendo a pensão. Mas a presença constante de um mais que dedicado fiscal da receita na sua vida a deixa receosa.



Eu juro que a sinopse era muito mais dark quando eu li no canal que assisti. Eu cheguei a pensar que seria um filme de drama ou suspense, e brasileiro! Vã ilusão...

Bom, como eu já disse, o filme se trata de uma comédia italiana, que me parece muito ter sido inspirada numa peça teatral, mas creio que não foi o caso; e conta no elenco principal com Miriam Leone e Fabio De Luigi, dois atores que já participaram de vários filmes do país, porém nenhum com sucesso internacional; e Barbara Bouchet, no papel crucial da trama, mas que aparece poucas vezes. Bouchet por sua vez, é uma atriz tcheca que já fez vários filmes italianos e americanos, como Gangues de Nova York e Demônios Alados.



A trama tem todo um quê de comédia exagerada, que eu particularmente, não sei se é tão presente em filmes italianos. Em particular, o personagem de Fabio De Luigi, um exageradamente devoto homem da lei que usa de diversos artifícios para capturar criminosos e chega a ser chato quando se trata do trabalho; é a personificação principal desse tipo de comédia na trama. Mas claro que não faltam personagens idiotas que vez ou outra soltam comentários dignos de gargalhadas, ou cometem gafes terríveis, ou uma piada que é recorrente no filme inteiro para no fim chegar ao desfecho contrário. 



Os atores conseguem entregar o roteiro fielmente à arte da comédia, e muitas vezes usando de comédia física, que para muitos é a mais difícil. Mas o principal seria como eles conseguem construir bem os personagens, até os menores; fazendo que eles sejam individuais e memoráveis, cada um a sua maneira.

Mas apesar desses recursos bem “batidos”, o filme funciona muito bem, e me tirou belas gargalhadas, pois também existe piadas e momentos bem pensados, que no roteiro passam a fazer sentido, e resultam naquele “ahh!” de quando o espectador se dá conta de alguma coisa que faz ligação a uma outra dita lá no começo do filme. Basta prestar atenção aos detalhes.



A trama, também por se tratar de uma situação... peculiar, é a palavra que vamos usar; também traz uma certa tensão, que me deixou algumas vezes aflito para saber o que ia realmente acontecer, com segredos inesperados, personagens que surgem para complicar a vida da protagonista e momentos que poderiam facilmente serem resolvidos, se transformando numa complicação tremenda. 

Porém, o mais inesperado desse filme para mim, foi uma história de romance. Eu cheguei a torcer para que o casal ficasse junto no fim. Pra ser honesto, o filme trata muito da questão do “amor”, seja romântico ou familiar, e isso foi muito bem representado lá, não só nos protagonistas do filme, mas também nas histórias de personagens secundários.



Ele também mostra algumas facetas da sociedade italiana que talvez muitos de nós não conhecemos, como fortes questões financeiras e éticas, e isso também é muito representado explicitamente no filme, foi bem interessante como abordaram esses temas sociais.




Tecnicamente, o filme tem planos-sequência que mostram pensamentos dos personagens, ou ilustram situações, que são super bem feitos e divertidos de assistir, transmitindo todo sentimento que eles desejavam passar em cada momento que ele é usado. Mas o que me chamou mais a atenção, foram a iluminação e as cores presentes na tela. Na maior parte do filme, a tela é banhada por um tom de amarelo, vezes sutil, vezes um pouco mais forte; mas cada cena tem uma predominância de uma certa cor, como também o azul sempre que voltavam ao assunto do freezer. E essa parte em particular me chamou muito a atenção, pois deu um charme muito especial e familiar para o filme.


Se você não tem experiência com filmes italianos, recomendaria que começasse por este, por estar mais perto de um lugar comum da nossa comédia; e por ter um pouco de tudo que eu acredito que faz um bom filme nesse tom leve, que nos leva até a sala para vê-lo comendo um bom prato de massa italiana. Bem, talvez depois dele, você repense a comida congelada... Desculpa.



Título Original: Metti La Nonna In Freezer

Direção: Giancarlo Fontana e Giuseppe Stasi

Duração: 100 minutos

Elenco: Barbara Bouchet, Eros Pagni, Fabio De Luigi, Francesco Di Leva, Lucia Ocone, Marina Rocco, Maurizio Lombardi, Miriam Leone e Susy Laude.

Sinopse: Simone Recchia é um financista desajeitado e incorruptível que se apaixona por Claudia, uma jovem restauradora que é forçada a viver com os cheques de aposentadoria de sua avó Brigit enquanto espera ser paga pelo Estado por um trabalho realizado.
Quando Brigit morre de repente, Claudia, ajudada por suas amigas Rossana e Margie, planeja uma fraude para continuar recebendo a pensão e evitar a falência.



Trailer:

 

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