A Equipe Comenta "e desidrata": Milagre na Cela 7 (2020, de Mehmet Ada Öztekin)




Igor:

Não há nada de errado em gostar ou mesmo se emocionar em tal tipo de filme, mas aqui coloco o problema quando a história não é emocionante por si só, forçando situações inverossímeis que são apenas solucionadas com um deus ex machina, artifício de roteiro em que uma solução mágica surge.

Milagre na Cela 7 é a definição exata disso, quase um verbete de dicionário. O filme parece uma junção de "símbolos universais" de choro, como a morte de um ente querido, injustiça, inocência de uma criatura pura e a bondade que surge nos meios menos prováveis. E na tentativa de costurar esses símbolos em uma narrativa cinematográfica, o sentido lógico da coisa se perde. Se estamos em um período em que os militares detém um grande poder e conseguem intervir em prisões e julgamentos, há de se pensar que a prisão não é essa grande escola da vida, mas um espaço de vigilância e punição; muito menos possível um fluxo de objetos e pessoas dentro de um espaço punitivo.

Nota: 4

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Miguel Rodrigues:

Apesar do filme forçar um pouco por levar o espectador a se emocionar, gostei muito do filme. E apesar disso, conseguiu fazer com que me emocionasse muito. Achei que se basearia no filme Uma Lição de Amor com Sean Penn, mas essa produção turca conseguiu contar uma história bem diferente. Aras Bulut conseguiu construir um personagem muito bom. Mas a atuação de Nisa Sofiya na maioria das vezes, parece ser forçada. Porém a química entre eles foi magnífica. A reviravolta que o filme dá ao fim, fez com que eu continuasse chorando, pois tudo levava a crer que o término seria aquele que achávamos que seria, mas ... Enfim, recomendo esse filme para as pessoas sentirem um pouco mais de empatia pelo próximo. Talvez essa seja a palavra chave da obra: empatia. Lingo lingo!

Nota: 9



Lívia:

O Milagre da Cela 7 é um filme despretensioso e com certeza em alguns momentos monótonos, porém, levando em consideração minha ancestralidade que vem de família Turca, senti-me acolhida com as paisagens lindíssimas e com o idioma original do filme. A obra narra a prisão equivocada de Memo (Aras Bulut Iynemli), as desventuras de sua filha Ova (Nisa Sofiya Aksongur) e a supervisão de sua avó, Fatma (Celile Toyon Uysal). Não podemos deixar de citar que a atuação de Aras e a química com a personagem Ova é um ponto forte da estória. Você se deixa cativar e envolver com a trama, lencinhos farão parte deste momento em especial. 

Milagre da Cela 7 tem uma pitada de À Espera de um Milagre com traços de A Vida é Bela. Conforme o enredo se desenrola, você até entende aonde vai dar, mas isso não impede de fazer florescer alguns sentimentos de tristeza e angústia pela injustiça da estória. Quando menos esperar você estará falando “Lingo-Lingo” em voz alta (uma das expressões do filme) mesmo sem ter ideia do que isso signifique.

Memo é a representação da inocência e mesmo em perigo ele não perde toda a aura infantil que envolve o personagem, tanto que uma das frases marcantes ditas pela avó de Ova, após o questionamento da pequena do que há de errado com seu pai e porque ele é diferente dos outros pais, a Matriarca responde: Ele é diferente, ele é único, porque ele tem a mesma idade que você”, referindo-se a deficiência intelectual de Memo.

Milagre da Cela 7 fala sobre a pureza dos que não enxergam maldade em tudo e que mesmo em meio a tanta crueldade em que vivemos, o bem pode sim vencer e contagiar outras pessoas, tanto que vemos mudanças comportamentais significativas nos companheiros de cela de Memo. Os condenados passam a observar como o personagem se comporta de maneira alegre perante as mais degradantes situações e como o laço com sua filha é inquebrável, gerando um “mea-culpa” de como eles deveriam tratar melhor seus filhos.

A trilha sonora é um contraponto importante na trama, visto que ela é muitas vezes responsável pela desidratação do telespectador. Os traços faciais são muitas vezes mais importantes do que a fala neste filme, pois são eles que tramitem toda a emoção. Apesar de vários furos no enredo, como por exemplo sobre o passado da mãe de Ova, como efetivamente eles se conheceram ou mesmo sobre dados da infância de Memo, vale a pena perder algumas horas para assistir o filme. Mas prepare-se, lágrimas vão rolar.

Nota: 7



Léo Costa:

Milagre na Cela 7 é um filme que merece alguns méritos. Um deles é por ser sim uma obra fácil de se emocionar, principalmente quem é mais sensível. Também é bacana o fato de ser um filme turco, afinal, a maioria do grande público não consome obras estrangeiras, por isso é bacana o que a Netflix consegue fazer: dar muita visibilidade para obras de todo canto do mundo. É importante que as pessoas cada vez mais tenham acesso a filmes e séries que vão além do padrão de ação e super-heróis norte-americanos ou filmes típicos do seu próprio país. 

Porém, também é preciso dizer que o filme parece uma junção de À Espera de um Milagre, Um Sonho de Liberdade e Uma Lição de Amor, mas sem a mesma força desses. Portanto, é uma trama que você já viu antes. Alguns trejeitos forçados do protagonista não funcionam bem e tiram a força de determinadas cenas. O roteiro força demais a tristeza e o choro, há cenas em que forçosamente se tenta emocionar ou ganhar o coração do público, a questão é que quando isso é muito gritante e pouco elaborado, pode não funcionar com quem já tem determinados filmes em mente, filmes estes que fizeram isso de forma melhor e mais sutil. Daí a grande questão da obra: a falta de sutilezas. Mas existem sim algumas cenas bonitas, especialmente (e justamente, olha só) aquelas mais naturais e sutis. 

Nota: 5



Nota média geral da equipe:



Título Original: 7. Koğuştaki Mucize

Direção: Mehmet Ada Öztekin

Duração: 132 minutos

Elenco: Aras Bulut Iynemli; Nisa Sofiya Aksongur e Celile Toyon Uysal

Sinopse: Conta a história de Memo, um homem excepcional que vive com sua filha e mãe. Com trabalho honesto de pastoreio, a família tenta se manter e garantir a vida para todos. Porém, Memo, em um dia caminhando com suas ovelhas, envolvesse com o acidente de uma garota, filha de um importante general do governo turco. Acusado injustamente e mandado à prisão, onde agora precisa sobreviver em meio aos criminosos, sua família tenta provar sua inocência antes que seja tarde demais.

Trailer:


Assistiram ao filme? O que acharam?

Léo Costa

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