É possível vencer um vírus - assista o documentário: Carta Para Além dos Muros



   O documentário é escrito por e dirigido por André Canto. Com um cenário minimalista, o longa-metragem procura destacar os convidados em si e seus relatos. Trata-se de um documentário sobre o vírus HIV. Dentre os entrevistados há profissionais de diversas áreas, e uns revelam que têm o vírus, outros não têm ou pelo menos não deixaram claro. 
   O importante é que, apesar de hoje as pessoas portadoras poderem ter uma vida normal e saudável, o preconceito e a ignorância permanece. Por isso, o documentário tem o objetivo de informar sobre a doença, mas dá a impressão que o principal ali é retratar como foi a repercussão na época assim que o vírus surgiu e começou a se propagar. Claro que qualquer vírus que surge vai naturalmente causar pânico, pois não há informação o suficiente para que as pessoas saibam como se proteger, bem como os profissionais de saúde ainda não possuem antídoto, vacina, remédios. Tudo o que é novo causa medo, insegurança, e paranoia. Claro que todo o cuidado é pouco para certos tipos de doenças, mas no caso, cada vírus se propaga de uma forma. O HIV é muito mais simples de se prevenir, de se proteger contra, e mesmo que infectado; embora a pessoa tenha que ter certos cuidados e viver com algumas prescrições, hoje é totalmente controlável, embora não curável. Pelo menos ainda. 
   O preconceito contra homoafetivos sempre existiu, porém a chegada desse vírus fez com que ele ganhasse mais força, pois agora era como se tivessem uma teoria embasada contra os gays e bissexuais. Comentários ignorantes e preconceituosos como estes são mostrados no longa-metragem. Era muito comum as pessoas falarem – ainda mais abertamente que hoje – que era uma “punição divina”, pois “homem com homem não era algo certo”. E os bissexuais então? Escorraçados. Os “transmissores de doenças, pois se deitavam com todos”. Os mais “vulgares”. Essas coisas eram abertamente faladas em entrevistas para a TV, por exemplo. 

É compreensível que quando qualquer vírus surja haja mil e uma teorias acerca de sua origem e de como se propaga/infecta. Mesmo (ou principalmente) as pessoas que não têm o mínimo estudo na área da saúde. Os médicos, claro, levantam hipóteses nessas ocasiões, mas eles pelo menos tem embasamento para tal. Porém infelizmente, no caso do HIV, isso coincidiu com o número de vítimas homossexuais, piorando sua imagem na sociedade. Geralmente demora-se muito tempo até que tudo seja testado, compreendido e até que finalmente cheguemos nas conclusões do tipo: qual a origem da doença, como se propaga, como previní-la e como tratá-la ou controlá-la. Vacinas e remédios levam tempo para serem desenvolvidos.  
   Não que na época já não fosse terrível as pessoas virem a público dizer coisas como “bem feito”, e desejarem a morte dos demais infectados só por serem homossexuais ou bissexuais, mas hoje em dia, após tudo ter sido esclarecido, honestamente fica muito pior esses tipos de comentários. Porque agora não se trata de ignorância, agora é realmente apenas o preconceito escancarado. Se antes pairavam dúvidas e desconfianças, hoje se sabe que o vírus pode se manifestar em homens e mulheres, sendo homossexuais ou não.
   O documentário conta com relatos muito interessantes e diferentes experiências. Inclusive é falado sobre Cazuza e o que ele pensava sobre tudo isso. Também tem a participação do doutor Dráuzio Varella. Mas o relato que mais nos chama a atenção é de um jovem que conta sua história, mas não revela seu rosto, nem dá seu nome real. Ele diz que infelizmente ainda não se sente confortável para aparecer completamente, mas que só pelo fato de estar compartilhando o que passou, já sente que está evoluindo e se sente orgulhoso de sua trajetória. 


Título Original: Carta para Além dos Muros

Direção: André Canto

Duração: 85 minutos

Elenco: Dráuzio Varella, Marina Person, José Serra (...)

Sinopse: Documentário que aborda o surgimento do vírus HIV, o que houve na época e como as pessoas soro positivas sobrevivem hoje em dia. 


Trailer:


Assiste e depois me conta, tá?
Lave as mãos, fica em casa e curta, comente e compartilhe! 
  

Nenhum comentário:

Postar um comentário