Crítica: Terremoto (2020, de John Andreas Andersen)


Filmes sobre desastres naturais costumam pecar na construção dos personagens e no abuso do CGI, mas o norueguês Terremoto dá uma aula para os filmes hollywoodianos de como mesclar os momentos dramáticos com efeitos visuais convincentes.


Terremoto é a sequência do longa indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional A Onda. Após os acontecimentos do primeiro filme, o longa já começa mostrando os traumas deixados em Kristian Eikjord, um geólogo que tenta alertar novamente a população local sobre um possível terremoto. 


O filme pode ser dividido em duas partes: a primeira mostra o estresse pós-traumático de alguns personagens e constrói um arco dramático do protagonista com a sua família, já a segunda mostra o desastre em si, com cenas tensas e efeitos especiais grandiosos.

A direção do John Andreas Andersen acerta principalmente no terceiro ato, já que todas as cenas do terremoto são bem feitas, com uso inteligente do CGI e um clímax tenso bem construído, em cenas longas e agonizantes. Acerta também na escolha da fotografia nos momentos mais dramáticos, sempre em tons frios e escuros. 


O ritmo do filme deixa um pouco a desejar na primeira hora, onde os momentos dramáticos acontecem, há cenas desnecessárias e a edição do filme poderia ter dado mais dinamismo em momentos massantes. 

As performances variam entre boas e fracas. Kristoffer Joner (Kristian) oscila, nas cenas melancólicas ele consegue ir bem, mas quando lhe é exigida uma carga dramática maior, ele não entrega. Ane Dahl Torp (Idun) está muito bem, ela tem uma personagem difícil e consegue transmitir a dor e o cansaço emocional que sua personagem tem. Edith Haagenrud-Sande (filha) também entrega um trabalho fraco, falta expressão em algumas cenas e carga dramática em outras, mas é algo que a direção poderia ter consertado. Kathrine Thorborg Johansen (Marit) também está bem, mas sua personagem poderia ter tido mais destaque, a cena final dela é muito boa.


Terremoto é um bom filme, que explora o estresse pós-traumático e logo em seguida, coloca os personagens em outro desastre. Embora o ritmo deixe a desejar e a parte dramática não seja tão bem explorada, as cenas são muito bem feitas e há um clímax de tensão muito bem desenvolvido da metade para o final do filme.



Título Original: The Quake

Direção: John Andreas Andersen

Duração: 106 minutos

Elenco: Kristoffer Joner, Ane Dahl Torp, Jonas Hoff Oftebro, Edith Haagenrud-Sande e Kathrine Thorborg Johansen.

Sinopse: Após um tsunami devastar uma cidade, um geólogo que tentou avisar todos sobre o desastre, passa por um estresse pós-traumático e se separa da esposa, ficando obcecado por desastres naturais. Tudo parece se repetir, quando ele tenta alertar as pessoas que um terremoto vai atingir a cidade.

                  Trailer:              

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Yago Tanaka Gonçalves

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