Crítica: Invasão Zumbi (2016, Yeon Sang-ho)

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O longa Invasão Zumbi, lançado em 2016 teve como diretor Yeon Sang-ho, conhecido por realizar filmes tanto live-action como de animações deste mesmo estilo, um mundo apocalíptico. Em sua filmografia encontramos longas como: Seoul Station, O Rei dos Porcos e Psychokinesis. Além disso, é possível encontrar em suas tramas referências diretas a filmes de outro cineasta sul-coreano incrível, Joon-ho, diretor de filmes como O Expresso do Amanhã e do recente ganhador do Oscar 2020, Parasita. A referência é tamanha que Yeon Sang-ho se utilizou do mesmo cenário de Expresso do Amanhã em Invasão Zumbi.


O filme conta em sua ficha técnica em alguns lugares como sendo do gênero drama e um filme de zumbi, mas é inegável que o longa carrega uma carga de suspense que nos acompanha durante toda a trama e que nos faz não conseguir tirar os olhos da tela enquanto a situação não se resolver. Yeon Sang-ho realizou um trabalho de construção dramática tão intenso, que nos vemos torcendo, correndo e nos assustando com os personagens, mesmo nas cenas mais clichês.

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Porém, um fator que pode ser incômodo a muitos ao longo do filme e que de diversas formas o deixa parecendo mais longo, é a forma em que o diretor se utiliza para nos passar o aspecto do drama, muitas vezes parando a cena de ação para focalizar no rosto de algum personagem e mostrar sua emoção, fator que adiciona um slow motion à cena e que no meio de tanta ação e suspense nos deixa sem ar e impacientes.Seja uma falha incômoda para muitos, ou uma jogada de mestre do diretor, cabe a você julgar.
                
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O roteiro da trama não é capaz de se diferenciar totalmente dos mais conhecidos filmes de Zumbi, carregando alguns clichês, como o mocinho e vilão que tem que superar sua falha pessoal de se importar somente com si mesmo e ser um pai ausente, a inclusão de personagens física e psicologicamente mais frágeis, como uma criança, uma idosa e uma mulher grávida, aspectos que apesar do clichê, conseguem deixar a trama ainda mais interessante, e com um final surpreendente.
               
Quanto a produção, na época de seu lançamento, Invasão Zumbi, foi um dos líderes de bilheteria da época, contando com um produção de 8 milhões de dólares, criando um filme com atores incríveis com os quais conseguimos nos identificar, torcer e nos irritar com eles junto da trama. A trama se passa 90% dentro do trem, mas que ao mesmo tempo consegue nos mostrar o ambiente ao seu redor com uma cenografia belíssima e efeitos especiais convincentes para a criação dos zumbis. Vale ressaltar que dificilmente você encontrará em outro filme, zumbis que correm tão rápido quanto estes.
                
A direção de fotografia conta com frequentes closes que aumentam a dramaticidade e nos inserem no slow motion como mencionado anteriormente, mas também com planos abertos e característicos de filmes de zumbi, como a perseguição pelo corredor, o protagonista perseguido por uma orla de zumbis que ocupa toda a tela, entre outros planos belíssimos.

A iluminação por sua vez foi feita de forma que esta se torna um personagem importante para a narrativa, ao levarmos em conta a iluminação ambiente do próprio trem e a passagem por túneis durante seu trajeto, que proporciona uma iluminação natural distinta versus a escuridão, esta última acaba por se tornar um elemento importante para a trama, uma jogada de mestre do diretor, diretor de fotografia e roteirista. 


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Porém, é possível notar que há uma falha na montagem do filme, pois a passagem de tempo por vezes não fica clara, provavelmente devido a quantidade de informações que nos é mostrada, e de ações que acontecem em um curto período de tempo, pois em determinados momentos, é possível notar uma tempo estabelecido pelos personagens durando muito mais do que deveria, ou até mesmo um corte de núcleo que ao voltar para o anterior, o tempo não parece ter passado, a cena simplesmente continua de onde tinha parado, mesmo com diversas ações tendo acontecido, dando a sensação que voltamos no tempo e que agora estamos acompanhando o que aconteceu com eles enquanto o resto acontecia. Para os que conhecem o termo técnico para isso, fica evidente que a montagem não se utilizou do efeito que estamos tão acostumados nos filmes atualmente, da Elipse Temporal.
               
Por fim, se você se interessou pelo longa, vale ressaltar que sua continuação já está para chegar aos principais cinemas, mesmo com 4 anos de distância do primeiro filme. Invasão Zumbi 2 terá sua primeira estreia este ano de 2020 no festival de Cannes em Maio e posteriormente chega aos cinemas para o grande público em agosto de 2020. De acordo com informações divulgadas, o segundo filme não é exatamente uma sequência quanto aos personagens, mas é um filme que se passa no mesmo universo da trama, alguns anos depois. Com certeza vale a pena conferir.
               
E se você ficou interessado no filme, Invasão Zumbi está disponível hoje no catálogo da Netflix, vale a pena assistir.

Vale ressaltar ainda que aqui no site existe outra crítica deste mesmo filme, confira a seguir para conhecer conhecer uma nova opinião ou abordagem do longa: Crítica: Invasão Zumbi (2016).



Título Original: Busanhaeng

Direção: Yeon Sang-ho

Duração: 118 minutos

Elenco: Gong Yoo, Yumi Jung, Ma Dong-seok

Sinopse: Em um trem de alta velocidade com destino à cidade de Busan, na Coréia do Sul, um vírus misterioso que transforma as pessoas em zumbis acaba se espalhando de maneira devastadora. A cidade de destino da locomotiva conseguiu com sucesso se defender da epidemia, mas até chegar lá eles deverão lutar pelas suas sobrevivências.

Trailer:

E aí, gostou da crítica? Deixe seu like e sua opinião pra gente nos comentários :)

Caroline Oliveira

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