Crítica: You - 2ª Temporada (2019, de Greg Berlanti e Sera Gamble)



A primeira temporada de You (Você) foi realmente interessante, e quando anunciada a segunda temporada, me questionei se realmente faria sentido a continuação daquela estória, que já tinha parecido satisfatória.

Se você ainda não assistiu a primeira temporada ou leu a crítica, clique aqui. Agora caso ainda não tenha assistido a segunda temporada, se liga que alguns spoilers são inevitáveis!

Os primeiros episódios de You, nos deixa um tanto quanto cansados, pois imaginamos o mais do mesmo pela frente, vários elementos repetitivos, com a mesma forma inicial da primeira temporada, que gera um pouco de descontentamento.

Percebemos no começo desta temporada que Joe Goldberg (Penn Badgley) age com menos carisma do que na primeira, além de pontos em comuns na trama. Porém, com o evoluir dos episódios, Joe novamente se mostra o sedutor que ele tentou esconder. Além de que, depois de alguns episódios, grandes reviravoltas são inseridas na série, deixando-a mais intrigante e perturbadora.




Neste contexto, Joe, para se esconder do seu passado sombrio com Beck, muda-se para Los Angeles, o último lugar que ele escolheria para se esconder e por isso, o local escolhido para desaparecer no meio da multidão.

Nesta nova cidade, Joe assume a identidade de Will Bettelheim e conhece uma nova garota, que convenientemente chama-se Love Quinn (Amor), vemos então toda a narrativa da estória contada pela visão psicótica do protagonista.

Neste novo enredo, observamos sob a ótica do personagem, o processo de distanciamento que ele tem de situações que o deixariam próximo ao que ele era no passado. O que a primeira vista parece um processo de detox para que Joe não cometa os mesmos erros, torna-se uma evidente hipocrisia do personagem, que comete erros semelhantes.




Novos personagens também são inseridos na trama, como sua vizinha Delilah (Carmela Zumbado), zeladora do prédio de Joe (Will), e Ellie (Jenna Ortega), irmã de Delilah. Estes personagens são bem construídos durante a jornada do protagonista e criam um enredo secundário.

Porém, como dito acima, muito desta trama secundária confunde-se com a primeira, algo que poderia ter um desfecho diferente ou uma nova direção acaba-se por perder no contexto.

Conforme a trama avança, percebemos a construção que leva o personagem de Will a conquistar Love, aqui podemos lembrar que essa alegoria fantástica Will + Love se dá traduzido para o português como “Amarei”, ou seja vemos a reconstrução de Will (Joe) como alguém em busca de um amor real? Seu amor próprio?




Nesta temporada, passamos também a entender o porque, mesmo que injustificado, o comportamento psicopata de Will (Joe), que tem início em sua infância e sua relação distorcida de família e do amor.

Mas há uma grande reflexão dentro do contexto. Se Joe é um psicopata ele não sente amor, apenas obsessão. Joe não pode amar, pois não sabe o significado correto de amor, o que ele tem é uma visão distorcida dos fatos. Então, porque no início da trama ele decide se comportar corretamente?

Simples, porque nos pegamos em alguns momentos torcendo pelo Joe. Não se culpe! Sociopatas e psicopatas são extremamente sociáveis, afinal, sua mais forte característica é a manipulação. E manipulação é o que mais ocorre dentro da série, os expectadores acabam por esquecer que o personagem é um assassino e encontram-se torcendo pelo casal, esquecendo que o “amor” que ele acredita sentir, poderá destruir seu objeto de desejo.

Outro núcleo interessante dentro da trama se dá pelo irmão-gêmeo de Love, Forty (James Scully) e a amizade improvável que os dois desenvolvem dentro da loja de produtos naturais (ANAVRIN, que é Nirvana, ao contrário), novo trabalho de Joe. Forty auxilia Joe a reconquistar Love (Outra metáfora interessante: reconquistar o “amor”). Logicamente, como Joe ama livros, todas as estórias românticas dele sempre parecem derivar de algum romance sinistro.




Nesta temporada, observa-se também a volta da personagem Candance (Ambyr Childers), que imaginamos estar morta por Joe desde a primeira temporada. Candance pretende vingar-se de Joe, porém sem entender como o fará. Esta ponta fica bem solta no enredo, apesar de aprofundado o fato de como o crime ocorreu e porque ela havia desaparecido.

Observamos também uma semelhança de traços bem similares entre Candance - Beck - Love. Observamos também que Joe procura mulheres que possuem um certo tipo de espontaneidade e que possui similaridades com sua mãe também. Será que Joe busca a aprovação inconsciente do amor de sua mãe?

Resumidamente, depois dos primeiros episódios a trama possui um epísódio em especial que se desenrola de uma maneira assustadora e improvável, lembrando o filme Se Beber não Case!(onde acontecimentos desconexos são relembrados em formas de flashbacks após uma ressaca por drogas). 

A fotografia desta temporada, diferentemente da primeira, apesar de cromaticamente bonita, não se destaca e as locações que antes pareciam uma cidade européia antiga, mesmo que estando no Brooklin, passam a ideia de algo moderno e mais vivo.

Recheado de críticas sociais, como pessoas que criam uma vida fictícia na internet, a elite que compra o silêncio da sociedade, pessoas que pregam a paz, mas que não a vivem, entre outras.

Sem revelar detalhes sobre o final da série, percebemos que existe um gancho enorme para uma nova temporada.



Título Original: You Seasson 2

Direção: Greg Berlanti e Sera Gamble


Duração: 50 minutos por episódio


Elenco: Penn Badgley, Victoria Pedretti, Amber Childers, James Scully, Carmela Zumbado, Jenna Ortega e Chris D'Elia


Sinopse: Após safar-se do assassinato de Beck, Joe muda-se para Los Angeles e com uma nova identidade começa uma vida do zero.

Em seu novo trabalho conhece a espontânea Love e ambos desenvolvem um romance. Tudo parece bem até a ex-namorada de Joe, Candance aparecer no mesmo local com suposições sinistras sobre o passado do protagonista.





E você já assistiu You 2? O que achou? Conta para a gente e não se esqueça de curtir e compartilhar com os amigos.

@LillyDzura

Criativa, Cinéfila, Curiosa, acredita que os filmes influenciam em sua vida como lições que podem ser aprendidas sem que aquilo tenha acontecido em sua vida. Acha que toda história tem dois lados e que sempre há alguma coisa de bom para ser aprendido no que deu errado.

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