Crítica: O Escândalo (2020, de Jay Roach)





Visionário, destemido e esperto. Essas três palavras podem definir Roger Ailes (John Lithgow), que logo no começo de sua carreira na televisão chamou a atenção do então candidato à presidência Richard Nixon. Em 1967 a campanha de Nixon havia sido um sucesso, elevando a bombástica carreira de Roger na política americana. 

Após décadas de sucesso em campanhas eleitorais de presidentes como Ronald Reagan e George H. W. Bush, em 1991, Roger anunciou que iria abandonar as consultorias políticas e voltaria para os negócios de televisão. Sua carreira já estava tão consolidada que pouco tempo depois, em 2005, ele assumiu o cargo de presidente e chefe-executivo do grupo Fox News.

Respeitado por todos, com uma carreira triunfante e chefe do maior grupo televisivo conservador dos Estados Unidos, Roger estava preparado para tirar o máximo de proveito da eleição de 2016, em que Donald Trump, seu amigo, estava concorrendo pelo partido Republicano. 

John Lithgow interpreta Roger Ailes
Roger parecia intocável, nada nem ninguém poderia atingi-lo naquele ano. Exceto as mais de 20 vítimas que sofreram assédio e/ou abuso sexual dele. A primeira a tomar uma atitude drástica foi Gretchen Carlson (Nicole Kidman), apresentadora de um programa da emissora. Após afrontar Roger, e até a política conservadora da empresa, algumas vezes, Gretchen é demitida. Sem pensar duas vezes, e mesmo sendo alertada sobre as consequências que poderiam cair sobre ela, Gretchen decide entrar com um processo contra Roger.

Esse caso real que pegou toda a mídia americana de surpresa é a história de O Escândalo, filme que chegou aos cinemas brasileiros dia 16 de janeiro. Com relatos de vítimas reais, cenas desconfortáveis de assistir e muita reflexão sobre assédio no trabalho, o longa se mostra importante para os tempos atuais.

Nicole Kidman interpreta Gretchen Carlson
Naquela época, a atitude da ex-funcionária deixou todos da Fox surpresos. Ela só estava fazendo isso porque foi demita, claro. Afinal, Roger era um homem velho temente à Deus, com uma carreira consolidada e reputação impecável, até parece que ele faria algo assim. Seus comentários machistas eram apenas brincadeira. Suas propostas “indelicadas” eram apenas para dar novas oportunidades para as mulheres do escritório.

Megyn Kelly (Charlize Theron) também foi uma das vítimas. Ela era uma das âncoras mais importantes da emissora, inclusive ficou mais conhecida ainda após confrontar Trump em um debate eleitoral. De início, a relação dela com Roger parece ser de respeito, afinal os dois são importantes para a emissora. Até que Megyn passa a debater seus valores e sua carreira, decidindo, assim, se juntar a Grechten.

Charlize Theron interpreta Megyn Kelly
Já a novata Kayla Pospisil (Margot Robbie) foi uma das últimas vítimas de Roger dentro da Fox News. Com muita vontade de crescer dentro da empresa, ela cria a oportunidade para falar diretamente com Roger sobre suas ideias. Em troca, o presidente pede a Kayla que prove que ela será leal a ele. Sim, a palavra “leal” tem um significado diferente para Roger.

O elenco é cheio de rostos conhecidos, mas as três atrizes principais brilham em seus determinados papéis. Charlize Theron está fisicamente idêntica à Megyn e entrega uma personagem forte e inteligente. Nicole Kidman, apesar de interpretar a mulher que dá o primeiro passo para derrubar Roger, aparece mais em momentos chaves. Já Margot Robbie tem duas das cenas mais fortes do longa e nos faz nos sentirmos no lugar dela.

Margot Robbie interpreta Kayla Pospisil 
As boas atuações renderam indicações no Oscar 2020. Charlize Theron está concorrendo na categoria de Melhor Atriz, mas não tem muitas chances contra Renée Zellweger, a favorita dos críticos até agora. Margot está na corrida pelo Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, porém precisa enfrentar Laura Dern que está levando todas. Além dessas, o filme também concorre em Maquiagem e Penteado, categoria que tem mais chance de ganhar o prêmio.

O roteiro é de Charles Randolph, que conseguiu equilibrar o texto para que os diálogos não ficassem clichês, além de não colocar tal personagem 100% certo o tempo todo. Dava para perceber o cuidado com o assunto e dependia de você julgar determinadas atitudes até o desfecho final.

Já a direção ficou por conta de Jay Roach (sim, um homem) que apresenta um trabalho simples, sem muitas complexidades. Destaque para a cena dinâmica logo no começo do filme, em que Megyn nos apresenta o prédio da Fox News. E para a discreta cena em que nos mostram o camarim das apresentadoras da emissora quando rumores sobre suas roupas começam a vazar na mídia.

Margot Robbie, Nicole Kidman e Charlize Theron
Apesar de mediano, O Escândalo apresenta uma temática importante sem cair completamente no senso comum e detalha um caso que conseguiu derrubar um dos homens mais poderosos da televisão americana. Além de incentivar a denúncia contra esse tipo de caso, e mostrar que situações como essas são mais comuns que se imagina, até no ambiente de trabalho.


Título Original: Bombshell

Direção: Jay Roach 

Duração: 109 minutos

ElencoCharlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie, John Lithgow, Allison Janney, Malcolm McDowell, Kate McKinnon e outros

SinopseAs funcionárias da Fox News denunciam a cultura de masculinidade tóxica da empresa de mídia norte-americana, levando à queda do magnata Roger Ailes.

Trailer:

Vale a pena conhecer esse verdadeiro escândalo! Se você já conferiu o filme, conte pra gente o que você achou e nos siga nas redes sociais :)

Larissa Lago

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