Crítica: Com Amor, Van Gogh – O Sonho Impossível (2019, de Miki Wecel)


Cerca de dois anos após o lançamento de Com Amor, Van Gogh, a primeira animação feita inteiramente a partir de pinturas, sai o documentário a respeito da produção do filme, intitulado Com Amor, Van Gogh – O Sonho Impossível. Esse documentário de apenas uma hora de duração visa mostrar a trajetória do começo ao fim da produção do longa, desde onde surgiu a ideia de fazê-lo até a sua indicação ao Oscar em 2018.

Tudo começou quando Dorota Kobiela, diretora da animação, decidiu juntar seu amor pela pintura com o seu amor pela direção. Hugh Welchman, ao conhecê-la, não se apaixonou somente por Dorota, mas também por sua ideia, e fez de tudo para que esse projeto desse certo. O plano inicial dos dois era fazer um curta de sete minutos pintado inteiramente por Kobiela, todavia eles ficaram fascinados pela história e pelos quadros de Van Gogh a ponto de decidirem transformar o roteiro de um curta em um longa-metragem – segundo Dorota, uma das partes mais difíceis de colocar a ideia em prática.

Sendo assim, com a direção de Dorota e Hugh, Com Amor, Van Gogh começou a tomar forma. Eles precisaram correr atrás de patrocinadores e de financiamento coletivo para conseguir dinheiro e fazer esse sonho se tornar realidade, contudo, por diversas vezes, não sabiam como fariam para pagar os seus pintores, os materiais e a locação. Com um orçamento de cerca de 5,5 milhões de dólares, eles finalmente puderam ver esse projeto ser finalizado em 2017.



A produção do filme levou anos. Mais de cem artistas pintaram 65 mil telas para dar vida ao longa de 90 minutos. Uma curiosidade é que, antes de tudo ser pintado, fizeram testes de filmagem com a própria produção, depois contrataram os atores, filmaram o filme inteiro e passaram para os pintores animar. Então, praticamente, foi preciso fazer o filme duas vezes, uma em live-action e a outra pintada à mão.

No documentário, foi interessante ver atores, como Saoirse Ronan, falando sobre como achou a ideia interessante e, por isso, quis atuar. Em certa cena, pouco depois, uma pintora também comenta a respeito da sua experiência, de como eram os horários de trabalho e o que eles precisavam fazer para ninguém pintar a mesma cena duas vezes e o longa dar certo.

Embora a história por trás do surgimento de Com Amor, Van Gogh seja bastante atraente, Miki Wecel, o diretor do documentário, focou muito mais na vida de Dorota e no que ela e Hugh passaram no começo, com o surgimento da ideia até colocar ela em prática, do que nos acontecimentos que realmente chamam a atenção do público. Dessa forma, os 60 minutos parecem se arrastar e, quando se torna interessante, eles pulam para a parte em que a produção do filme termina, falam brevemente sobre Dorota e Hugh irem a festivais promover o filme, mostra a indicação deles ao Oscar e termina. Fim. Como se não houvesse tempo para falar mais nada. Se tivessem mostrado mais da produção do filme, de fato, e não apenas contado pequenas coisas, seria um documentário muito melhor. Foi decepcionante se deparar apenas com uma narrativa corrida pelo ponto de vista da direção em vez de ter mais pintores e atores mostrando suas experiências de trabalho em um filme feito apenas com pinturas.



Além disso, faltou noção na hora de colocar informações na tela, porque, na verdade, não há. No começo, é fácil se perder em quem é quem, no que eles estavam fazendo e principalmente nas datas em que tudo acontece – é tudo meio jogado e o espectador que se vire pra entender quanto tempo durou cada acontecimento.

O compilado de vídeos filmados ao longo da produção e comentários gravados especialmente para o documentário se intercalam com cenas do filme e trechos de sua trilha sonora. Um dos pontos positivos foi justamente colocarem elementos da animação no meio do documentário, pois quem assistiu a Com Amor, Van Gogh, só de ouvir a música já consegue criar certa relação com o documentário.

Por fim, pode-se dizer que, apesar de ter cenas e informações interessantes, o documentário é curto demais e ainda assim consegue ser arrastado até o meio. Você não cria uma relação com a Dorota Kobiela ou com o Hugh Welchman enquanto eles estão contando a história, e parece apenas que uma mulher polonesa e um homem inglês se encontraram e fizeram isso acontecer. Sendo assim, poderia ter sido melhor e mais bem explorado, principalmente nas questões técnicas que envolveram os mais de 100 pintores. Os que já são fãs do filme podem encontrar curiosidades legais, mas para o resto da população, esse documentário, infelizmente, pode passar batido.


Título Original: Loving Vincent: The Impossible Dream

Direção: Miki Wecel

Duração: 60 minutos

Elenco: Bartosz Armusiewicz, Sean M. Bobbitt, Douglas Booth, Piotr Dominiak, Lukasz Gordon, Robert Gulaczyk, Anna Kluza, Dorota Kobiela, Ivan Mactaggart, Chris O'Dowd, Saoirse Ronan, John Sessions, Joe Stuckey, Eleanor Tomlinson, Hugh Welchman, Tomasz Wochniak, entre outros.

Sinopse: O documentário detalha minuciosamente a jornada que levou dois cineastas apaixonados a alcançar seu sonho impossível, criando o primeiro longa-metragem totalmente pintado do mundo.

Trailer:

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Karoline Melo

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