Especial: Meu Amigo Secreto MVDC #11

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Então é isso, após todos estes textos e filmes, o amigo secreto finalmente chega ao fim e coube a mim a responsabilidade de encerrá-lo. A indicação da Helen Santos foi um filme B de ficção científica dos anos 70: nada mais fora de minha zona de conforto cinematográfica. Mas assim mesmo que é interessante. Vamos ao filme: O Incrível Homem Que Derreteu!

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Quando Contatos Imediatos de Terceiro Grau de Spielberg foi lançado, em 1977, não foi difícil perceber que sua narrativa, além da ficção científica aventuresca, endossava um discurso muito específico do momento: uma ode à corrida espacial estadunidense através da construção ideológica-fílmica legitimadora deste pensamento. Tornou-se devidamente um clássico, porém o mais curioso é observar que, no mesmo ano, foi lançado O Incrível Homem Que Derreteu, um filme que, utilizando da mesma veia cinematográfica de Spielberg (a ficção científica), possuía um discurso sumariamente contrário a seu contemporâneo.



O longa, dirigido por William Sachs, possui uma trama simples: após um acidente de uma tripulação espacial nos anéis de Saturno, Steve (Alex Rebar), o único sobrevivente agora possui um corpo que está constantemente derretendo, e como seu cérebro não funciona perfeitamente, o instinto o guia a matar pessoas para sobreviver. Quando o astronauta foge do hospital, o médico Ted (Burr DeBenning) e o general Perry (Myron Healey) precisam encontra-lo antes que o estrago seja maior. 


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A ideia de, em plenos anos 70, desenvolver um filme demonstrando o lado negativo da obsessão humana pelo desenvolvimento condensado na corrida espacial é extremamente válida, porém isto é articulado de maneira pobre no longa, que acaba por jogar no lixo toda a possível construção crítica em uma obra sem características memoráveis. 

Algumas cenas isoladas são elaboradas de maneira visualmente muito efetiva, sendo que se em outros filmes, poderiam ser grandes marcos da ficção científica. Porém o conjunto dos elementos não funciona de maneira orgânica, com o discurso ideológico sendo exposto apenas no começo e no final. Dessa maneira, o espectador só adquire a noção da crítica nos últimos minutos do filme, fazendo com que seu meio seja uma grande narrativa genérica e sem emoção com aspectos de filmes de zumbi. 

A trilha sonora é desajustada, assim como as atuações características de filmes B. Sob o comando de uma direção perdida, temos longos momentos de um filme que evoca a tradição zumbi, porém que não consegue criar definitivamente o horror necessário. Acaba-se por, no melhor dos casos, entreter como um filme curioso. No pior, tornar-se engraçado, ou ainda pior, enfadonho.

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O Incrível Homem Que Derreteu possuía um grande potencial para embasar um discurso ideológico revestido da tradição da ficção científica, mas que, devido à carência na sua construção formal e narrativa, e à abordagem muito tardia de sua crítica, soa vazio e desinteressado, um filme contraditório por si só, ao mesmo tempo tentando ser crítico e com cara de filme B no piloto-automático.

Mas agradeço muito à Helen Santos pela oportunidade de experimentar um filme desses, oriundo de um estilo cuja bagagem não possuo. Agradecemos também a todos que acompanharam nosso especial até aqui, esperamos que tenham sido boas as recomendações, assim como foi para cada um de nós!



Título Original: The Incredible Melting Man

Direção: William Sachs

Duração: 83 minutos

Elenco: Alex Rebar, Ann Sweeny, Burr DeBenning, Myron Healey

Sinopse: O coronel Steven West (Alex Rebar) volta de um voo até Saturno. Hospitalizado, ele descobre que na sua visita ao planeta pegou uma doença desconhecida! Uma infecção que faz sua carne derreter! West foge do hospital e se esconde num bosque próximo para comer. Uma série de crimes horríveis, com cadáveres mutilados, mostra que West se transformou numa coisa perigosa, que precisa comer carne humana para evitar o próprio derretimento. Uma empolgante caçada humana é desencadeada, em busca do astronauta que virou fera.


Trailer:

Aqui acaba nosso amigo secreto cinematográfico. Curtiram? 

Gabriel Zupiroli

Gosto de duas coisas, cinema e literatura, à parte disso, de vez em quando perco o tempo de me interessar por coisa ou outra.

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