Crítica: O Enigma Da Rosa (2017, Josué Ramos)

O Enigma da Rosa, filme de 2017, que chegou aos cinemas brasileiros em Outubro de 2019, é um filme espanhol realizado por Josué Ramos. O filme bateu recorde devido a quantidade de prêmios e indicações que recebeu para um filme independente da Espanha. Ganhando mais de 30 prêmios, entre eles de melhor película, melhor filme, melhor direção, melhor roteiro, melhor ator, entre outros. Sendo selecionado em mais de 40 mostras internacionais (seus principais destaques são nos festivais de San Diego, Chicago e Oaxaca e por ser vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Cinema de Madri).

Um desfecho impressionante para um filme com praticamente zero de orçamento, com apenas uma locação, com 4 atores e sem o uso de efeitos especiais ou efeitos visuais mirabolantes. É possível afirmar que apenas um homem foi responsável por toda essa comoção, Josué Ramos, o Diretor, Roteirista, Direção de Fotografia, Produtor, Editor, e quem sabe o que mais que ele fez de maneira não oficial.




O Enigma da Rosa conta a história de uma família que teve sua filha sequestrada por um homem desconhecido. O filme ganha a sua originalidade quando esse sequestrador (Ramiro Blas) aparece na casa dessa família, revelando que tudo o que quer para retornar a criança a eles é que um dos integrantes da família (o pai, mãe ou filho mais velho) revele um segredo em particular para todos ali presentes. Conforme eles vão contando os segredos, o sequestrador pensa em jeitos não tão criativos de “quitar” por cada segredo dito, e assim expondo uma pista para se chegar mais perto do segredo que ele quer escutar.  




Devido ao baixíssimo (ou praticamente nulo) orçamento do filme, ele claramente não atingiu o seu devido potencial. Para metade do elenco esse foi o primeiro filme que participaram, algo que dá para reparar facilmente. O filho mais velho, atuado por Ignacio Fernández, é de longe o pior ator dos 4, diversas cenas intensas foram arruinadas por ele, se tornando cômicas de tão ruim.

A mãe, Elisabet Gelabert, que embora já tivesse um pouco mais de experiência como atriz, também deixou muito a desejar. O pai, Pedro Casablanc, é de longe o melhor ator de todos e também o que possui maior experiência em filmes (não seria surpresa se foi ele o responsável pelo prêmio de melhor ator para o qual o filme foi indicado e ganhador em diversos festivais).

Por último o sequestrador, Ramiro Blas, embora tenha mais experiência em fazer pequenos papéis em diversas séries espanholas e latinas, aqui ele faz o que pode ser considerado o seu primeiro papel principal e não desaponta… muito (no final, quando é revelado a sua identidade, ele não parecia o tipo de pessoa que seria extremamente sadística, calculista e resistente, como foi mostrado durante o filme), mas isso pode ser considerado um problema do roteiro e da direção e não propriamente do ator.

Outro problema que arruína a experiência é a clara falta de sangue e efeitos visuais/especiais em diversas cenas onde queriam mostrar tensão e aflição, mas que acabaram apenas parecendo falsas e amadoras. 




O filme é repleto de planos longos que ajudam na imersão, a mostrar a tensão que a família está passando e transmitir uma sensação até incômoda de realismo, e em sua maioria são legitimamente boas, com a câmera passeando pela casa e mostrando como cada personagem está reagindo. Porém, em alguns desses planos nota-se com a câmera saindo de foco por longos períodos de tempo enquanto se ajustava de um personagem ao outro. Além disso a demora ao acertar o enquadramento quando a câmera pulava de uma pessoa a outra (deixando diversas vezes a parede ou algum objeto aparentemente não importante enquadrado) deixou o efeito contrário do dito anteriormente, tirando o telespectador da imersão e transformando as cenas intensas em cenas cômicas

Porém o filme ainda possui os seus diversos e merecidíssimos aplausos. No final, o segredo certo quando revelado é legitimamente chocante e tudo o que acontece em seguida é de arrepiar a espinha, mesmo com a falta de efeitos visuais ainda é possível imaginar tudo claramente (a ocultação e o uso da imaginação é uma excelente vantagem e trabalha a favor do filme). Além disso, é um final que faz sentido e que conseguiu fechar muitas coisas que não tinham feito sentido durante o filme. De longe o final é a melhor parte do filme e foi com ele que conseguiram não só salvar a obra mas genuinamente o transformando em um espantoso bom filme. 




As cenas onde os personagens revelam os seus segredos também são muito boas e intensas. Mesmo sem o uso de flashbacks ou recursos sonoros é possível visualizar toda a descrição que eles fazem do que aconteceu. O roteiro acertou em cheio nessas partes, cada palavra é marcante e carregada. 

De maneira geral, o filme têm os seus altos e baixos, assim como é parado e repetitivo em diversas partes (em vários momentos estive olhando as horas e vendo os meus e-mails no celular), ele também é repleto de momentos que não dá para desviar os olhos da tela. O número de prêmios que esse suspense independente da Espanha ganhou, acabaram o deixando com uma certa “Hype” de não apenas ser um bom filme, mas um dos melhores filmes da década ou uma obra-prima do cinema, como alguns críticos e fãs estão chamando (é possível que muito se de graças ao seu final e que por ele sozinho já valha a pena assistir).




Caso você ficou interessado em assistir, lembre-se que é um filme independente, não entre esperando por um filme de sequestro a lá Busca Implacável ou outros filmes de gênero semelhante.


Resumidamente, o filme têm um plot original e uma maneira teatral de contar a história. Não é surpresa que a produtora americana, Thematic Entertainment (a mesma produtora do ator Chris Hemsworth, mais conhecido por fazer o papel de Thor nos filmes da Marvel) já comprou os direitos de O Enigma da Rosa. Então é bem provável que muito em breve veremos a versão hollywoodiana desse longa independente. Vamos esperar que dessa maneira o roteiro seja reformulado e consiga atingir todo o seu potencial dramatúrgico. Se isso acontecer, aí sim terá a chance de concorrer a melhor filme do ano. Até lá é apenas mais um bom filme independente como muitos outros por aí.






Título Original: Bajo La Rosa

Direção: Josué Ramos

Duração: 99 minutos

Elenco: 
Patricia Olmedo, Pedro Casablanc e Elisabet Gelabert


Sinopse: Sara Castro (Patricia Olmedo), a filha de Oliver (Pedro Casablanc) e Julia (Elisabet Gelabert), desaparece sem deixar rastros. Os dias passam sem que eles tenham nenhuma notícia sobre a garota. Porém, em uma manhã, a família recebe uma carta de alguém que afirma ter capturado Sara e deseja falar com eles pessoalmente.

Trailer:


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Caroline Oliveira

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