Crítica: Fratura (2019, de Brad Anderson)

Fratura é o mais novo filme do diretor Brad Anderson, em parceria com a Netflix. O filme é um suspense e thriller psicológico que ganhou destaque na plataforma.

Brad Anderson, diretor conhecido principalmente pelos longas O Operário e Beirut, e que infelizmente não é amplamente reconhecido pela indústria cinematográfica, traz para Fratura algumas de suas características principais como cineasta, como por exemplo, o mesmo uso de uma paleta de cores fria que podemos ver em O Operário, além do clima pesado dos ambientes e sua habilidade em manipular o ritmo e a tensão das narrativas em que trabalha.

O longa Fratura conta a história de Ray, interpretado por Sam Sorthington, um pai de família que após ter que parar em um posto de estrada, onde sua filha de 6 anos se machuca, se vê em uma corrida para ajudá-la. Ele a leva para o hospital local, que desde o início não nos transmite a sensação de ser confiável, onde ele tem que lidar com enfermeiras que pouco ajudam, burocracias locais e o desaparecimento de sua filha e de sua mulher após serem levadas para a área de tomografias.


A atuação de Sam Worthington, que interpreta Ray ator conhecido mundialmente por AvatarO Exterminador do Futuro: A Salvação e Fúria de Titãs, e que já ganhou prêmios por sua excelente atuação, novamente surpreende em Fratura, de forma que toda a ambientação da narrativa e o clima de tensão é evidenciado principalmente por sua performance espetacular e também pela direção de fotografia, que consta com diversos close-ups do rosto do protagonista, e de movimentos de câmera espetaculares que aparecem do início ao fim do filme.

Porém, o roteiro de Alan B. McElroy, infelizmente acaba não chamando tanta atenção dos amantes de  thrillers psicológicos, com diversos momentos em que a trama se torna previsível, além da presença de diálogos sem profundidade, da mesma história sendo contada repetidas vezes e pela pouca valorização da performance dos demais personagens, que não geram uma identificação do público ou até que parecem existir apenas para "tapar buracos" e criar cenas longas e desnecessárias.


Quanto ao clima pesado dos ambientes, pode ser notado desde o início do filme, primeiramente no carro, com a tensão familiar; depois no posto de gasolina onde nos deparamos com um local que parece abandonado e uma atendente com atitudes sinistras; até a chegada no hospital, um local que deveria representar segurança e saúde, mas que na verdade quando o vemos, nos transmite desespero pela a indiferença das atendentes, a rigidez das burocracias do local, com fichas de pacientes bizarras e a aparente realização de atividades ilegais.

Com um clima de tensão que não se altera, desde o início sentimos o desespero e desconforto dos personagens, de forma que espectador não presencia um momento de clímax, se encontrando sempre na dualidade do que acredita que irá acontecer, a partir das pistas visuais que aparecem e que nos levam ao mesmo final anterior.


Este constante giro da narrativa, torna o longa cansativo, atingindo apenas uma singela mudança no terceiro ato da trama, momento em que todas as pistas existentes até o momento podem ou não ser inúteis, pois surge mais uma possibilidade para verdade da situação, e o giro recomeça novamente. É este o momento em que torcemos para que o mais óbvio não aconteça, que o giro se quebre e que o filme se salve ai. Agora se Brad Anderson consegue nos surpreender e nos enganar ou não, cabe a você descobrir, Fratura está hoje no catálogo da Netflix.





Título Original: Fractured

Direção: Brad Anderson

Duração: 100 minutos

Elenco: Sam Worthington, Lily Rabe e Stephen Tobolowsky.


Sinopse: Dirigindo pelo país, Ray (Sam Worthington), sua esposa e filha param em uma área de descanso da estrada, onde a filha cai e quebra o braço. Depois de uma corrida frenética para o hospital e um confronto com a enfermeira, Ray finalmente consegue ser atendido. Enquanto a esposa e a filha descem para uma ressonância magnética, Ray, exausto, desmaia em uma cadeira no saguão. Ao acordar, eles descobrem que não têm nenhum registro no hospital, como se nunca tivessem passado por lá.

Trailer:


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Caroline Oliveira

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