Crítica: Zodíaco (2007, de David Fincher)


O longa Zodíaco de David Fincher, produzido e lançado no Brasil em 2007, é considerado uma obra-prima do cinema de suspense com serial killers, sendo ganhador  do Festival de Cannes de 2007, Festival Internacional de Filmes de San Sebastián de 2011 e do Festival de Filmes Telluride de 2008.

O diretor, David Fincher, conhecido por filmes icônicos e por adorar adaptar obras literárias para o cinema, neste longa, adaptou o livro Zodíaco do escritor Robert Graysmith.

Zodíaco relata a história real do serial killer que se auto intitulava "Zodíaco" e que assombrou o norte da Califórnia no final dos anos 60, até o início dos anos 80. Este se caracterizava por enviar enigmas ao jornal local, provocando a imprensa com suas ameaças, e até hoje  sua identidade nunca foi descoberta.

Neste, o diretor nos provoca ao nunca apresentar uma identidade para o assassino, transitando o foco entre 3 protagonistas principais e suas visões do caso, a dos personagens de Robert Graysmith (interpretado por Jake Gyllenhaal), cartunista do jornal, Dave Toschi (interpretado por Mark Ruffalo), detetive e Paul Averry (Interpretado por Robert Downey Jr.) repórter criminal. Em cada ato da trama, um ganha o foco principal do diretor e do público em sua busca da identidade do Zodíaco. 

Alternando assim o protagonismo do filme, David Fincher altera sutilmente a linguagem ao longo destes atos, fazendo alterações na câmera, na performance dos atores que evoluem ao longo na narrativa, na iluminação e principalmente na paleta de cores.

No primeiro ato, o protagonista é Paul Averry, um repórter criminal de um dos jornais que recebe um enigma e uma ameaça do Zodíaco. Onde o ritmo é mais lento, contando com tons claros e amarelados nas composições das cenas.

Ainda neste primeiro ato, os personagens são apresentados em seu ambiente natural e como suas distintas personalidades vão lidar de início com o aparecimento do serial killer na cidade e nos jornais locais.



No segundo ato, acompanhamos Dave Toschi, um dos investigadores responsáveis pelo caso, o acompanhamos em suas buscas e em suas entrevistas, de forma que a trama ganha um ritmo um pouco mais intenso e nos deparamos com os constantes avanços e fracassos do personagem. Neste ato as cores ficam mais escuras, apesar de ainda com traços de amarelo, que representam a ainda esperança dos personagens de solucionar o caso.



Já no terceiro ato, a narrativa se torna frenética, acompanhando o estagio de loucura  em que o personagem Robert Graysmith chega, onde o cartunista do jornal local, que desde o inicio buscava ajudar a solucionar o caso, se encontra em uma louca obsessão em descobrir a identidade do serial killer, colocando isso sobre tudo em sua vida, desde sua carreira, a sua família.

É neste momento que nos deparamos com cenas mais tensas, com o suspense mais evidenciado, o desespero do protagonista e do próprio público em conseguir respostas em um ambiente em que, passados mais de 10 anos do primeiro crime do Zodíaco, ninguém mais busca solucionar o caso.

Somos apresentados então a uma câmera mais frenética, com uma paleta e cores azul, uma cor mais fria comparada ao resto do filme, amplificando o clima de medo e tensão.



É neste ato que temos a cena com maior clima de suspense de toda a narrativa, em que o diretor nos prende a atenção, no transporta para o medo e ambiente do personagem, para apenas nos decepcionarmos novamente e o medo ser apenas uma ilusão desnecessária, pois o assassino não foi realmente encontrado.

Assim, pela amplitude e qualidade de informações transmitidas, o filme pode ser considerado quase perfeito, se não fosse o fato de que nos deparamos com 2 horas e 40 minutos, de forma que o longa pode se tornar cansativo, porém este ainda consegue nos prender a atenção ate o último minuto, ao nos transmitir a ilusão de que o serial killer ainda será encontrado, apenas para desapontar o público repetidamente, fator que foi o principal responsável por muitas queixas, mas que ao mesmo tempo, manteve a história mais fiel aos fatos reais. 

Zodíaco não foi o primeiro longa a retratar a história do serial killer, e para quem gosta do assunto e tem interesse em conhecer mais sobre o caso, fica minha dica para os filmes com uma abordagem do assunto um pouco diferente, assista para conferir: Perseguidor Implacável, O Zodíaco, Awakening the Zodiac, The Zodiac Killer, entre outros.

E para quem quiser se aprofundar ainda mais em informações sobre o longa, acesse a outra crítica de Zodíaco, aqui do site: Critica Zodíaco, 2017

Zodíaco está disponível na Netflix.




Título Original: Zodiac

Direção: David Fincher

Duração: 157 minutos

Elenco: Jake Gyllenhaal, Robert Downey Jr., Mark Ruffalo.


Sinopse: Durante os anos 60 e 70, o medo aumenta em São Francisco com os ataques de um assassino maníaco chamado Zodíaco. Investigadores e jornalistas tentam descobrir a identidade do assassino e levá-lo à justiça. Enquanto isso, Zodiac provoca as autoridades com mensagens crípticas, cifras e telefonemas ameaçadores.

Trailer


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Caroline Oliveira

3 comentários :

  1. Já tinha ouvido falar do filme, mas tinha uma ideia completamente diferente do que seria o seu enredo. Não está nos meus planos assistir ao filme, mas nunca se sabe...
    Mundo da Fantasia

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Admito que quando vi ao filme também não era o que esperava, me surpreendi e gostei muito. Vale a pena dar uma chance ;)

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