Crítica: A Música da Minha Vida (2019, de Gurinder Chadha)





Em Luton, na Inglaterra, nos anos 80, o jovem Javed Khan (Viveik Kalra), que sonha em ser um escritor, encontra uma paixão em meio a conflitos internos na sua adolescência: as músicas de Bruce Springsteen. O cantor americano havia feito muito sucesso nos anos 70 com suas canções sobre a classe trabalhadora e críticas ao governo americano da época.

Baseado em fatos reais, o drama musical coming of age A Música da Minha Vida utiliza as músicas de Springsteen para mostrar as descobertas de Javed. Filho de imigrante, o jovem mora com sua família tipicamente paquistanesa e tem um pai que ainda é muito preso as tradições de seu país. O jovem está no último ano do colégio e pretende ser aceito em uma faculdade bem longe de sua cidade.


Sendo quase uma cinebiografia de um fã, o filme funciona muito bem para quem conhece bastante o trabalho de Sprinsgteen. Para quem não tem tanta familiaridade, assim como eu, sentir uma conexão com a história é algo complicado. Principalmente porque as músicas presentes no filme não são as mais famosas do cantor.

Dirigido e produzido pela indiana Gurinder Chadha, o filme é baseado no livro de Sarfraz Manzoor, que seria o Javed na história cinematográfica, e teve a benção de Springsteen desde o início. Com muitos cortes e closes, a diretora ousa com a câmera na mão nas cenas musicais, mas o ritmo é algo que oscila durante as 2h e 10 minutos de filme.


O longa é daquele tipo que fica vagando na sua cabeça por alguns dias. No começo, pensei que seria um daqueles clichês que a gente adora. Então, saí da sala de cinema um pouco decepcionada, já que esperava mais do filme. Porém, conforme pensava mais sobre a premissa do filme e certas cenas, percebi que havia muitas coisas escondidas ali que não eram tão banais quanto eu pensava.

O contexto histórico, por exemplo, é algo extremamente positivo. O filme aborda as consequências do Thatcherismo – quando Margaret Tchatcher era Primeira-Ministra - e a prática de xenofobia e racismo incentivada pela Frente Nacional – grupo de extrema direita que é contra imigrantes no Reino Unido. Os dois assuntos são pano de fundo na história principal de Javed, mas vão ganhando espaço quando começa a afetar o garoto e sua família.


Em sua essência, A Música da Minha Vida trata sobre ter liberdade e coragem para ser quem realmente você quer, mas sem esquecer de suas origens. Para quem curte Bruce Springsteen, o longa é um prato cheio. Para quem não curte tanto assim, o filme ainda diverte e te deixa com o coração quentinho.


Título Original: Blinded By The Light

Direção: Gurinder Chadha

Duração: 118 minutos

Elenco: Viveik Kalra, Dean-Charles Chapman, Kulvinder Ghir, Aaron Phagura e outros.

Sinopse: Luton, 1987. Javed (Viveik Kalra) é um adolescente de ascendência paquistanesa, que nasceu na Inglaterra após seus pais migrarem para o país. Proibido pelo pai (Kulvinder Ghir) de ter uma namorada e até mesmo a ir em festas, ele se sente acuado em uma vida que se limita a ir de casa para o colégio, e vice-versa. Um dia, um amigo do colégio (Aaron Phagura) lhe dá duas fitas cassete de álbuns de Bruce Springsteen. Javed começa a ouvi-las e logo se identifica com as canções, que não o estimulam a lutar pelo que deseja. 

Trailer:



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Larissa Lago

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