Crítica: Os Últimos 5 Anos (2014, Richard LaGravenese)


Baseado no musical de Jason Robert Brown, Os Últimos 5 Anos foi inicialmente apresentado em Chicago em 2001 e chegou à Off-Broadway no primeiro semestre do ano seguinte. Por ter adquirido fama nos Estados Unidos e mundo afora, ele foi e continua sendo adaptado para o teatro musical – inclusive no Brasil –, e, para a alegria dos fãs de musicais que não têm a chance de ir ao teatro, ganhou sua versão cinematográfica em 2014.

Essa é a história de um casal, mas, sobretudo, de tudo o que deu certo antes de dar errado. Com Anna Kendrick no papel de Cathy e Jeremy Jordan no papel de Jamie, a trama gira ao redor dessas duas personagens e do seu relacionamento amoroso que durou cinco anos. O fim, o começo, os altos e os baixos – todas as fases do relacionamento dos dois ganham vida através de uma cronologia bagunçada que faz o espectador ansiar por encaixar as peças desse quebra-cabeças.

Por ser quase cem por cento feito de música, esse é o tipo de musical que as pessoas pouco familiarizadas com o gênero podem desgostar. São poucas as falas, o mínimo para o entendimento da história, isso porque as músicas falam mais que bem por si sós, como um bom musical deve fazer.


Embora os atores estejam ótimos em seus papéis, as personagens não são tão carismáticas quanto poderiam ser. Demora um tempo para criar vínculos com elas e se relacionar com o que elas estão passando, o que talvez não seja culpa dos atores, mas da direção e do roteiro. O que mexe mais com os sentimentos do espectador são as músicas e a história em si, não Cathy e Jamie como indivíduos. Há pouco tempo para você se apegar às personagens, e nós só sentimos certo apego a elas a partir da metade do filme, quando se está dentro da história.

As vozes de Kendrick e Jordan se encaixaram perfeitamente nas músicas e foram boas escolhas para os papéis. Ela interpreta a atriz de teatro musical frustrada e que nunca consegue um emprego, enquanto ele é o gênio escritor babaca que vemos em tantos filmes. Por pior que possa parecer, os dois conseguem se virar bem com as características que lhes foram dadas.

A parte mais interessante do filme é, de longe, a montagem. Mesmo que a história não seja contada em ordem cronológica, é possível perceber que há certa cronologia deslinear através das únicas duas músicas nas quais as personagens cantam juntas – The Next Ten Minutes e Goodbye Until Tomorrow/I Could Never Rescue You. O musical trabalha em um círculo perfeito e, em sua cena final, já é capaz de arrancar lágrimas e suspiros.


O uso da fotografia no longa também deve ser ressaltado, já que essa é uma ferramenta impossível de se usar nos palcos. Nas cenas próximas ao fim do relacionamento, seu tom é frio, enquanto as que representam o começo de tudo ganham um tom mais quente, e esse recurso colabora diretamente para o entendimento da narrativa.

Para fãs de musicais, esse filme pode ser uma ótima experiência de 1h34 de duração chegando a ser um vício; mas para os que não gostam do gênero, essa pode não ser a melhor escolha. Os Últimos 5 Anos não é uma obra-prima dos musicais, nada como Os Miseráveis, mas não chega a ser ridículo como Emo, o Musical – aliás, longe disso. Seja pela falta de linearidade na narrativa ou pelas músicas que grudam em sua mente e não ousam sair, vale a pena dar uma chance para essa história te conquistar.


Título Original: The Last Five Years

Direção: Richard LaGravenese

Duração: 94 minutos

Elenco: Anna Kendrick, Jeremy Jordan, entre outros.

Sinopse: Inspirado no musical escrito por Jason Robert Brown, “The Last Five Years” centra-se na tumultuosa relação de um jovem casal. Kendrick vai dar vida a Cathy, uma actriz em ascensão que encontra o amor na figura de Jamie, um jovem actor. A narrativa apresenta a relação dos dois numa perspectiva inversa ao habitual (começa com o momento em que terminam a relação), enquanto captura o primeiro encontro do casal, as separações, o casamento, entre outros momentos.


Trailer:

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Karoline Melo

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