Crítica: Ad Astra – Rumo às Estrelas (2019, de James Gray)

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Ao longo da trajetória do cinema, o espaço foi cenário de múltiplas narrativas, desde do cinema de George Mélies, onde revelou o lúdico na sétima arte, através dos anos o cinema o enxergou de várias formas inovadoras, seja de maneira contemplativa e extenuante com Stanley Kubrick com o seu 2001 – Uma Odisseia no Espaço e Andrei Tarkovski fez com o seu filme Solaris, ou até mesmo pela pura diversão e entretenimento de George Lucas com a sua saga Star Wars. Ultimamente esse cenário e tema foi revistado nos últimos anos com os lançamentos das novas produções como o Gravidade de 2013 além de Interestelar, em 2014 e Denis Villeneuve fez indiretamente com a temática extraterrestre em A Chegada, e até mesmo o notório do Oscar, Damien Chazelle, com O Primeiro Homem, essa tendência continua ainda esse ano com a nova produção de James Gray, de Amantes e Z: A Cidade Perdida, que  aposta no gênero de ficção científica de uma forma mais particular e diferente.

Muito diferente do que se vê nessa tendência de novos filmes sobre o espaço, Ad Astra – Rumo às Estrelas aposta numa direção muito intimista e passional, muito se deve ao foco total no protagonismo do personagem Roy McBride, personagem interpretado por Brad Pitt, que faz um astronauta introspectivo, com suspeita de espectro autista, mesmo assim habilidoso, que recebe a missão de encontrar respostas sobre o desaparecimento do pai (Tommy Lee Jones), que liderou uma missão em busca de vida extraterrestre. Diferente dos últimos filmes espaciais na atualidade, James Gray aposta num caminho muito mais contemplativo e sentimental do que num foco central científico, muito vindo num olhar muito humano do personagem de Brad Pitt, que aqui sua representação introspectiva de autista não é representada de maneira estereotipada, e que serve à proposta do longa.

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Faz sentido dizer isso, pois a sensação fechada e contida do ator debate com o tema do longa sobre a relação de distância emocional que o personagem sente em sua jornada, então o cenário do espaço, dando a noção de infinito, enobrece a atuação de Pitt e completa uma discussão sobre passado, traumas e solidão, fazendo esse um filme espacial muito mais emotivo e sentimental.

James Gray costura a sensação e questionamento com o seu personagem engrandecendo a imagem do espaço, com ajuda da fotografia de Hoyte Van Hoytema e dos efeitos especiais, que mostram uma sensação de extenuante bela e de solidão, e até mesmo uma trilha sonora que denota uma melodia extensa e grandiosa, que quase lembra a do Interestelar, mas também tem a adição de sintetizadores que dão um ar mais futurista para a trama. Até mesmo o o som pode se mostrar útil em alguns momentos do filme, pois o uso do silêncio do espaço com o contra do som contidos com o vácuo do espaço ao poucos ajudam a criar uma sensação de tensão nos momentos mais forte e perigos que o personagem enfrentam alguns momentos.

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Falando do elemento futurista, é denominado que o filme se passa num futuro próximo, e até mesmo um ocorre uma construção de um mundo novo que ajuda complementar o cenário e até mesmo o andamento da trama, porem não são aprofundadas inteiramente e acabam soando gratuitas e até mesmo para ter uma certa liberdade científicas. Isso até mesmo vale para as participações de certos atores como Tommy Lee Jones, Ruth Negga e Donald Sutherland.

Tudo isso à parte, o novo longa de James Gray se mostra um filme diferente do que foi comentado no cenário espacial no cinema, será interessante como ele pode ser encarado pelo grande público, pois o ritmo lento proposital e contemplativo do personagem do longa difere ao que um público espera de um filme sobre o espaço, mas deve ser uma grande figura na premiações nas categorias técnicas, como efeitos especiais e nas categorias sonoras, e se dependendo da sorte e da concorrência, até mesmo o Brad Pitt, pois sua atuação é na maior parte do tempo solitária, e que é algo desafiador e muito presente em premiações.

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Ad Astra – Rumo às Estrelas se mostra com uma proposta muito diferente nessa nova tendência de cineastas talentosos sobre revisitar o tema do espaço sideral e abre a possibilidades para uma diversidade de diferentes abordagens universais sobre esse cenário, então é sempre bem-vindo, talvez não alcance um grande publico no geral , mas é um filme que merece ter uma atenção e demonstra uma assinatura de direção muito única e se mostra muito bem executada.


Título original: Ad Astra

Direção: James Gray

Duração: 123 minutos

Elenco: Brad Pitt, Liv Tyler, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland, Ruth Negga, Kimberly Elise, Loren Dean.

Sinopse: Um astronauta habilidoso, porém muito fechado para o mundo, recebe a missão de encontrar o pai no limite do Sistema Solar, pois as experiências que seu pai realizou coloca em risco a humanidade.

Trailer:

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Ettore R. Migliorança

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