Crítica: O Canto do Sabiá (2019, de Amanda Mergulhão Ferrari)


Um dos gêneros mais apreciados pelos cinéfilos de plantão sempre foi o gênero de fantasia, simplesmente porquê vem da tradição antiga de contar histórias com os aspectos fantásticos e místicos para se debater aspectos essenciais dos seres humanos, seja para narrar fatos incríveis de grandes guerreiros, ou até mesmo simples anedotas lúdicas para transmitir lições de morais para o amadurecimento e a vida.

As tarefas de transformar esses elementos lúdicos em histórias vêm de muito o que se vivencia e no que se apresenta para todos a sua visão de como enxergar o mundo e as pessoas. Esta é a proposta do curta-metragem O Canto do Sabiá.



A produção narra a história de José Bento (Lucas Sabatini), um aspirante escritor cheio de pensamentos lúdicos relacionados ao folclore brasileiro e quer demonstrar o poder de suas histórias para todos ao seu redor, especialmente aos seus sobrinhos Maria (Sophia Lourenço) e Emílio (João Conte), mesmo a contra gosto dos adultos do local, especialmente da governanta Margot (Doda Lançone) e de seu amigo Fernandes (Allex Rigato).

O que se enxerga nesta produção é um senso de responsabilidade de narrar uma trama com uma espiritualidade muito viva sobre o nosso conteúdo cultural do Brasil, especialmente nas referências colocadas ao redor da produção que merece ser destacada tanto na direção de arte quanto nos diálogos dos atores, mesmo que às vezes prejudique algumas falas de vez em quando de alguns personagens em cena.

A emoção que o curta busca demonstrar se deve ao protagonista José Bento, cuja a atuação de Sabatini se mostra entendida da personalidade sonhadora e inspirada do personagem, e a direção se prova à favor de todos os atores em cena para aproveitar o máximo dos talentos do elenco.



A direção de autoria de Amanda Mergulhão também se aproveita da fotografia e direção de arte, que ambas mostram uma paleta de cor muito singela de cor natural do ambiente rural do filme, a produção se mostra cuidado com o retrato de época em equilíbrio com o fantástico contido para garantir o mistério e senso de imaginação do protagonista, e até mesmo do elenco jovem, pois muito a frente a reviravolta justifica muito o que se foi construído e acaba levando não somente a mensagem, mas também a emoção, em que carrega pela boa escolha de trilhas para o filme, exemplo disso é o uso da trilha do piano que acaba se tornando a maior catarse emocional do filme.

Se discute hoje em dia a questão do cinema nacional de produzir obras cujo os temas mais fantasiosos são mais desafiadores e lúdicos, o curta em questão entende o que se apresenta e sente uma noção de responsabilidade de mostrar mais um pouco da nossa cultura, a emoção dos atores, a direção passiva e segura da proposta que enxerga o seu norte e se mantém nessa direção. As vezes que ocorrem essas dificuldades pelo senso de produção independente, é que muitas vezes impede de uma produção mais ousada, porém o que a produção transmite é algo mais simples e mais puxado para a poética do espírito criativo.



Bonito, emocionante e poético, O Canto do Sabiá é uma declaração de paixão sobre narrar histórias e o prazer da criação sem esquecer as suas raízes brasileiras, é uma obra que não busca ser espalhafatosa ou exagerada, apostando mais no senso de espírito e de emoção, tudo para transmitir uma mensagem reconfortante sobre imaginação e de vontade de criar histórias que contam um pouco de nossa identidade.



Título Original: O Canto do Sabiá

Direção: Amanda Mergulhão Ferrari

Duração: 20 minutos

Elenco: Lucas Sabatini, Sophia Lourenço, Doda Lançone, Allex Rigato, Arthur Asson, Luís Holiver e Gustavo Campos

Sinopse: José Bento, um jovem escritor sonhador, almeja escrever histórias sobre criaturas folclóricas de infância, mesmo recebendo críticas de todos os adultos ao redor. Mas a convivência com os seus sobrinhos o fará ter uma epifania que o mudará para sempre.

Trailer:

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Ettore R. Migliorança

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