Crítica: Atentado ao Hotel Taj Mahal (2019, Anthony Maras)



Particularmente acho difícil começar uma crítica de um filme baseado em fatos reais, principalmente quando se trata de um atentado terrorista. Porém esse filme é uma obra profunda e porque não dizer, linda, dos acontecimentos daqueles fatídicos dias que se passaram na Índia. A direção consegue capturar com todas as nuances os acontecimentos desse dia: o olhar perdido e temeroso da população, o da fé inabalável e fria dos terroristas e principalmente das pessoas que se encontravam no Hotel aquele dia. Confira o que achamos desse filme.


O filme é simplesmente brutal e frio sobre os acontecimentos, cruzando histórias de pessoas que tiveram a infelicidade de estar no hotel aquele dia. Como personagem principal, temos o excelente Dev Patel, que trabalha como garçom e se esforça ao máximo para dar sustento à sua família, que consiste em sua esposa grávida e uma filha pequena. Nesse mesmo cenário temos pessoas que trabalham no hotel e seus hóspedes, que são tratados como reis. No meio deles, temos a família de David (Armie Hammer), um americano casado com uma indiana, que estão de passagem e se hospedam lá com seu filho recém-nascido e sua babá.



Em todo o caso, as histórias de vida dessas pessoas ficam em segundo plano, já que o grande x do filme é o ataque coordenado e cruel dos terroristas. A direção não tenta em nenhum momento diminuir a brutalidade ou a violência imposta por eles, que mataram todos que viam, inclusive crianças. Há uma sensação terrível de impotência e revolta, já que a Índia não estava preparada para cuidar de uma situação tão séria. As pessoas que conseguiram sobreviver no hotel foram literalmente salvas pelos empregados, que as esconderam durante dias, até a polícia conseguir invadir. 
 

O diretor Anthony Maras usa imagens reais e conversas gravadas dos terroristas no filme, o que aumenta a sensação de desespero e realidade. O interessante é que existem muitos terroristas mas é como se todos fossem iguais em seus papéis, pois não tem um líder que aparece mais que outros ou que mande mais, eles recebem ordens por telefone e somente essa pessoa é que está à frente das decisões, todos os outros são peões desse insano ato. 




A própria questão do ato fica em segundo plano também, já que as motivações não são aprofundadas, somente pinceladas sobre questões de intolerância religiosa e que gera diversas perguntas sobre quem somos nós para delimitar quem deve morrer? Ou o que é certo e errado? Ou até mesmo em que ponto a ignorância nos leva ao medo e à atos tão egoístas? Me falta palavras para descrever tamanha barbaridade. 



O filme não se torna mais um nesse meio, já que podemos dizer com todas as palavras que ele mostra em todos os ângulos como o ser humano pode ser em seu pior: cruel, desumano e cego. Criando por diversas vezes momentos sufocantes e agoniantes ao telespectador, como se estivéssemos de fato no meio do atentado.


O filme é sobre uma tragédia, uma dentre tantas que vemos durante anos e me entristeço ao pensar que muitos ainda estão por vir. Já que a ignorância, a imprudência e a falta de informação mata mais do que armas em si. A ignorância não é uma benção, muito pelo contrário. Informações mal interpretadas ferem muito mais do que podemos imaginar. A intolerância é um mal que cresce ao mesmo tempo que lutamos contra, cabe a cada um de nós lutar contra o mal, tal qual ele se apresenta. Vimos que graças a perseverança e força de alguns, muitos puderam sobreviver. Acredito que por fim, o filme é mais uma mostra de que violência não leva a lugar nenhum, apenas nos faz regredir como seres humanos.



Título Original: Hotel Mumbai

Direção: Antonhy Maras


Duração: 125 minutos

Elenco: Anupam Kher, Dev Patel, Armie Hammer, Jason Isaacs, Nazanin Boniadi

Sinopse: Uma história real de humanidade e heroísmo, baseada nos ataques terroristas ao famoso Hotel Taj Mahal em Mumbai, na Índia. Entre os sobreviventes, estão o renomado chef Hemant Oberoi (Anupam Kher) e o garçom Arjun (Dev Patel), que escolhem arriscar suas vidas para proteger as demais vítimas. Em meio ao caos, um casal de hóspedes (Armie Hammer, Nazanin Boniadi) se vê forçado a lutar por sobrevivência para salvar a vida de seu filho recém-nascido.

Trailer:




E você? O que acha sobre o tema abordado? Se assistiu ao filme, nos conte sua opinião!

 




Natália

Nada do que eu disser será verdade

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