Análise do Trailer de Coringa (2019, de Todd Phillips)


     Em outubro aguardamos ansiosamente mais uma versão do vilão Coringa. O filme tem direção de Todd Phillips e conta com Joaquin Phoenix para interpretar o tão famoso personagem. É fato que estamos vivendo uma era de crise criativa de roteiro na indústria cinematográfica. Tempo, esse nosso, em que 80% das coisas lançadas são remakes, reboots ou continuações. E apesar de o último Coringa (interpretado por Jared Leto) ter sido mal avaliado tanto por público quanto por críticos, pode ser que tenhamos um bom resultado em outubro. Aqui analisamos o teaser do filme a partir dos detalhes técnicos do cinema e não tanto narrativamente. 

     Como sabemos, o teaser e o trailer são aspectos muito importantes de um filme. Trata-se do primeiro contato que o público tem com o produto cinematográfico. Entendendo cinema como arte e produto, partimos do princípio que não basta querer contar uma história e causar emoções e reflexões, precisamos antes de tudo atrair e vender a ideia/história. E isso o teaser fez muito bem. Analisando a edição do teaser, este nos dá a atmosfera do filme nos vendendo qual é seu tom. Seu tom é sempre contrastante. E contrastante no sentido de que o que se diz em voz off ou o que a letra da música fala é diferente ou até o oposto das imagens que vemos. O conflito seja dentro do roteiro, das ações do ator e principalmente dentro da montagem é algo aclamado no cinema, pois traz curvas dramáticas, picos de emoção, reviravoltas. Acompanhar a vida de um personagem problemático, portanto, torna-se muito mais interessante do que acompanhar algum que não tenha tantos conflitos. E apesar disso, o filme nos vende uma empatia pelo personagem Coringa. Parece que acompanharemos a trajetória de como um homem comum irá perder até o último de seus parafusos. 

     A simpatia pelo Coringa já foi plantada na versão mais marcante do mesmo, que foi a de Heath Ledger. E apesar de terem errado com Jared Leto, esta pode ser a chance de acertarem novamente. 


  Apesar da interpretação de Joaquin Phoenix e sua caracterização se assemelhar à do Coringa de Heath Ledger, este acaba tendo mais camadas. E afinal de contas, é bom que tenha já que este é um filme dele. Queremos adentrar seu universo. Eles se assemelham em alguns momentos que vemos a ironia e a sagacidade nos olhos do ator, quando já está mais surtado, mas além disso carrega alguns elementos que não são observáveis em outros “Coringas”: a melancolia. Sabemos que o personagem não é uma pessoa feliz, mas nunca sua ironia e seu sorriso havia ficado tão humano e nostálgico. A edição promove isso ao contrapor a música Smile, que teria uma mensagem positiva e leve, com cenas de emoção crescente e cada vez mais violentas, sinistras ou melancólicas tentando, assim, alcançar a abordagem que o diretor pretende fazer.


     E uma peculiaridade desta direção é que Arthur Fleck faz uma performance até que “dançante”. Há momentos de maior loucura que vemos no teaser o personagem abrir de braços e alguns movimentos de perna quase que coreografados, como que no auge de seu devaneio. Este novo Coringa pode ser uma versão não só mais humanizada do personagem, mas também representar a frustração de muitas pessoas perante um mundo instável e duro, que muitas vezes mói nossos sonhos. E o protagonista é o resultado de uma das reações frustradas e possíveis ao ver que seu sonho não está sendo alcançado, não importa o que faça.


     O interessante é que percebamos que, apesar de estarmos num universo de heróis, que não esperemos que este seja um filme de ação, mas sim do gênero drama e que, apesar de bem realista, se passa em Gotham. É um filme que representa pessoas com sonhos roubados ou inalcançados apesar dos esforços imensuráveis para concretizá-los e apesar de tentarem manter um sorriso no rosto. 

     Vamos esperar que entre tantos remakes, reboots e continuações feitas para serem meros fan services tenhamos algo que de fato não venha apenas como solução apelativa e prática para a crise criativa e econômica, mas que seja uma versão surpreendente de um dos antagonistas mais marcantes dos HQs e do cinema de super heróis. E quem sabe não acabamos descobrindo que Coringa não se trata de um antagonista, já que o maniqueísmo não está mais em alta.


Trailer:


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Amanda Mergari

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