47º Festival de Cinema de Gramado: Legalidade conta história do movimento liderado por Brizola em 1961


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A vida do político Leonel Brizola ganhou versão cinematográfica. Após a renúncia de Jânio Quadros ao cargo de presidência da República, o vice-presidente João Goulart tornou-se o sucessor natural. Porém, com o receio de o Brasil se tornar um país de esquerda, militares pediam pelo impedimento da posse de Jango.

A partir deste momento, Brizola, interpretado por Leonardo Machado, organizou o movimento Legalidade, que é o nome do filme, dirigido por Zeca Brito, e que foi exibido no Festival de Cinema de Gramado, no último domingo (18). O diretor criou ainda uma personagem chamada Cecília, que é interpretada por Cleo Pires, atualmente usando apenas o nome Cleo.

À princípio, a ideia de criar uma personagem que não existe em uma trama documental não faz tanto sentido. Porém, no início a personagem de Cleo, que é uma espiã disfarçada de jornalista, tem alguma funcionalidade. A estória se perde quando a personagem se envolve em um triângulo amoroso, e acaba tirando um pouco essa ideia de contar a história real do ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.

Mas, ao remontar os fatos da época, o filme agrada. Tem um contexto interessante, conversa bem com imagens reais da década de 1960 e as filmagens atuais do filme. O ator Leonardo Machado contribuiu com uma excelente atuação – foi uma maneira honrada de se despedir das telonas, antes de morrer por conta de um câncer. Foi feita, inclusive, uma homenagem para o ator antes da exibição.

Em coletiva, Cleo respondeu a uma pergunta sobre a elaboração pré-gravações. Ela conta que ''era mais uma preparação assim, dos tempos, da sensação política da época. O fato de a minha personagem ser uma gringa infiltrada e espiã, fingindo ser outra coisa'', explicou a atriz.

O diretor de Legalidade, Zeca Brito, que foi nomeado recentemente como diretor do Instituo Estadual de Cinema do Rio Grande do Sul (Iecine) disse que a arte ''não consegue mudar a sociedade diretamente, mas consegue mudar a consciência de pessoas, que podem mudar a sociedade''.

Para ele, o longa ''fala sobre a fragilidade da nossa democracia, mas a importância da nossa vigilância e atuação. Cada um de nós tem o país dentro de si, quando a gente abre o olho, a gente enxerga o Brasil, quando a gente vai dormir, o Brasil dorme com a gente. Quando a gente morre, morre o Brasil'', declarou Brito.

Ciro Gomes, líder do Partido Democrático Trabalhista (PDT), foi um dos convidados na plateia. Para ele, Legalidade é uma documentação histórica de ''uma pessoa a quem o Brasil deve muito''.

''Esse filme precisa ser visto por todos os brasileiros, principalmente num tempo em que se faz apologia à ignorância, o obscurantismo agride a educação, ciência, tecnologia, a cultura é silenciada, 'desfinanciada', e a superstição tem sido posta como solução para coisas absurdas. É muito importante que a gente veja um filme como esse'', afirmou o político.

Legalidade estreia nos cinemas brasileiros no dia 12 de setembro.

Autora:
Sara Rodrigues
Fonte:

Pedro Blattner

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