Crítica: Lendas do Crime (2015, de Brian Helgeland)




Chega a ser estranho perceber o tamanho do carisma que personagens envolvidos com máfia ou “foras da lei” são capazes de nos cativar e fazer torcer por eles, mesmo quando sabemos de todos seus crimes. Acontece isso com Bonnye e Clyde, Tony Soprano de Os Sopranos e claro com Michael Corleone de O Poderoso Chefão. O que será que esses personagens tem que tanto nos influenciam? Filmes de mafiosos continuam saindo e com o mesmo sucesso, já que a fórmula parece nunca mudar. No filme Lendas do Crime, somos apresentados aos irmãos gêmeos Kray que aterrorizaram Londres nos anos 60. Confira o que achamos a seguir. 


Muitos filmes retratam a época de ouro da máfia, aqui somos apresentados aos irmãos gêmeos: Reggie e Ron Kray, interpretados pelo brilhante Tom Hardy, que está excepcional no filme, conseguindo expressar com toda a suavidade, brutalidade e loucura que os personagens precisavam para encarnar o irmão esquizofrênico e psicopata Ron e o centrado e socialmente estável Reggie. 



Baseado no livro de John Pearson, o filme escrito e dirigido por Brian Helgeland (vencedor do Oscar pelo roteiro de Los Angeles: Cidade Proibida, 1997), conta a ascensão dos irmãos no submundo do crime. Mesmo com a polícia no calcanhar deles, nada parecia afetar seus planos, inclusive cresceram se aliando a máfia americana e comprando boates noturnas, para se tornarem praticamente donos de uma parte de Londres. Claro que isso sempre acontecia com uma pitada de ameaça e violência, mas quem está contando os socos distribuídos no filme?



Como eu disse anteriormente, os personagens não poderiam ser mais distintos em suas personalidades, percebemos em Reggie uma notória liderança e senso de lealdade com seu irmão que é psicologicamente doente, e isso não sou eu que estou dizendo. Mas apesar de ser o irmão mais capaz dos dois, não significa que ele não seja violento e controle seus negócios com mãos de ferro. Entretanto com o passar do filme, percebemos que a influência de Frances (Emily Browning) em sua vida nos faz perceber que ser gângster não é exatamente o que ele sonhava para a vida. Sendo que ser dono de boates lhe trás muito mais satisfação do que se envolver em crimes.




Muito diferente de seu irmão Ron, que nunca quis sair da máfia e que sentia satisfação e um certo orgulho em começar a ser reconhecido na rua e pela polícia como um mafioso. Sendo ele muitas vezes o precursor de diversos problemas para Reggie, que mesmo não gostando, tinha que lhe dar com a situação por ele ser seu irmão. Acredito que isso lhe fez quebrar aos poucos, transformando sua relação com Frances até que ela não suportasse mais suas transgressões. Frances sempre foi tida como uma personagem frágil por seus familiares, porém ela se mostra incrivelmente sensata em suas escolhas, achando porém que Reggie poderia se tornar alguém dentro da lei. Por diversas vezes ele promete isso a ela, mas a influência de Ron é muito grande.

Claro que todo sucesso nessa empreitada veio após muita extorsão e sangue e nada passa desapercebido. Após uma cascata de decisões erradas de Ron, Reggie acaba perdendo o controle. Para dizer a verdade, acredito que ele já não a tivesse a muito tempo e os acontecimentos se tornam impossíveis de serem corrigidos e o fim dos dois já era esperado. Mas nada que tire o brilho das atuações e da história muito bem feita e dirigida. Se você gosta desse tema, indico que assista. 




Disponível na Netflix
Título Original: Legends
Direção: Brian Helgeland
Duração: 127 minutos
Elenco: Tom Hardy, Emily Browning, David Thewlis, Taron Egerton, Christopher Eccleston, Colin Morgan, Joshua Hill, Tara Fitzgerald, Paul Anderson, Chazz Palminteri
Sinopse: Os gêmeos Ronald Kray e Reginald Kray foram gangsters que aterrorizavam Londres na década de 1960. Por trás de inúmeros assaltos à mão armada, ataques e assassinatos, eles ainda eram donos de uma das casas noturnas mais famosas da cidade. Mas os dois tinham um conturbado relacionamento enquanto Reginald buscava tentar controlar as tendências psicóticas de seu irmão.
Trailer:


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Natália

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