Crítica: Good Omens - 1ª Temporada (2019, Douglas Mackinnon)


O que esperar quando a humanidade está nas mãos de um anjo e um demônio? Ainda mais quando depois de milênios se "encontrando" nos mais diversos acontecimentos, eles se tornam melhores amigos. Onde já se viu tamanho despropósito? Bem, graças à eles, o apocalipse começa. Venha ler sobre o que achamos dessa excelente temporada.

Ácida e sarcástica seriam as melhores definições da série, baseada no livro Belas Maldições de Neil Gaiman, caso você tenha lido algo do autor, deve saber que ele gosta - e muito - de falar sobre deuses, universo e tudo que está entre o véu do céu e da terra, aqui não seria diferente.

Somos apresentados a dois personagens muito carismáticos, Aziraphale (Michael Sheen) um anjo muito ingênuo e de bom coração que estava lá no jardim do Éden quando os primeiros homens foram tentados; e Crowley (David Tennant) que não por um acaso também estava lá mas com uma missão muito diferente, foi ele, em forma de serpente, que tentou Eva, levando ela e Adão à expulsão do paraíso. E foi esse o primeiro de muitos encontros inusitados dos dois.


Percebemos com o decorrer dos seis episódios, que a dinâmica está toda na relação dessas duas espécies que, tecnicamente, deveriam ser inimigas, mas indo contra todas as regras, acabam indo contra a sua "natureza". Talvez essa seja uma das tantas ironias que a série retrata, percebemos que tudo o que acontece de importante na humanidade tem um dedo dos dois. Tanto para o bem como para o mal, claro. Crowley descobre que tem uma missão, entregar o anti-cristo para os pais certos, para que com a sua criação, o apocalipse venha a acontecer. Entretanto, essa missão é ingrata, já que após tantos anos vivendo entre os humanos, ele acaba gostando da Terra. 

Mas é claro que nem tudo sai como o planejado, após uma confusão, as crianças são trocadas e ninguém sabe onde o escolhido vai parar. Por outro lado, eles não sabem dessa bagunça e acabam por olhar a criança errada, ensinando tanto o bem, quanto o mal, para que ele escolha o que fazer quando chegar a hora. 


Se você se ofende com determinadas piadas sobre religião, definitivamente essa série não é para você. Somos levados a entender o meio termo em relação a natureza dos nossos personagens principais, Crowley por exemplo, não sente tanta satisfação em fazer o mal de verdade, por assim dizer, como trazer o apocalipse. Durante os episódios vimos que as maldades que ele faz, são exclusivamente para irritar os humanos, não causar mal. O que é mal visto pelos seus companheiros no inferno, que tem uma visão muito mais elaborada de suas maldades e Aziraphale com sua inocência quase infantil, se sente oprimido pelas tais leis que regem os anjos, como a burocracia e a guerra que está por vir, guerra essa esperada há séculos pelos dois lados, para finalmente descobrir quem irá ganhar, mas em momento algum, os humanos são lembrados. O que definitivamente não entra na cabeça de Aziraphale, que assim como Crowley, começa a ter apresso pelos humanos e sua cultura.


Se por um lado eles acham que estão cuidando do anti-cristo, por outro a verdadeira criança está crescendo em um lar cheio de amor, sendo assim, o destino do mundo está nas mãos do livre-arbítrio. Deus, ao narrar os acontecimentos deixa no ar algumas questões que são debatidas nos episódios, como, será que o que aconteceu era mesmo a vontade Dele e tudo o mais foi manipulado ou não passou do simples e puro destino? De fato essas perguntas não chegam a ser respondidas mas fica a dúvida no ar, as respostas dependem mais da forma que vemos os acontecimentos. O mal está em cada um de nós, independente das influências que absorvermos durantes os anos? Ou escolhemos ser maus por vontade própria? Sem contar as histórias paralelas que se encaixam perfeitamente com a história, mesmo não parecendo a princípio.

A série mesmo em meio a tantas ironias sobre a vida, discute muito sobre a evolução humana e como entendemos a humanidade em si. O que é ser humano? Somos assim tão facilmente manipulados? Assista e descubra!





Título Original: Good Omens



Direção: Douglas Mackinnon



Episódios: 6

Duração: 60 minutos aproximadamente

Elenco: Michael Sheen, David Tennant, Sam Taylor Buck, Jon Hamm, Frances McDormand, Adriana Arjona, Miranda Richardson, Michael McKean

Sinopse: O fim do mundo está próximo e as pessoas se preparam para o juízo final. Mas o anjo Aziraphale e o demônio Crowley não estão nada animados com o final dos tempos. Agora, os dois se unem para tentar encontrar o anticristo e evitar que o apocalipse aconteça.

Trailer:

E você? Gostou da série?



Natália

Nada do que eu disser será verdade

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