Crítica: Calibre (2018, de Matt Palmer)


Se fosse para descrever e analisar o filme com poucas palavras as escolhidas seriam: paranóia, tensão, casualidade e angústia. Essas emoções são bem sentidas ao longo do filme, porém o que mais assusta é a questão da casualidade, pois parte de um evento casual  gerando uma situação extrema e uma mudança real nos personagens principais. 

Dois amigos, Vaughn (Jack Lowden) e Marcus (Martin McCann), que possuem personalidades um pouco distintas um do outro, resolvem viajar para uma vila na Escócia, a fim de fazer uma espécie de viagem diferente, para aproveitar e comemorar os velhos momentos, já que Vaughn em breve será pai. Para tanto, decidem por passar um final de semana na caça esportiva. Porém, o que parecia uma viagem normal, se transforma em um pesadelo, quando uma espécie de acidente acontece no campo de caçada. 


Esse acidente é a peça chave que desencadeia a trama até o final, conseguindo, em primeira iminência fazer com maestria a questão da utilização da simpatia com os personagens, para conciliar em uma situação de submissão dentro da trama. Ainda mais que, apesar das atitudes negativas e desastrosas dos jovens, passamos a torcer para eles saírem impunes da situação, ou seja, existe um jogo reverso, muito bem desempenhado, mesmo que o comportamento seja inadequado. 

Calibre não oferece nada novo narrativamente falando, o roteiro do thriller é bem convencional, e com certeza você já deve ter visto moldes parecidos.  A história é ponderosa e utiliza a situação para poder falar sobre como o pânico possibilita reações em cadeia. Essencialmente ainda existe uma tomada de decisões bem acertada para as diversas reviravoltas, o que um bom suspense sempre pede. 

É perturbador ver o declínio dos personagens após o acidente, enquanto a situação fica cada vez mais tensa. Outro ponto a se ressaltar, é a situação que se expande realisticamente e sobretudo tragicamente. 


O clima criado se deve muito pelo ambiente passar boa parte noite. O trabalho de fotografia é bem competente trazendo cores escuras e sem vida que funcionam muito bem com uma trilha sonora comum, mas extremamente funcional. Outro recurso bem utilizado foi a edição, administrada com cenas frenéticas e silenciosas fazendo com que você permaneça na dúvida entre estar paranoico com os personagens ou a cidade perceber que havia algo de errado. 

O filme conta com boas doses de tensão e angústia. É o típico longa que te faz permanecer na tela, aflito, em busca de saber o que poderá acontecer em seguida. Além disso, o filme busca fazer uma crítica construtiva em volta da amizade e te faz refletir sobre o que tu faria no lugar dos personagens. Para tanto, ainda caminha para um final inesperado e emblemático.



Título Original: Calibre

Direção: Matt Palmer

Duração: 101 minutos

Elenco: Ian Pirie, Jack Lowden, Martin McCann, Tony Curran, Cal Macaninch, Cameron Jack, George Anton, Kate Bracken, Olivia Morgan Scheck, Rob McGillivray, Threse Bradley. 

Sinopse: Dois amigos de longa data viajam até uma isolada vila escocesa para um final de semana onde possam caçar juntos. Mas nada os preparariam para o que iria acontecer. 

Trailer:

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Guilherme Regert

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