Crítica: Newness (2017, de Drake Doremus)



Quantas vezes você já se apaixonou ou achou estar apaixonado até agora? Quantas vezes você gostaria que isso tivesse dado certo? Em um mundo onde tudo é muito fácil, inclusive os relacionamentos, somos arrastados a sentimentos vazios e imaturos, onde é perigoso dizer como se sente e Deus nos livre gostar de alguém que não quer nada conosco. 

Newness é um filme dramático na medida certa sobre tudo isso que eu acabei de descrever. Romance, amores vazios, relacionamentos onde desde o princípio tudo está muito às claras. Mas o que acontece quando os sentimentos começam a mudar a gente?



Conhecemos duas pessoas: Martin (
Nicholas Hoult), um farmacêutico jovem que vive sua solteirisse o máximo possível e Gabriela (Laia Costa), uma fisioterapeuta que apesar de ter uma vida semelhante à de Martin, cada um apresenta sua própria carga emocional. Nosso casal principal se conhece em um aplicativo de encontros, muito semelhante ao Tinder que conhecemos no Brasil, deixam suas escolhas bem definidas desde o primeiro encontro e, o que era para ser apenas um sexo casual, vira um relacionamento sério. Em pouco tempo, eles estão morando juntos e dividindo uma vida a dois e claro que quando isso acontece muita coisa vem à tona.



Martin omite algumas questões familiares que fazem com que Gabi duvide do seu amor e de estar realmente inserida na sua vida como ela imaginava. Aos poucos, os dois vão se quebrando e isso é muito sublime de se assistir, pois, parece que de um dia para outro, as dúvidas que antes eram parte de uma briga começam a criar asas e viram questões como: “Será que é isso mesmo que eu quero?”. 


O filme trata muito como cada um de nós tem que lidar com a “escuridão” do outro. E isso pode ser amplamente debatido. No caso do nosso casal, Martin carrega consigo questões que ele não está aberto a discutir, talvez por instabilidade emocional ou por simplesmente não querer tocar na ferida. Gabi já se mostra o oposto, ela quer essa escuridão para si e tenta atravessar as barreiras sem muito sucesso. 


Não é egoísmo, é apenas medo. O medo nos paralisa e por vezes, nos faz fazer coisas que não queríamos. Tal medo que ao meu ver carrega muito mais uma opinião forçada de que a sociedade espera que você faça e do que você realmente quer fazer. Não permitindo que sejamos quem queremos ser. Quando eles percebem que podem ser verdadeiros sem culpa do que, antes segundo eles, o transformariam em monstros, agora que tudo está às claras, a escuridão deles não é tão perturbadora, muito pelo contrário, elas se completam. 


Eles param de tentar ser o casal padrão e passam a por suas vontades em primeiro lugar, juntos. Quando isso acontece eles se tornam melhores com eles mesmos e na relação em si. Qual o problema em ter mais de um parceiro ou escolher ter um namoro aberto? Tudo é uma questão de opção. As opções existem e estão aí para fazer cada um de nós mais felizes, no filme, isso é muito explorado e de forma saudável. Não coloca em nenhum momento algo negativo em relação às escolhas d
o casal e muito menos inferioriza a mulher por querer ter um relacionamento diferente. Tudo é válido desde que ambos estejam de acordo. 


Porém, mesmo querendo deixar inteiramente às claras, sempre haverá algo que será somente seu. Algo que não quis ver antes ou escondeu tão fundo que nem você mesmo estava se dando conta até alguém tocar no assunto. Tudo é passageiro. Escolhas, vontades e relacionamentos (?). Segundo o filme, tudo é uma estrada que leva a diversos lugares e muitas vezes voltamos ao início. E tudo bem, a caminhada é necessária para auto conhecimento. 

Por fim o que realmente importa é não desistir de quem amamos. Afinal, é preciso coragem para se apaixonar.




Título Original: Newness

Direção: Drake Doremus

Duração: 117 minutos

Elenco: Nicholas Hoult, Laia Costa, Mathew Gray Gubler, Danny Huston, Courtney Eaton

Sinopse: Na Los Angeles contemporânea, dois jovens navegando em uma cultura de conexão social baseada em mídia começam um relacionamento que força limites emocionais e físicos.

Trailer:

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Natália

Nada do que eu disser será verdade

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