Crítica: Disque Amiga Para Matar (2019, de Liz Feldman)


A Netflix segue cumprindo sua promessa de lançar mais produções originais neste ano. A estratégia já foi elogiada e criticada por diversos motivos, e já assistimos produtos considerados bons e ruins. Em meio a tantas opções, Disque Amiga Para Matar, lançada no começo de maio, com certeza é uma daquelas produções que deveria ter uma divulgação maior e é uma joia quase escondida no catálogo.

A história toda gira em torno da morte de Ted, que foi atingido por um carro enquanto caminhava. Mesmo após três meses da noite do crime, sua esposa Jen Harding (Christina Applegate) ainda busca incansavelmente encontrar o motorista que acertou Ted e não parou para ajudá-lo, resultando em sua morte. Em meio à sua investigação pessoal, ela decide entrar para um grupo que ajuda pessoas a lidarem com o luto e encontra Judy Hale (Linda Cardellini), uma pessoa de espírito livre, mas que guarda um grande segredo.


Apesar de ser uma mulher durona e difícil de agradar, Jen cede aos encantos da sensível Judy e logo as duas se tornam grandes amigas. De primeira, a rápida amizade é questionada pelos filhos de Jen, Henry (Luke Roessler) e Charlie (Sam McCarthy), mas em poucos episódios os meninos cedem e os quatro tentam construir um sentimento de família, até que certos eventos começam a acontecer e a suspeita cresce em torno de Judy, seu ex-marido Steve Wood (James Marsden) e também de Jen.

Essa é uma série difícil de falar sobre sem dar grandes spoilers, pois a cada episódio descobre-se uma nova peça do quebra cabeça que é a cena do crime e como cada personagem está envolvido. Os episódios sempre terminam com um gancho que te deixam com vontade de maratonar a série, e até o décimo e último episódio deixa uma ótima brecha para uma possível segunda temporada.


O que aparenta ser uma simples história sobre uma viúva inconformada com a morte repentina de seu marido se mostra um grande drama com uma pitada de suspense e personagens cheios de camadas. O roteiro conta com algumas facilidades, mas nada que atrapalhe a narrativa pouco previsível da série. A criadora Liz Feldman é conhecida por escrever comédias, portanto vemos uma boa dose de humor – principalmente humor ácido – no decorrer da história.

A ótima química entre todos os atores não passa despercebida, sobretudo entre Christina Applegate e Linda Cardellini. Além de serem grandes atrizes, as duas dão vida a personagens fortes que enfrentam problemas sérios, a maioria deles conhecidos pelas mulheres na vida real, e lutam para serem ouvidas, mas também se mostram pessoas que precisam de um ombro amigo de vez em quando.


Alguns assuntos expostos na série não sensibilizam somente o espectador, a própria Christina Applegate contou que precisou fazer terapia após interpretar Jen. Isso por conta de, principalmente, já ter passado pelo mesmo procedimento médico que sua personagem expõe na série.

Além de abordar o luto e como cada um lida com ele do seu jeito, Disque Amiga Para Matar debate, de forma natural, assuntos como feminismo, educação de filhos, relacionamentos abusivos, aborto e, como citado acima, o câncer de mama. Todos esses fortemente ligados à mulher e, consequentemente, a Jen e Judy.

De certa forma, pode-se dizer que a série quebra a barreira do entretenimento e passa a ser também um serviço, aumentando sua relevância. Assim, com uma narrativa quase impecável, personagens bem construídos e um bom elenco, Disque Amiga Para Matar consegue ser uma das melhores produções do ano da Netflix. 


Título Original: Dead To Me

Direção: Liz Feldman

Episódios: 10

Duração: 30 minutos 

Elenco: Christina Applegate, Linda Cardellini, Luke Roessler, Sam McCarthy, James Marsden, Max Jenkins, Brandon Scott e outros.


Sinopse: A história da grande amizade que surge entre Jen (Christina Applegate), que ficou viúva depois da morte do marido em um acidente de carro, e Judy (Linda Cardellini), uma mulher moderna e de mente aberta que esconde um grande segredo.

Trailer:

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Larissa Lago

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