Crítica: Cemitério Maldito (2019, de Kevin Kölsch e Dennis Widmyer)

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Cinema e Stephen King parece que andam de mão dadas. O popular escritor de terror sempre foi alvo de inúmeras adaptações cinematográficas, o que não é surpresa, afinal ele já admitiu em seu livro de não-ficção Sobre a Escrita, que muitas de suas influências para construir seu estilo narrativo deriva do cinema, mais especificamente o cinema trash dos anos 1950. O que deve explicar a razão de que seu estilo se adeque à sétima arte, pois os seus livros possuem uma estética narrativa muito imagética, que levam ao seu “fácil” veículo para cinema, rendendo desde filmes antológicos como O Iluminado de Stanley Kubrick e Um Sonho de Liberdade de Frank Darabont, ou até mesmo singelos e bem-sucedidos filmes como Misery - Louca Obsessão, Conta Comigo, Carrie – A Estranha entre outros, além de grandes desastres como A Torre Negra e Conexão Mortal.

Já é evidente o amplo catálogo de produções que derivam das obras de King, e muitas vezes fica uma questão quando nasce uma nova adaptação de uma obra que já recebeu sua visão para o cinema, ou em palavras mais curtas, quando surge um remake dela. 

O exemplo mais recente é o sucesso de terror/aventura It – A Coisa, que em breve ganhará uma continuação para encerrar sua história. Normalmente quando um filme faz sucesso, outros estúdios buscam o sucesso vindo da mesma fonte, o que nos leva a esse novo Cemitério Maldito

A obra em questão possuiu uma certa fama diferenciada, uma de que o próprio King admitiu que ao terminá-la de escrever, hesitou em publicar por considerar a trama muito perturbadora até mesmo para o seu gosto. Outra notoriedade é o fato de sua primeira adaptação de 1989 dirigida por Mary Lambert, que mesmo tendo umas irregularidades, ganhou o status de cult entre os fãs do escritor além de ser marcante pela música-tema da banda Ramones.

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Chega-se então ao remake comandado pela dupla de novatos, Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, onde tentam apresentar uma nova forma à história macabra do cemitério amaldiçoado para novos espectadores. O desafio de fazer uma refilmagem é querer trazer sua identidade para o filme, para que não seja uma mera cópia moderna de um longa cultuado. Por isso vem a decisão dos roteiristas Matt Greenberg e Jeff Buhler, que pode ser perigosa em certos casos, de remodelar a trama original do livro, afinal é sempre bem-vinda, não que isso seja empecilho, já que a obra cinematográfica mais marcante do escritor que é O Iluminado, possui a característica de não ser fiel a proposta do livro original. 

Esse novo Cemitério Maldito não chega a ser extremista como é a obra de Kubrick em termos de mudanças na história, é muito mais em detalhes para se adequar à estética mais convincente em filmes de terror atuais, e deve-se admitir que são muitos boas, não a questão da forma da ideia em si, mas sim no ponto de respeitar a fidelidade da essência do livro, que era transmitir um conto macabro e pessimista sobre a morte. Exemplo disso é o seu fechamento, deixando sensação de desconforto que Stephen King teve ao finalizar seu livro anos atrás.

Isso parece promissor conforme o filme segue, mas qual é a sensação que se passa ao longo da produção durante sua exibição? A sensação que se permanece é inevitável: a de oportunidade perdida. Esta produção é um dos clássicos exemplos onde se vê um longa com uma variedade de ideias que poderia classificar a produção digna da obra do Mestre do terror, mas que infelizmente só permanece na ideia, e não na execução.

A execução, quando se trata de obra cinematográfica, é a da direção, e é nesse fator que o filme peca. A dupla de cineastas demonstra controle certeiro em específicas áreas e falha nas essenciais. As específicas são em direção de atores e até mesmo musical, na qual conseguem fazer bom proveito dos talentos em seus atores, onde os destaques vão para Jason Clarke, que imprime bem a sensação do pai obcecado pelo medo e tristeza de perder entes queridos, a da criança Jeté Laurence onde sua transformação de uma criança comum para algo maligno é assombroso como deve ser, e até mesmo o veterano John Lithgow onde mostra uma fragilidade que quebra o estereótipo do vizinho sinistro que o longa de 1989 demonstrava em seu personagem. A parte musical também tem seus certos momentos, composta por Christopher Young, capta um senso de macabro misturado com melancolia, meio que tonalizando o clima pessimista que a história quer atingir.

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Já a parte essencial é exemplificada com sua fotografia, feita por Laurie Rose, que falha pelo excesso de baixa iluminação, muito escura e desnecessária em momentos chave no filme, e como muitas vezes a fotografia é o que ajuda a criar o clima de qualquer produção de vários gêneros, se os diretores não têm esse controle, é visto que eles não conseguem construir a sensação de medo e terror que era o objetivo. Talvez a falta de experiência deva ser esse fator que é determinante, até mesmo mostrar certas tentativas de criar o ambiente de claustrofobia que está ditando a nova tendência de terror atuais como Hereditário, A Bruxa e Corrente do Mal. Porém, que cai na armadilha do jump-scare e cria uma sensação muito desconexa que uma história tão sinistra deveria atingir.

Nota-se que esse novo filme demonstra intenções boas e que prometia ser uma adaptação tão emblemática e marcante como a obra de Stephen King e como as citadas acima nesta resenha, só que se comparar com essa produção com as demais do mestre King, sua diferença marcante nasce na execução, e o novo Cemitério Maldito demonstra que a importância da boa direção é o que concretiza essa visão para um filme funcionar, ou fazer um filme entrar naquele patamar de adaptações/refilmagens que não serão marcantes comparado ao potencial. Infelizmente ficará para a próxima oportunidade.


Título Original: Pet Sematary

Direção: Kevin Kölsch e Dennis Widmyer

Duração: 101 minutos

Elenco: Jason Clarke, John Lithgow, Amy Seimetz, Jeté Laurence, Obssa Ahmed

Sinopse: Uma família se muda para uma nova cidade pequena querendo recomeçar a vida, mas ao descobrirem que perto do terreno da nova residência existe um cemitério de animais com um passado macabro, coisas terríveis e não naturais começam a acontecer provando que a morte é mais sinistra do que se imagina.

Trailer:

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Ettore R. Migliorança

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