Crítica: Support The Girls (2018, de Andrew Bujalski)



Support The Girls é uma comédia dramática estrelada por Regina Hall (de Todo Mundo em Pânico e Viagem das Garotas) que narra um dia ruim na vida da gerente Lisa enquanto se esforça para supervisionar o bar onde trabalha, o Double Whammies – um lugar estilo Hooters que explora a sexualidade de suas garçonetes para atrair clientes. Lidando ao mesmo tempo com os problemas do emprego e os dilemas de sua vida pessoal, Lisa ainda encontra tempo para dar apoio às suas colegas de trabalho, criando uma espécie de família entre elas. A protagonista se vê constantemente sobrecarregada tentando tomar para si as adversidades das pessoas à sua volta e se encontra em um impasse entre ajudar os outros e a si mesma. 

Em seu novo trabalho, o diretor Andrew Bujalski foge de narrativas óbvias sobre empoderamento feminino, explorando o relacionamento entre as personagens através do cotidiano onde trabalham e desenvolvendo entre elas laços afetivos realísticos. Embora o filme seja escrito e dirigido por um homem, Bujalski se preocupa bastante em representar suas personagens femininas com verossimilhança, nunca cedendo a estereótipos. Ainda que algumas personagens pareçam a princípio representações superficiais, como a sorridente Maci (Haley Lu Richardson), ao decorrer do filme vemos suas particularidades aparecerem expondo a tridimensionalidade da personagem. Mesmo com sua curta duração, a comédia mostra que cada uma das meninas é muito mais que apenas uma garçonete e todas carregam uma história além do que é visto. 


E a atuação de Regina Hall é o ponto alto do filme, complementando a complexidade da protagonista. Hall, embora em muitos momentos contida, expressa com suas feições todo o leque de emoções que Lisa carrega no decorrer do longa, desde um semblante cansado até um olhar raivoso. Mais conhecida por sua atuação espalhafatosa como Brenda em Todo Mundo em Pânico, aqui Regina Hall demonstra que é capaz de ir muito além de estereótipos racistas como a "negra escandalosa" e entrega ao público uma personagem com quem é extremamente fácil se identificar. O filme se opõe a representações caricatas e desconstrói esses estereótipos trazendo assim uma protagonista  bem desenvolvida. E ter Hall como centro da narrativa mostra a importância do debate sobre diversidade no cinema.

O filme é perspicaz em trazer questões da vivência feminina, como o assédio que as garçonetes constantemente sofrem dos clientes ou o fato de Lisa comandar sozinha o bar e não receber nenhum reconhecimento de seu chefe, e critica esses problemas através das atitudes de suas personagens que no fim não toleram mais esses comportamentos. Quando Lisa decide se demitir, as meninas que trabalham com ela, em especial Maci (Haley Lu Richardson) e Danyelle (Shayna McHayle), saem do emprego em solidariedade à ela, demonstrando uma verdadeira sororidade. A comédia traz várias questões feministas dentro do cotidiano dessas mulheres sem se esforçar para ser político, além de trazer uma representatividade necessária que em momento algum parece forçada. 


Com um elenco extremamente cativante, um roteiro despretensioso com diálogos fluidos e uma direção consciente, o filme entrega uma história que entretém ao mesmo tempo em que nos faz refletir sobre a situação daquelas mulheres. É aquele tipo de comédia que entre cada risada faz o espectador repensar um pouco sobre a própria realidade em que vive. Support The Girls, mesmo comentando sobre questões sociais, nunca tenta ser mais do que é, um filme sobre pessoas comuns tentando fazer o melhor possível para passar o dia.




Título Orignal: Support The Girls

Direção: Andrew Bujalski


Duração: 94 minutos


Elenco: Regina Hall, Haley Lu Richardson, Shayna McHayle, AJ Michalka, James LeGros e Lea DeLaria

Sinopse: Lisa Conroy (Regina Hall) é a gerente do restaurante Double Whammies, ela adora o lugar, seus clientes e protege ferozmente suas funcionárias. Porém tem que lidar com os dilemas do lugar e com a incompetência de seu chefe.


Trailer:

Se viram o filme, comentem aqui o que acharam. E se ainda não viram, não deixem de conferir!

Gabriel Magarão

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