Crítica: Shazam! (2019, de David F. Sandberg)


As mudanças dentro da DC Comics continuam fazendo efeito positivo em suas produções. Visto que, se assemelhar à sua concorrente Marvel em criação de um universo estendido não trazia bons frutos cinematograficamente, a impulsão de Mulher-Maravilha e Aquaman como obras direcionadas para a apresentação dos personagens trouxeram uma nova atmosfera e deixaram os fãs entusiasmados com a fórmula seguida. Em Shazam! não foi diferente, mesmo não sendo um dos heróis mais populares, o filme manteve a qualidade dos filmes solo e trouxe uma trama recheada de aventura e diversão, mesclada aos problemas que alguns adolescentes passam no cotidiano. Afinal de contas, quem nunca sonhou em ser um herói na infância?



Imagine o que você faria se algum dia recebesse poderes mágicos e se tornasse um herói dizendo apenas uma palavra? Talvez você sairia entusiasmado por aí testando suas habilidades e salvando o mundo. E foi assim que esse questionamento teve a excelência de ser traduzido por David F. Sandberg (Anabelle 2: A Criação do Mal) em sua direção. Deixando de lado momentaneamente o terror, o diretor empregou bem o que vinha sendo feito e abordou mais do que uma simples história de super-herói. O estudo feito por Sandberg em dar consistência na trama do protagonista deu um alento a mais dentro do filme, buscando compreender elementos que, tanto o herói quanto o vilão, seguem caminhos diferentes com praticamente as mesmas barreiras que a vida impõem. 

Essa questão social bastante aprofundada mostra que nem todos os caminhos estão ligados a um "final feliz". De início, somos apresentados ao mirim Thaddeus Sivana (Mark Strong), uma criança que sofre com os abusos ofensivos do seu irmão mais velho e de seu pai. Sempre taxado de incompetente, a sua filosofia de vida foi sempre voltar ao lugar que visitou na noite do acidente sofrido e provar o quanto pode ser alguém de extrema importância na vida. Do outro lado, Billy Batson (Asher Angel), um jovem que vive apenas focado em  encontrar a sua mãe, anos depois da mesma ter sumido em um passeio ao parque, até ser levado para o mago misterioso (Djimon Hounsou) e adquirir os poderes mágicos, se tornando Shazam!.



Para isso dar certo, o elenco do arco principal tinha que ter uma química que pudesse canalizar o que o roteiro pedia. A escolha de Zachary Levi (Thor: Ragnarok) para interpretar o herói foi um tremendo acerto. A desconfiança que muitos apresentavam antes do filme foi transformada em contemplação com a simplicidade que o ator deu ao herói. Zachary resgatou quase que igualmente a inocência que viveu como Chuck, na série de mesmo nome de 2007. Ao lado de  Jack Dylan Glaer, o ator traduziu bem a experiência e a vivência de uma criança com o corpo de um adulto, relembrando bastante um clássico do cinema, Quero Ser Grande, de 1988. Além disso, a dedicação nos treinamentos e se equiparar fielmente ao personagem conseguiu convencer os fãs de que o ator entregaria perfeitamente aquilo que foi imposto aos escritores do filme.



Shazam! não trouxe nada de inovador, apenas manteve a fórmula modificada que a DC segue e vai continuar seguindo daqui em diante. Sendo um ponto fora da curva, conseguiu ser fiel aos quadrinhos e apresentou muita consistência na sua história, viajando nas referências de filmes dos anos 80/90 como Os Goonies, Um Herói de Brinquedo e o já mencionado Quero Ser Grande.



Título Original: Shazam!

Direção: David F. Sandberg

Duração: 119 minutos

Elenco: Zachary Levi, Asher Angel, Mark Strong, Jack Dylan Grazer, Djimon Hounsou, Grace Fulton, Ian Chen, Faithe Herman, Cooper Andrews e Marta Milans 

Sinopse: Billy Batson (Asher Angel) tem apenas 14 anos de idade, mas recebeu de um antigo mago o dom de se transformar num super-herói adulto chamado Shazam (Zachary Levi). Ao gritar a palavra SHAZAM!, o adolescente se transforma nessa sua poderosa versão adulta para se divertir e testar suas habilidades. Contudo, ele precisa aprender a controlar seus poderes para enfrentar o malvado Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong).

Trailer:

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Fagner Ferreira

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