Crítica: O Silêncio (2019, de John R. Leonelli)


Sabe, aquele filme que tu eventualmente assiste o trailer e acaba sofrendo a ilusão de que pode se tornar um bom entretenimento? Esse é o caso de The Silence, filme original que a Netflix lançou há pouquíssimo tempo no streaming e cá estamos trazendo a crítica fresquinha dele. 

A história, começa apresentando de como surgiram as "vespas", criaturas nas quais os personagens vão conhecendo e que foram libertadas após a escavação de uma caverna. Não existe aqui uma resistência para mostrar ou fazer algum mistério sobre elas, sem rodeios, nesse aspecto. 

Enquanto os jornais e emissoras de televisões locais, divulgam imagens dos ataques dessas bestas, pessoas procuram modos de sobreviverem. Apesar de terem informações para ficarem em silêncio e não sair de casa, a família de Ally (Kiernan Shipka), conhecida por seu papel em O Mundo Sombrio de Sabrina, resolve justamente sair de sua residência.



Apesar de uma premissa pretensiosa, de uma abertura que deixa o público curioso em seus primeiros 20 minutos, tudo começa a desmoronar. O roteiro que começa bem interessante, começa a se mostrar monótono e mais adiante chegamos à conclusão que ele é sofrível. Aqui verificamos aquela velha anomalia do cinema: elenco de peso ajuda bastante, mas não faz milagre. 


Com a apresentação das criaturas logo no início as surpresas perdem impacto pelo motivo de uma isenta introdução de clichês pós-apocalípticos, com uma ameaça super previsível, passamos até a adivinhar o que vai acontecer na continuação do longa.

 

Não posso deixar de citar aqui, a tentativa de uma cópia praticamente fiel de Um Lugar Silencioso ( Link da crítica aqui). É inerente e descancarado essa tentativa de plágio. Os pontos em comum são muitos. Uma filha com dificuldade de audição que usa a língua de sinais para se comunicar (tanto que todos os membros da família conhecem as Libras), a presença de criaturas de caráter desconhecido, e o principal: a indispensabilidade de fazer silêncio o tempo todo.  

Porém, mesmo com essa comparação existe um grande diferencial: Um Lugar Silencioso é muito mais competente e eficiente, tanto que foi uma das melhores produções de 2018, onde a edição de som é um primor de tão bem feita. Seria até uma hipocrisia dizer que The Silence consegue seguir os passos, pois o que vemos é uma obra genérica, amplamente inferior. 

Com o roteiro inteiramente bagunçado busca-se ainda de alguma forma salvar o filme, mas isso não acontece. O aparecimento de uma seita (vamos combinar que isso não faz o menor sentido), não surte o menor efeito, dada a circunstância de que ocorre tão rápido que mal se dá tempo para o aprofundamento dos personagens.



Por fim, o filme denota fragmentos de muitas outras obras, cheio de furos e atitudes sem lógica, e muitas vezes não encontramos nenhuma explicação para os acontecimentos, alternando em momentos cansativos e alguns até interessantes, mas está muito longe de ser um bom filme, ao contrário, é limitado e obsoleto. Ficamos aqui na espera de a Netflix produzir um bom filme de terror, o que já vimos que está sendo bem difícil nos últimos anos. Ah, o final ainda abre uma ponta para uma possível continuação, é osso...


Título Original: The Silence

Direção: John R. Leonelli 

Duração: 90 minutos 

Elenco: John Corbett, Kate Corbett, Kierman Shipka, Miranda Otto, Stanley Tucci, Billy MacLellan, Dempsey Bryk, Kyle Harrison Breitkopf, Sarah Abott, Taylor Love. 

Sinopse: Em um mundo pós-apocalíptico, uma família luta para sobreviver em um cenário completamente devastado por algum tipo de espécie desconhecida. Aprendendo a caçar para comer, eles contam apenas uns com os outros em um planeta onde agora quase ninguém é confiável. Enquanto a iminência de um desconhecido ataque final assola seus pensamentos, só lhes resta tentar entender as circunstâncias.

Trailer:


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Guilherme Regert

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