Crítica: A Maldição da Chorona (2019, de Michael Chaves)

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O universo de Invocação do Mal cada vez mais tenta impulsionar o seu método de implantar histórias de terror, resgatando as principais referências de filmes consagrados do gênero. A gama de diversidades contadas, entretanto, entra em um colapso de desiquilíbrio trazendo à tona as questões de continuar com a ideia de apostar na expansão deste universo, mesmo com a notabilidade que atiça a curiosidade de quem assiste o filme. Chega agora aos cinemas A Maldição da Chorona, mais um filme que tenta alavancar ainda mais toda a proposta de Invocação do Mal, mas será que a qualidade tem a mesma consistência da franquia?


A nova história conta sobre a personagem título do filme, um folclore sobre uma mulher que afogou os seus filhos por ciúmes, se desmanchando em lágrimas logo após o fato. Assim, um terrível destino foi-lhe imposta: o seu choro foi amaldiçoado por toda eternidade. Vivendo nas sombras, vaga pelo mundo querendo capturar crianças para tentar substituir os filhos que a mesma matou. Para não perder seus filhos,  Anna Tate-Garcia (Linda Cardellini), uma assistente social, irá fazer de tudo para os manter em segurança, já que a mesma virou alvo após um fato.

Essa premissa interessante logo é posta em cheque com a proposta da narrativa em querer repetir a mesma fórmula de outros filmes do gênero e do próprio universo de Invocação do Mal. O mais recente resultado, A Freira, foi um fracasso total nos cinemas, por parte da crítica, e deixou mais fervoroso o debate deste universo. A Maldição da Chorona não foge desta linha de raciocínio e comete os mesmos erros. O diretor Michael Chaves não consegue trazer algo de novo, aposta nos famosos e fadigados jumpscares e esquece de enaltecer a lenda por trás de toda a maldição, deixando o terror passivo, e até mesmo cansativo para compreensão.


Linda Cardellini, do ótimo Green Book - O Guia, até tenta passar um pouco de dramaticidade ao filme com a sua personagem, uma assistente social e mãe. A desenvoltura criada em cima do seu papel cria cenas interessantes que prendem a atenção pontualmente pela sua presença, nas angústias que são impostas. Assim, o núcleo infantil também consegue dar carga para entreter, trazendo uma boa química entre o trio. Entretanto, algumas das cenas são mal trabalhadas e a escancarada coreografia gritante deixa desconfortável toda a ação de parecer naturalista.


Raymond Cruz (Breaking Bad), por outro lado, é  forçado a ser o alívio cômico com piadas e humor exagerados, além de não dar consistência no mistério que seu personagem demonstra. Com uma fotografia demasiadamente escura, o que pode parecer favorável para a proposta do roteiro, o filme até tem ressalvas positivas. O estilo que Michael Chaves emprega ao jogo de câmeras em movimento  a sensação do que realmente se passa em tela, todo o nervosismo dos personagens. Há também excelentes takes, como a cena da piscina e as cenas sequências que dão um certo brio ao filme.

A Maldição da Chorona certamente cairá no limbo e será esquecido. Mesmo integrando ao universo criado, puxando até elementos de outros filmes, a obra se nivela por baixo conseguindo ser pior que o seu antecessor, A Freira. A pergunta que podemos nos fazer é: será (minúsculo) mesmo que a aposta desse universo deve ter continuidade? Ainda teremos mais filmes e as respostas podem ser respondidas futuramente, mas a fórmula já saturada desanima os mais fiéis ao gênero.



Título Original:
 A Maldição da Chorona

Direção: Michael Chaves

Duração: 94 minutos

Elenco: Linda Cardellini, Raymond Cruz, Patricia Velasquez, Sean Patrick Thomas, Tony Amendola, Marisol Ramirez, Roman Christou e Jaynee-Lynne Kinchen

Sinopse: Na Los Angeles da década de 1970, uma assistente social criando seus dois filhos sozinha depois de ser deixada viúva começa a ver semelhanças entre um caso que está investigando e a entidade sobrenatural La Llorona. A lenda conta que, em vida, La Llorona afogou seus filhos e depois se jogou no rio, se debulhando em lágrimas. Agora ela chora eternamente, capturando outras crianças para substituir os filhos.

Trailer:

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Fagner Ferreira

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