Crítica: True Detective - 3ª Temporada (2019, de Nic Pizzolatto e outros)


Saudades é o que eu sinto quando penso na magnífica primeira temporada de True Detective, de longe, a melhor temporada que eu já assisti na vida e olha que eu assisto muita coisa! Inclusive ao longo dessa crítica, vou citá-la bastante, porque seria impossível não fazê-lo.

Após o fiasco da segunda, seguimos então para terceira temporada, depois de quatro anos de espera, com nomes de peso como Nic Pizzolatto, Matthew McConaughey e Woody Harrelson por trás das câmeras, tentando reerguer a série.

Como protagonistas temos o excepcional Mahershala Ali, vivendo um detetive que, junto com seu parceiro Roland West (Stephen Dorff), tentam descobrir o paradeiro de duas crianças desaparecidas.

Nostalgia é a palavra que serve para endossar o começo dos episódios, porém essa nostalgia pode cegar em um primeiro momento, o clima de insatisfação cresce com o decorrer dos episódios e por fim, parece que tentaram fazer a história sobre o detetive (Mahershala) e não sobre o caso em si. Muita informação passada de maneira mal elaborada.

Apesar dos pesares, a série tenta reencontrar a fórmula do sucesso e por mais insatisfatório que tenha sido, consegue entregar uma história melhor. Continue lendo e saiba mais sobre o que achamos da terceira temporada.



A história muito se assemelha ao primeiro ano, o que nos dá uma vontade a mais de assistir, porém, logo vemos que as "semelhanças" são o que diferem na história. O roteiro nos "engana" repetidas vezes sobre em que realmente é baseado a obra.

Em um primeiro momento, somos apresentados a esses dois detetives Wayne Hayes (Ali) um homem sério que aparentemente voltou quebrado após a guerra no Vietnã e seu parceiro Roland West (Stephen Dorff), um homem claramente mais aberto a questões sociais e por vezes, a parte cômica da série.

Eles são designados a um caso em que, dois irmãos, um menino e uma menina,  desapareceram misteriosamente. O pai, Tom (Scoot McNairy), um simples mecânico vive um casamento infeliz com a incrível Mamie Gummer, interpretando a mãe alcoólatra ou quase isso, Lucy Purcell.




Até aqui, tudo anda bem. Eles começam uma investigação e percebem que muita coisa não encaixa nos depoimentos. É como se alguém soubesse algo e não fosse capaz de dizer. Wayne então conhece a professora de inglês das crianças, Amelia (Carmen Ejogo), que passa a ser de grande ajuda e de grande importância na história. Porém, apesar de querer se afastar o necessário da primeira temporada, o universo é o mesmo, colocando inclusive notícias e algumas pistas que nos fazem pensar que talvez, possa vir a ser uma continuação. Ou pelo menos dar um novo desfecho. Mas não se engane, nem tudo é o que parece.


A grande sacada desse ano, foi por a história contada como num documentário. Quem assistiu pode se lembrar de algum na Netflix sobre casos policiais e Deus sabe quantos existem por aí. O problema não foi isso, mas sim a forma como eles elaboraram. Percebemos que a história está sendo contada conforme as lembranças de Hayes, já que agora, ele é um senhor de 80 anos e sua memória não é mais a mesma. Fatos antigos e novos se convergem, fazendo-o desacreditar muitas vezes na sua capacidade de resolver esse caso.

Como sempre em documentários, a personagem que faz a diretora Elisa Montgomery (Sarah Gadon), traz novas provas e novos detalhes que na época, eles deixaram passar. O que pensar então? Eles erraram? Alguém deixou isso passar de propósito? Muitas teorias são criadas e montadas na cabeça do telespectador, confundindo-nos de propósito. Mas o que de fato me incomodou é a quantidade de informações passadas de uma forma não tão fácil de se absorver.


Veja bem, a cada novo encontro com Elisa, Hayes volta às suas memórias e descobrimos então o que de fato aconteceu na época, entretanto é como se essa história nunca tivesse fim. Ao longo dos anos tudo que aconteceu em sua vida se resume a esse caso. Todas as suas escolhas, falhas e comportamento foram baseados em um único caso não resolvido. Seu casamento, parece ter sido criado com bases nesse caso. Ele viveu uma vida vazia focado em apenas uma coisa. Não vejo nada mais triste para nosso personagem principal. A confusão mental faz com que vejamos esse personagem mais humano e frágil, muito diferente da época de detetive, quando ele ainda era um respeitado membro da polícia. Mas claro que temos algumas pinceladas sobre o racismo, sobre pessoas privilegiadas e como o dinheiro ainda controla as pessoas.


Acredito que o roteiro dificultou sem necessidade o entendimento dos acontecimentos, criando algo mais elaborado do que realmente era. O desfecho do que realmente aconteceu naquela época é em partes muito bem explicado, deixando em aberto você acreditar ou não na história. Repito que o roteiro errou em tentar confundir tanto a vida do telespectador.

A ideia do documentário foi muito assertiva e nos deu uma nova perspectiva dos acontecimentos. Mostrar como a vida das pessoas que trabalhavam no caso ou conheciam o caso na época foram afetadas, também foi muito bem vinda. Nos mostrou também como a obsessão desse homem foi capaz de, não destruir, mas afetar negativamente sua vida amorosa e familiar, colocando-o como ponto principal na história e não exclusivamente o desaparecimento das crianças, como ocorreu na primeira temporada.

Sem dúvida alguma a qualidade da série continua a mesma, a fotografia é muito boa, a escolha dos atores não tem nem o que discutir, afinal HBO não brinca em serviço. Mas ainda falta algo, o que posso dizer para finalizar é que a série tenta entrar na linha e reencontrar a fórmula para o sucesso.





Título Original: True Detective

Direção: Daniel Sackheim, Jeremy Saulnier, Nic Pizzolatto

Episódios: 8

Duração: 60 minutos aprox.

Elenco: Carmen Ejogo, Maheshala Ali, Ray Fisher, Scoot McNairy, Stephen Dorff, Mamie Gummer, Sarah Gadon

Sinopse: A terceira temporada contará a história de um crime macabro na região dos Ozarks, uma cadeia montanhosa e de lagos na fronteira entre os estados norte-americanos do Arkansas, Missouri e Oklahoma. A trama mostrará um mistério que se prolonga por décadas e acontecerá em três fases diferentes.
 
Trailer:



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Natália

Nada do que eu disser será verdade

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