Crítica: O Aviso (2018, de Daniel Calparsoro)


Nos últimos anos, o cinema espanhol vem se destacando e investindo em produções de suspense e mistério, que tem em suas características desenvolver uma boa história que prenda o público e trabalhe muito a questão de reviravoltas. O Aviso, sendo um filme original da Netflix, tenta seguir essa singularidade no molde, porém não obtêm o mesmo sucesso. Mas antes de falar disso, vamos a história.

A trama se situa em um lugar específico: um posto de gasolina. Esse posto sofre uma espécie de "maldição", fazendo com que um incidente ocorra no mesmo lugar e em uma data específica: 12 de abril. Quem consegue descobrir isso é Jon (Raul Arévalo), um sábio da matemática, que passa a ficar obcecado depois que ele e seu melhor amigo, David (Sergio Mur), param nesse mesmo local. Esse mesmo é invadido por um bandido atirando em David, que fica entre a vida e a morte. 



A insistência e a pesquisa do personagem faz com que seja detectado um padrão matemático. Ao mesmo tempo, o filme mostra duas linhas temporais: Jon tentando descobrir o mistério e em paralelo 10 anos depois a história de Nico, peça chave na trajetória. O menino é alvo de ameaças, a maior delas se refere ao seu aniversário que cai justamente no dia 12. O que muitos acreditam que fossem meras tentativas de assustá-lo, modifica-se em forma de um aviso. Um aviso que caso não seja obedecido, poderia transcorrer em graves consequências. 

No decorrer do filme, as peças vão pouco a pouco se encaixando. Isso tudo pelo fato de a figura de Jon buscar incessantemente mais informações que buscam completar o quebra-cabeça. Ele fica tão transtornado que acaba sofrendo alucinações severas.



A fotografia é bem interessante, tem uma paleta de cor sépia bem saturada, usada de forma bem acertada, principalmente nas cenas de flashback, onde  trabalha bem com as sombras.  A trilha sonora que conduz o filme também é satisfatória. Um dos aspectos desagradáveis é a questão da montagem, que não se preocupa muito em conectar os eventos de cada linha temporal. Entretanto, esse fato é recompensado por atuações boas das personagens. Raúl Arévalo, como Jon, que é vítima de esquizofrenia e ainda se culpa pelo acidente com o amigo, entrega uma boa interpretação até pela questão da problematização da personagem.  Outro destaque é Aura Garrido, que interpreta Laura, a mãe de Nico, uma mãe super protetora, com uma entrega bem nítida. 



A narrativa envolve durante boa parte do filme, embora no terceiro ato entre em um pequeno e médio declínio, principalmente no desenvolvimento. A direção é competente, conseguindo comprar a ideia de algo meio impossível, ao menos a princípio. Depois, tudo começa a fazer total sentido e, tudo isso, aliado a um bom roteiro. 


O Aviso é justamente aquele filme que busca uma temática diferenciada ou mais complexa, embora o filme não chegue a tanto. Não deixe de prestar atenção nos pequenos detalhes, pois eles podem fazer a diferença para o bom entendimento. Merece ser visto, apesar de não chegar em um novo sucesso espanhol. Tinha tudo para conseguir, mas fracassou em seus pontos finais. Isso não tira o mérito de todo filme,  mas poderia ter uma solução mais eficiente.



Título Original:  El aviso

Direção: Daniel Calparsoro

Duração: 92 minutos

Elenco: Raúl Arévalo, Aiton Luna, Alfredo Villa, Antonio Dechent, Aura Garrido, Belén Cuesta, Hugo Arbues, Juan López-Tagle, Luiz Callejo, Patrícia Vico, Sergio Mur. 

Sinopse: Depois de seu amigo ser baleado, Jon descobre um padrão matemático nas mortes ocorridas no local e tenta alertar a próxima vítima. 

Trailer: 

O que acha dos suspenses espanhóis? Quais as suas considerações de O aviso? Concorda com a crítica? Conte-nos. 

Guilherme Regert

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