Crítica: Maniac (2018, de Cary Fukunaga)


Maniac foi uma minissérie original da Netflix que teve aquele apelo comercial gigantesco da gigante do streaming, como Altered Carbon e Bird Box. Claro que não é para menos: o elenco é de primeiríssima linha, com Emma Stone e Jonah Hill liderando, mas sem esquecer dos sempre incríveis Gabriel Byrne e Sally Field.

A direção fica a cargo de Cary Fukunaga, conhecido pelo seu trabalho em True Detective e pelos seus trabalhos no cinema com Jane Eyre e Beasts of No Nation. É importante dedicar esses dos primeiros parágrafos para apresentar o elenco e o diretor, porque de fato eles dividem os louros deste projeto.


Cary Fukunaga consegue, com cores vibrantes no futuro distópico e com uma paleta igualmente interessante, recriar o passado na cabeça das personagens. Os jogos de cores feitos a todo momento juntam as personagens antes mesmo de que eles se encontrem nos ensaios da máquina. É um trabalho de fotografia, direção de arte e figurino que lembra os grandes filmes premiados nestas categorias. Simplesmente surpreendente.

O ponto crucial dos personagens de Annie e Owen ajudam na compreensão da obra. Eles são tomados pela culpa. Uma pela culpa do que fez, e o outro pela inércia de não conseguir tomar uma decisão sequer. Assim, fica claro que a série, na verdade, se trata de um grande ensaio psicológico. Talvez alguns psicólogos usarão essa série como ensaio ao psicodrama.


O fato de a cada episódio eles embarcarem numa história diferente em grupo, é um indicativo de que aquele ensaio todo, nada mais é que um psicodrama, mas simulado no subconsciente dos participantes, e não como uma peça contando com a consciência dos presentes.

É interessante, porque faz com que ninguém consiga resistir a se entregar ao ensaio e mergulhar nos seus problemas e culpas, mas, ao mesmo tempo, é perigoso, porque podem fazer os indivíduos mergulharem tão fundo a ponto de não voltarem.

Claro que não compraríamos toda essa viagem se o casal protagonista não desse um show em cena. Por terem atuado juntos em Superbad: É hoje (2007), Jonah Hill e Emma Stone estão muito à vontade em cena, suavizando ao telespectador esse longo hiato de 10 anos de distância entre os trabalhos juntos dos atores.


É evidente que o psicodrama não aparece simplesmente numa máquina aleatória. Aparece em uma máquina criada por um cientista, filho de uma psicóloga, psicóloga esta em quem a máquina foi baseada. Como não podia deixar de ser, a máquina tem sentimentos, e quase todos eles, similares ao da psicóloga.

Nessa altura da série, a loucura já está completamente instalada. A máquina começa a ter vontade própria, o cientista que desenvolveu passa a não ter controle algum de sua criação, a psicóloga tentando induzir todo o andamento do projeto, os cientistas bancando criadores e os personagens negociando se ficam ou saem daquele que parece um eterno tratamento.

A contar a quantidade de temas, por mais que todos dentro de psicologia, que você consegue identificar em Maniac, você pode até não se entusiasmar com a série, mas dificilmente esnobará os trabalhos de Cary Fukunaga à frente do projeto, e da Emma Stone e Jonah Hill em atuações evolutivas e convincentes.


Título Original: Maniac

Direção: Cary Fukunaga

Episódios: 10

Duração: 45 minutos por episódio

Elenco: Emma Stone, Jonah Hill, Justin Theroux, Sonoya Mizuno, Sally Field e Gabriel Byrne.

Sinopse: Dois desconhecidos se aproximam durante o teste de uma nova droga farmacêutica controlado por um médico com seus próprios traumas e um computador emocionalmente complexo.

Trailer:

E você? Já conseguiu conferir Maniac? Conta pra gente o que achou! E claro, não esquece de acompanhar o blog nas redes sociais ;)

João França

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