Crítica: Árvore de Sangue (2019, de Julio Mendem)


Árvore de Sangue é o mais novo drama espanhol da Netflix. Narra a história de um casal de escritores que resolvem se isolar em uma pequena casa em meio às colinas para escrever a história de como suas vidas, e suas famílias, estão entrelaçadas. Uma rede complexa de acontecimentos, românticos e trágicos, que unem três gerações em um mesmo destino.

O longa é bem filmado, aposta em cores vivas e em ambientes ensolarados para dar o clima da história. Paisagens campestres, rodeadas de natureza e animais, com poucos momentos urbanos, para centrar as impressões de quem assiste no ambiente da casa nas colinas e como esta serve de cenário para grande parte dos eventos narrados. Mas, infelizmente, as coisas boas praticamente acabam por aqui.


Árvore de Sangue é um filme ruim. Sua história tenta juntar várias narrativas como em um caleidoscópio que, em um clímax, torna-se apenas uma linha. Ideia é boa, fora executado perfeitamente em Magnólia, por exemplo, mas no caso de Árvore de Sangue possui uma execução bem ruim, que torna a experiência confusa. Não há chão para compreender a narrativa em alguns momentos, e as justificativas das ações dos personagens são pífias, extremamente forçadas. O próprio diretor e roteirista do filme se perdeu no emaranhado que tentara conduzir.


Quando as coisas começam a fazer algum sentido, temos um desfecho simples, reduzido em atos mais forçados ainda e até cômicos, em completo descompasso com a proposta complexa do filme, como por exemplo numa analogia tosca entre os irmãos russos e os touros. Se o intuito era filme dramático, erraram feio. Os personagens são construídos de forma funcionalista, como se estivessem ali apenas para girarem o enredo de apenas uma cena, com linhas do tempo esburacadas que não se completam, e não digo isso no sentido obrigatório de linearidade, mas sim na mera necessidade de um encadeamento lógico.


As atuações são um ponto médio. Os dois protagonistas, Marc (Álvaro Cervantes) e Rebeca (Úrsula Corberó) fazem um bom trabalho, são atuações críveis, embora não lá muito diferentes de outros papéis que já fizeram. O restante não possui nada memorável, nada além do padrão, alguns até dão a impressão que estão ali para figurar como rostos bonitos. 

Beleza esta dos atores que nos leva ao ponto da nudez do filme. Existe uma tentativa de mostrar o orgasmo, o sexo como arte, mas o sentido parece perdido junto com o emaranhado confuso de narrativas citado anteriormente. Em algumas cenas, o nu aparenta ser algo que está ali para ser nu, não como algo importante para a construção da cena. Parece que, para o diretor, o choque de ter atores pelados ou uma cena de abertura com uma camisinha usada era, meramente, pelo choque.


Árvore de Sangue é um filme longo, confuso e sem sentido. Não gera interesse na narrativa mostrada, quanto menos empatia pelos personagens. Um filme de conceitos vazios, cheio de pretensões e poucos significados, que se perde na própria proposta e termina como mais do mesmo.


Título Original: Él Árbol de la Sangre
 
Direção: Julio Mendem

Duração: 135 minutos

Elenco: Úrsula Corberó, Álberto Cervantes, Najwa Nimri, Marta Etura e Daniel Grao

Sinopse: Um jovem casal de escritores desvenda segredos sombrios de seus ancestrais ao escrever a história de como suas vidas e suas famílias estão entrelaçadas. Entre segredos guardados e revelações iminentes, o destino do casal será definido.

Trailer:

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Igor Motta Gil

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