Crítica: O Retorno de Mary Poppins (2018, de Rob Marshall)



Rob Marshall é responsável por um dos maiores clássicos musicais modernos: Chicago. Logo após, nos brindou também com Memórias de uma Gueixa, e então, trabalhou nos duvidosos Nine e Caminhos da Floresta. Assim, todos estavam um pouco ansiosos pelo resultado de O Retorno de Mary Poppins. Me arrisco dizer que apenas dois nomes poderiam reviver este clássico trazendo de volta toda essa magia: O do próprio Rob Marshall e o de Tim Burton (mas ai teríamos um Mary Poppins mais dark, possivelmente).

O importante é que de filmes visualmente exuberantes e coreografias afiadas, o veterano Rob Marshall entende como ninguém. O filme se passa 24 anos após os acontecimentos do primeiro (que se passam em 1910), durante a grande depressão que assolou Londres, com o retorno de Mary Poppins para ajudar Michael e Jane, que agora não são mais crianças, e sofrem com a perda da esposa de Michael e a criação dos 3 filhos. O principal acerto do filme está em não tentar trazer Mary Poppins para os dias atuais. Digo isso por dois principais motivos:

i. Nos remete aos heróis de infância e principalmente desperta essa magia;


ii. É um filme com uma mensagem atemporal, então, nada mais justo que mantê-lo próximo do original sem prejuízo do nosso entendimento.


Outro ponto importante da época, é o da profissão de Jack (Lin-Manuel Miranda), que é a de acendedor de lampiões. Pode parecer uma bobagem sem tamanho, mas, no contexto do mundo mágico de Poppins e de Londres estar afundada em uma grande crise chamada de depressão, o que mais seria imprescindível do que alguém que trouxesse luz a todos?

Lin-Manuel Miranda, Julie Walters e as crianças, vividas por Pixie Davis, Joel Dawson e Nathanael Saleh, fazem uma atuação bastante singela, humana e consistente de seus personagens. Temos como destacar, negativamente, Colin Firth, que apesar de a vontade em seu papel, careceu de um pouco mais de desenvolvimento, o que claramente o atrapalhou, e por outro lado, positivamente, temos Meryl Streep e Emily Blunt.


É difícil não se render a criação de vozes de Meryl Streep, e aqui, decidem se aproveitar disso. Óbvio que não só pela voz, mas, pelo conjunto em uma das cenas que tem a mensagem mais bela (e talvez necessária num mundo tão intolerante) do filme. Cena esta, inclusive, que tem ligação com uma cena do primeiro filme, onde Mary Poppins e as crianças, tomam um chá de ponta cabeça.

Não só esta, mas, existem inúmeras referências entre os filmes. Mary Poppins pedindo para o Michael manter a boca fechada, os personagens, a dança de Dick van Dyke sobre uma mesa, lembrando muito sua coreografia jovem, enfim... Saudosismo para quem conhece, e magia para quem assiste pela primeira vez.

E o que dizer de Emily Blunt? A versatilidade toma conta dessa jovem e ao mesmo tempo, experiente atriz. Num mesmo ano nos brindou com Um Lugar Silencioso, e agora com O Retorno de Mary Poppins. De forma muito justa, foi reconhecida com ambas indicações ao SAG Awards (embora possa existir uma polêmica enquanto tratá-la como coadjuvante em Um Lugar Silencioso, mas, não é a primeira e tampouco será a última polêmica).

Se Emily for indicada ao Oscar, entrará para o seleto hall de intérpretes indicados à estatueta por um mesmo personagem. Estão neste Olimpo atualmente os inclusive vencedores por interpretarem Vito Corleone: Marlon Brando (1973) e Robert de Niro (1975).


Além da performance de Blunt, apostaria no filme aparecendo entre os indicados ao Oscar por Design de Produção, Figurino, Canção Original, e quem sabe, se tiver fôlego, Lin-Manuel depois de sua estrela da calçada da fama não consiga abocanhar uma indicação também?

Obviamente que não aposto em ter as mesmas 11 indicações que o primeiro filme, mas, seria muito bom ver um filme que resgata um mundo mágico, enquanto o mundo real caminha para a escuridão, ser reconhecido com no mínimo, boas indicações.


Título Original: Mary Poppins Returns

Direção: Rob Marshall

Elenco: Emily Blunt, Lin-Manuel Miranda, Ben Whishaw, Emily Mortimer, Julie Walters, Colin Firth, Meryl Streep, Pixie Davis, Joel Dawson e Nathanael Saleh.

Sinopse: Numa Londres abalada pela Grande Depressão, Mary Poppins desce dos céus novamente com seu fiel amigo Jack para ajudar Michael e Jane Banks, agora adultos trabalhadores, que sofreram uma perda pessoal. As crianças Annabel, Georgie e John vivem com os pais na mesma casa de 24 anos atrás e precisam da babá enigmática e o acendedor de lampiões otimista para trazer alegria e magia de volta para suas vidas.


Trailer:


E você? Já conferiu a magia de Mary Poppins? Não deixe de compartilhar sua opinião com a gente ;-)

João França

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