Crítica: O Impossível (2012, de J. A. Bayona)


Quando se fala em um filme sobre Tsunamis, logo vem na mente filmes  sobre catástrofes. Seja superproduções como 2012, até aquele "filmecos fundo de quintal". Mas eis que surge este filme chamado O Impossível, feitos pelo roteirista e pelo diretor de o ótimo terror hispânico O Orfanato. O filme é bem elogiado pela crítica em sua estreia, e chegou ao Oscar concorrendo na disputadíssima categoria de melhor atriz. Este filme é baseado na terrível tragédia do Tsunami na Tailândia, em 2004. 

Uma emocionante homenagem às vítimas da tragédia! O Impossível consegue emocionar e chocar de maneiras inimagináveis. Mas primeiro vou falar dos defeitos. Realmente o único defeito vem a ser o excesso de melodrama no meio do filme, que pode afastar os mais frios e que não gostam de choradeiras. Este é um pequeno deslize do roteiro, mas que passa quase despercebido. Para mim não foi incômodo, até porque, acredito que para quem esteve no meio desta situação deve ter sofrido muito mais que no filme. Então perdoei este fato. Mas vamos aos pontos positivos.

A começar pelo fato do filme não se concentrar na ação e nos efeitos especiais. A cena da catástrofe é ótima, extremamente bem feita e forte. Tudo é muito bem detalhado, mas com tom realista. Nada de ondas animalescas como em 2012. Tudo aqui é o mais real possível. E o filme acaba não se concentrando nisto, mas no possível reencontro da família separada pela tragédia; algo impossível como indica o título (aliás, ótima sacada este título do filme).


Mesmo com seus dramas, o roteiro é forte e impactante, te enlaçando por completo e torcendo pelas personagens. O diretor Juan Antonio Bayona soube filmar tudo com firmeza. Sua câmera estática, assim como a trêmula; é arrasadora. Ele soube utilizar efeitos em câmera lenta, efeitos sonoros, efeitos mudos, melodia triste, roteiro simples mas bem costurado, elenco de primeira com jovens novatos. Ele usou tudo isto com convicção na história que queria contar. Em O Impossível, o diretor fez um drama com recheio de terror. Por que digo isso?

Porque aí entra outro ponto forte do filme: o realismo das feridas e sofrimento. Mesmo com toda emoção e lágrimas, o filme traz cenas cruas de mutilação, arranhões e mortes. As cenas nos hospitais e nas vilas após a onda gigante, são desoladoras. Uma ótima maquiagem da equipe, fazendo feridas e quebraduras expostas dignas de filmes de terror. Sem falar que só a situação em si já passa pânico.

Cenas lindas permeiam a obra. Dentre delas está a que Naomi e seu filho mais velho acham um menininho, e ele mesmo sem conhecer ela, pega na sua mão com ternura. Mas a minha predileta é a que um dos meninos mais novos está olhando as estrelas, e uma senhora sobrevivente diz que muitas estrelas já estão mortas. O garoto pergunta como saber quais estrelas estão vivas ou mortas. A senhora diz ser impossível saber! Esta cena lírica, poética e inspiradora resume todo filme. Assim como ficamos felizes de ver um brilho de algo que nem sabemos estar vivo ou morto; é a fé de algo que parece impossível que pode fazer a diferença  de seguir em frente ou não. Poesia em forma de filme.


Ewan McGregor tem uma ótima atuação, como sempre. Ele é um ator que vem sido rejeitado e esnobado pela crítica, uma pena! O trio de filhos também manda bem nas atuações, principalmente o filho mais velho que tem uma surpreendente atuação, com força e vigor. 


Finalmente, chegamos nela, Naomi Watts. O filme é absolutamente dela. Grande parte das cenas é ela que carrega nas costas, seja na sobrevivência como nas cenas de maior desespero. Em pelo menos 3 momentos a atuação dela é visceral, intrigante, forte, humana; cenas de dizer: oh meu Deus! Grande parte destas cenas ela atua sem dizer nem uma única palavra. São cenas onde um olhar, um sorriso ou um suspiro dizem tudo. Uma cena específica me marcou. Ela está sendo carregada por várias pessoas, depois de quase morrer. Então a câmera foca nos olhos dela. Ali, naquele único momento, ela atua com os olhos. Numa única tomada de alguns segundos, ela transmite medo, terror, desespero, mas acima de tudo; força de vontade de sobreviver, para poder abraçar novamente seu marido e filhos. Desalentador, lindo e arrepiante.

O Impossível te chocará em alguns momentos, te emocionará em outros. A atuação de Naomi Watts é arrebatadora e te impressiona. Algumas cenas já são clássicas. Os mais frágeis irão às lágrimas facilmente, mas os mais fortes poderão, sim, ficar balançados. Mesmo diante de uma das maiores tragédias da história da humanidade, é possível ter fé, perseverança, manter a convicção de reencontrar alguém. Um filme extremamente humano, bem elaborado e desalentador. Mas que homenageia todas as vítimas deste desastre. Mantém um respeito com quem passou por isto, e mostra que a vida segue, e é possível ver o brilho de certas estrelas, mesmo que elas já tenham deixado de existir à milhares de anos.


Título Original: The Impossible

Direção: Juan Antonio Bayona

Duração: 113 minutos

Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Marta Etura, Russell Geoffrey Banks.

Sinopse: Maria (Naomi Watts), Henry (Ewan McGregor) e seus filhos tiram férias na Tailândia, para desfrutar alguns dias no paraíso tropical. Mas, na manhã de 26 de dezembro, enquanto a família descansa ao redor da piscina, um rugido apavorante sobe à partir do centro da terra. Uma enorme parede de água surge em direção à família.

Trailer: 


Não deixe de nos contar o que você achou dessa lindíssima homenagem em forma de filme.
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